Marco Prates
Exame.com
Um em cada 5 minutos de aulas no Brasil é perdido por indisciplina dos alunos, mostra pesquisa da OCDE
Jaime Souzza / Instituto Ayrton Senna
33% do tempo não é gasto com aprendizagem
São Paulo – Comparando o Brasil com as nações ricas da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros trabalham mais: 25 horas semanais, contra 19 na média de outros 33 países. Mas quando se analisa como este tempo é gasto, a coisa muda de figura.
Os docentes aqui perdem 20% do tempo em aula para manter a ordem, ou seja, lutando contra a indisciplina e pedindo calma.
Como outros 12% são gastos em trabalhos administrativos – tais como o preenchimento de chamadas – chega-se ao tempo de aula que é traduzido em ensino: 67% (não 68%, como se poderia supor, porque a OCDE arredonda as porcentagens).
A média de tempo efetivo em sala de aula nos países da organização é 79%.
Na Finlândia - um exemplo batido, mas sempre lembrado, de excelência educacional - o tempo chega a 81%.
Na Coreia do Sul, outro país de altos resultados em exames internacionais, fica em 76,9%.
Os resultados fazem parte da Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla em inglês), divulgada hoje pela OCDE.
Muitos especialistas em educação batem na tecla há anos de que é possível conseguir melhores resultados no país apenas tentando utilizar de forma mais sábia o tempo já disponível em sala de aula.
A Talis ouviu 106 mil professores dos anos finais do ensino fundamental em todo o mundo. No Brasil, foram 14,2 mil, de 1.070 escolas.
Uma ferramenta de comparação dos resultados entre países pode ser conferida abaixo, em inglês.
