quinta-feira, julho 24, 2014

Comandante separatista admite que rebeldes tinham mísseis BUK

O Globo
Com informações Agência Reuters

Líder militar em Donetsk diz ter recebido informação de que Luhansk teria armamento apontado como responsável por queda do voo MH17

MAXIM ZMEYEV / REUTERS 
Alexander Khodakovsky fala durante uma entrevista em Donetsk 

KIEV — Um importante líder rebelde ucraniano da região em Donetsk confirmou nesta quarta-feira que os separatistas pró-Rússia tinham um míssil do tipo BUK, apontado por Washington como o usado para abater o voo MH17 da Malaysia Airlines. Em entrevista à Reuters, o comandante Alexander Khodakovsky reconheceu, pela primeira vez desde que o avião foi derrubado no Leste da Ucrânia na quinta-feira passada, que os insurgentes possuíam o sistema antiaéreo. Ele também ressaltou que o armamento poderia ter sido enviado de volta à Rússia, posteriormente, para remover prova de sua presença.

Segundo os relatos de Khodakovsky, antes de o avião da Malásia ser derrubado, os rebeldes se gabavam de ter os mísseis. Mas desde o desastre, o grupo principal dos separatistas, da autoproclamada República Popular da Donetsk, tem negado repetidamente nunca ter possuído tais armas. Ele disse ainda que sua unidade nunca havia possuído BUKs, mas que podia ter sido usado por rebeldes de outras divisões.

— Eu sabia que um BUK tinha vindo de Luhansk. Na época, me disseram que o míssil estava com a bandeira de LNR — disse ele, referindo-se à República de Luhansk, grupo rebelde que opera junto com Donetsk, província onde o acidente ocorreu. — Acho que eles mandaram de volta. Porque eu descobri sobre isso exatamente no momento que soube da tragédia. Eles provavelmente enviaram de volta, a fim de remover a prova de sua presença — acrescentou.

No entanto, o comandante culpou as autoridades de Kiev por provocar a tragédia. Segundo ele, Kiev sabia que os mísseis estavam no local e lançou, deliberadamente, ataques aéreos na região.

— A questão é esta: Ucrânia recebeu provas oportunas que os voluntários tinham tinham esta tecnologia, por culpa da Rússia. Kiev não só não fez nada para se proteger, como provocou o uso deste tipo de arma contra um avião que voava com civis inocentes — afirmou Khodakovsky.

Washington acredita que os separatistas abateram o avião “por engano”, sem perceber era um voo de passageiros, disseram autoridades de inteligência americana. Oficiais ressaltaram que a “explicação mais plausível” para a queda do avião era que os rebeldes disparam um míssil SA-11 de fabricação russa, também conhecido como Buk, ao confundir o tipo de aeronave que tinham como alvo. Outros líderes separatistas declararam que não abateram o voo MH17, e a Rússia nega envolvimento.

Khodakovsky é um ex-chefe da unidade antiterrorismo do serviço de segurança em Donetsk, e um dos poucos comandantes ucraniano, em vez de russo. No passado, ele entrou em atritos com os líderes rebeldes de fora da região, como o Igor Strelkov, que se declarou o chefe de todas as forças rebeldes na província de Donetsk.