Olivia Alonso
Valor
A principal entidade que representa a indústria brasileira de máquinas e equipamentos definiu como "recessão" a situação atual do setor no país. Representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) disseram que o faturamento do setor deverá ter uma nova queda neste ano, provavelmente superior a 10%. Em 2013, as vendas do setor ficaram próximas de R$ 80 bilhões.
"Devemos terminar o ano com queda de dois dígitos no faturamento. Isso vai acontecer pelo terceiro ano seguido, o que significa que estamos em recessão setorial", afirmou o economista da entidade, Mário Bernardini. O diretor da entidade acrescentou que é possível que o setor termine o ano com queda de 11%, 12% ou algo próximo disso. De janeiro a maio, o faturamento do segmento caiu 13,6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
No acumulado dos cinco primeiros meses, a indústria de bens de capital faturou R$ 28,59 bilhões. Nas vendas para o mercado interno, a queda do faturamento de janeiro a maio foi ainda maior - de 33,7% sobre um ano atrás.
A indústria brasileira de máquinas e equipamentos teve uma forte queda de vendas em maio. O faturamento bruto somou R$ 5,98 bilhões no quinto mês do ano, o que representou uma queda de 22,7% em relação a igual mês do ano passado. Em relação a abril, houve recuo de 2,2%.
"O Brasil vem investindo muito pouco, não há motivos para uma mudança dessa tendência de queda", disse o diretor. Bernardini destacou que a falta de investimentos está afetando tanto a produção nacional como a importação.
Por outro lado, as exportações de máquinas vêm crescendo no país, mas não o suficiente para compensar a retração da demanda interna. No ano, subiram quase 48% - o que a Abimaq considera como decorrente dos embarques de empresas que atuam no Brasil e em outros países, vendendo para suas matriz ou outras filiais, devido à fraqueza da demanda interna. "Mas isso não é sustentável a longo prazo", disse, observando que em algum momento essas empresas poderão tomar decisões de deixar o país.
Os embarques ao exterior somaram US$ 1,29 bilhão em maio, alta de 14,6% em um ano. No acumulado de janeiro a maior, totalizam US$ 5,6 bilhões, aumento de 26,1% em relação ao valor do mesmo período de 2013. Para a Abimaq, esse resultado continua sendo o melhor de toda a série de dados da entidade e correspondeu por 47,8% do faturamento total do setor, acima de média histórica de 32%.
As importações totalizaram US$ 2,38 bilhões no mês, queda de 15,1% frente um ano atrás. De janeiro a maio, foram US$ 12,4 bilhões, 7,3% menos do que no mesmo período de 2013. Como resultado, o setor acumula déficit comercial de US$ 6,79 bilhões até o fim de maio, no ano - redução de 23,9% na comparação com igual intervalo de 2013.
A Abimaq apontou ontem em sua divulgação mensal que o setor operou com uma utilização de 76,2% de sua capacidade instalada. Em média, o indicador está em 76,1% em 2014, acima dos 75,1% do ano passado.