Diego Zanchetta
O Estado de S. Paulo
Serão construídas 2 mil habitações na ocupação Copa do Povo e programa Minha Casa Minha Vida será modificado
SÃO PAULO - O líder Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, anunciou por volta das 17 horas desta segunda-feira, 9, em uma coletiva no centro da capital paulista, o entendimento com o governo federal e o fim da jornada de manifestações em São Paulo contra a Copa do Mundo. No meio da coletiva, ele recebeu uma ligação de um interlocutor do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e afirmou que houve atendimento de três pontos principais reivindicados pelo MTST.
O governo federal se comprometeu a construir 2 mil habitações populares onde está a ocupação Copa do Povo, na zona leste de São Paulo. Não serão necessárias desapropriações porque a construtora Viver será contratada pelo governo para fazer as habitações. Além disso, o governo vai formar uma comissão nacional de combate aos despejos forçados.
O programa federal Minha Casa Minha Vida será modificado. Hoje as entidades de movimentos por moradia só podem assumir a construção simultânea de 1 mil unidades habitacionais. Com a mudança, esse limite passa para 4 mil unidades por entidade. Os empreendimentos geridos pelos movimentos de moradia, que hoje devem estar obrigatoriamente em áreas de risco, poderão ser construído por uma entidade em qualquer lugar da cidade. E o benefício, que vigora para famílias que ganham até R$ 1.600 será estendido a quem ganha até três salários mínimos, o equivalente a R$ 2.172 mensais.
Plano Diretor. Segundo Boulos, não haverá manifestações contra a Copa. "Haverá, sim, manifestações pela votação do Plano Diretor na Câmara", disse. Boulos ainda afirmou que "o Plano Diretor não é só uma proposta para transformar a Copa do Povo em moradia popular, é um projeto bom para toda cidade e de interesse da população". "Não podemos deixar que interesses escusos do mercado imobiliário ditem o ritmo de trabalho dos vereadores."
Sob pressão do MTST e da própria gestão Fernando Haddad (PT), a presidência da Câmara Municipal marcou sessão para esta terça-feira, 10, às 11 horas, na tentativa de acelerar a segunda votação do Plano Diretor. Nesta segunda à noite, líderes dos movimentos de moradia vão se reunir com vereadores para pressionar por uma data final do plano.
Líderes da base governista e da oposição dizem ser impossível votar o Plano Diretor antes do dia 17. "As emendas do governo chegaram hoje, elas ainda precisam ser publicadas no Diário Oficial e ouvidas em audiência pública. Para essa semana é certo que não vai dar", afirmou o vereador Milton Leite (DEM), uma das principais lideranças da Casa.