domingo, junho 29, 2014

Seis em cada dez obras em portos não recebem investimentos federais

Marina Dutra
Contas Abertas


Das 127 obras previstas no orçamento de investimentos das Companhias Docas, 77 não receberam qualquer centavo até o segundo bimestre. Está previsto em orçamento que o governo federal, acionista majoritário das sete Companhias Docas, invista por meio da Secretaria de Portos R$ 1,3 bilhão nas sociedades de economia mista em 2014. Até o segundo bimestre, entretanto, apenas R$ 83,9 milhões foram aplicados, cerca de 6,4% do total.

As estatais são responsáveis pela administração de 18 portos espalhados pelo país. A baixa execução dos recursos afeta principalmente a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), a maior das sete. A CDRJ administra os portos do Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis e Itaguaí e possui R$ 469,5 milhões autorizados para investimentos em 2014, mas apenas R$ 218,1 mil foram aplicados.

Nos quatro primeiros meses do ano, obras como a “Implantação de Píeres de Atracação para Terminais de Passageiros, no Porto do Rio de Janeiro”, empreendimento considerado como essencial para a Copa do Mundo, ficaram paradas. Só para a iniciativa foram autorizados R$ 214,9 milhões.

Outras ações que tiveram os repasses de investimentos parados foram as de “Reforço Estrutural do Cais da Gamboa” e a de “Implantação de Sistema de Apoio à Gestão de Tráfego de Navios”. Nada dos R$ 166,8 milhões autorizados para as duas iniciativas foi investido até o quarto mês do ano.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (CODESP), responsável pelo porto de Santos, executou R$ 44,1 milhões até abril. O valor correspondeu a 15% dos R$ 298,9 milhões autorizados para investimentos. Das três maiores obras da CODESP apenas uma andou. A obra de “Adequação do Cais para Terminal de Passageiros, no Porto de Santos” investiu R$ 25,6 milhões até o segundo bimestre, o que correspondeu a 67% dos R$ 38,5 milhões orçados.

Já para as ações de “Construção da Passagem Inferior do Valongo (Mergulhão)” e “Reforço de Cais para Aprofundamento dos Berços entre os Armazéns 12 e 23, no Porto de Santos” com autorização de investimentos de R$ 36 milhões e R$ 44,2 milhões, respectivamente, nenhum centavo foi desembolsado.

A Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA), terceira maior em aportes orçamentários, desembolsou apenas 7%, ou R$ 9,5 milhões dos R$ 132,7 milhões autorizados para investimentos. Na ação de “Ampliação do Quebramar, no Porto de Salvador”, que possui R$ 29,1 milhões de orçamento, não foi aplicado nenhum centavo.

Os investimentos da Companhia Docas do Pará (CDO) também estão estagnados. Responsável pelos portos de Belém, Santarém e Vila do Conde, a CDO investiu apenas 4% dos R$ 129,9 milhões autorizados, o equivalente a R$ 4,6 milhões. A obra “Construção do Terminal de Múltiplo Uso 2, no Porto de Santarém”, a maior da companhia, ainda não executou nada dos R$ 64,4 milhões disponibilizados.

A Companhia Docas do Espírito Santo (CODESA) teve autorização para investir R$ 128,3 milhões. Responsável pelos portos de Vitória e Barra do Riacho, a CODESA investiu 4% da dotação total, ou R$ 4,5 milhões. Dos R$ 55 milhões autorizados para investimentos na “Construção de Cais na Região dos Dolfins do Atalaia”, a maior obra da companhia, apenas R$ 2,7 milhões foram aplicados.

Dos R$ 66,4 milhões disponibilizados para investimentos na Companhia Docas do Ceará (CDC) 17% foram investidos, o equivalente a R$ 11,4 milhões. A obra de “Implantação de Terminal Marítimo de Passageiros, no Porto de Fortaleza”, recebeu 37% dos investimentos previstos. Na ação foram autorizadas aplicações de R$ 26,7 milhões em 2014, dos quais R$ 10 milhões já foram pagos. A CDC administra apenas o porto de Fortaleza.

A Secretaria de Portos da Presidência da República, ao qual as Docas estão vinculadas, foi contatada mas não encaminhou resposta até o fechamento da reportagem.