quinta-feira, julho 24, 2014

Morre Ariano Suassuna, o menino sertanejo

Portal G1

“O homem nasceu para a imortalidade. A morte foi um acidente de percurso. Mas depois que eu me tornei pai e avô, descobri que a família é quase uma imortalidade, porque é uma continuidade"



16/06/1927
Nasce Ariano Villar Suassuna, na Cidade da Parahyba, atual João Pessoa. É filho de João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, na época governador, e Rita de Cássia Dantas Villar.
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1928
Na tentativa de evitar inimigos políticos, após o fim do mandato do pai de Ariano, a família Suassuna passa a morar na Fazenda Acauhan, no Sertão paraibano

09/10/1930
João Suassuna é morto no Rio. A motivação para o crime seria sua ligação política com João Dantas, acusado da morte de João Pessoa, ex-governador paraibano. Por causa da repercussão, em 1933 a família muda-se para Taperoá (PB). Ariano inicia seus estudos.

O pernambucano da Paraíba


“Comecei a querer ser escritor aos 12 anos, quando fiz meu primeiro conto. Na época, era um assassino terrível. Quando não sabia o que fazer com um personagem, matava"

1937
Ariano muda-se para o Recife e passa a ter mais contato com a literatura. Em 1942, a matriarca, Rita, instala toda a família na capital pernambucana, por preocupação com o estudo dos filhos

1945
Termina os estudos secundários. Ainda no colégio, conhece o artista plástico Francisco Brennand, que ilustra seus primeiros poemas. Em setembro deste ano, Ariano tem publicado seu primeiro texto, o poema "Noturno", que sai no "Jornal do Commercio"

1946
O escritor entra na Faculdade de Direito do Recife. Neste ano, promove ainda um espetáculo de cantoria popular, que considera sua primeira aula-espetáculo.

Ariano chega ao palco


“Eu tenho a maior convicção de que, com os elementos da chamada arte arcaica, a gente pode fazer uma arte que se projeta até para o futuro"

1947
Ariano escreve sua 1ª peça, "Uma mulher vestida de sol", que é premiada. Conhece sua futura esposa, Zélia de Andrade. No ano seguinte, a peça "Cantam as harpas de Sião" é montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco

1950
Forma-se em direito e recebe o Prêmio Martins Pena pelo "Auto de João da Cruz". Para tratar uma tuberculose, volta a Taperoá, onde escreve e monta a peça "Torturas de um coração"

1952
Ariano volta ao Recife e, até 1956, dedica-se à advocacia. Continua, no entanto, ligado à atividade teatral. Cria obras ligadas ao humor e integra o grupo Gráfico Amador. Nesse período, escreve um dos seus maiores clássicos, "O auto da compadecida" (1955)

Autor do Brasil


“Há duas raças de gente com quais simpatizo: mentiroso e doido, porque eles são primos dos escritores. (...) Na minha vida não acontece nada. Se eu não mentir, o que é que eu vou contar?"

1956
"O auto da compadecida" é encenado pela 1ª vez no Teatro de Santa Isabel, no Recife. Ariano deixa a advocacia e se torna professor de estética na UFPE. Publica seu 1º romance: "A história de amor de Fernando e Isaura"

1957
Casa-se com Zélia, com quem teve 6 filhos e 13 netos. Em SP, a Cia Sérgio Cardoso encena "O casamento suspeitoso". Ariano publica "O santo e a porca", e "O auto da compadecida" torna-se sucesso no Rio. Cinco anos mais tarde, o crítico Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro"

1958
Começa a escrever o “Romance d'A pedra do reino'. Em 1959, ao lado do teatrólogo Hermilo Borba Filho, funda o Teatro Popular do Nordeste. Essa parceria daria início, em 1964, à articulação ao Movimento Armorial.

A erudição nordestina


“Não tenho nada contra a cultura universal, mas não posso admitir que se considere sinônimo de universal a cultura de massa. Ela é o contrário da universalidade, é a uniformização"

1970
Ariano conclui o "Romance d'A pedra do reino". O concerto "Três séculos de música nordestina – Do Barroco ao Armorial" marca o início do Movimento Armorial, no Recife

1971
Publicado, “A pedra do reino” vence o Prêmio Nacional de Ficção do Instituto Nacional do Livro. O livro é considerado por muitos intelectuais como a obra-prima do escritor

1990
Ariano toma posse na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras. Em 1993, “A pedra do reino” vira festa na cidade pernambucana de São José do Belmonte: é uma cavalgada em que os participantes usam trajes como os descritos no romance de Ariano

TV, cinema e política


“Eu acho que a arte, por natureza, não é uma imitação do real, é uma recriação. (...) Se fosse para imitar a realidade do dia a dia, melhor seria ficar com a própria realidade"


1994
A peça "Uma mulher vestida de sol" é sua 1ª obra adaptada para a TV. Em 1999, o "Auto da compadecida" vira minissérie, e, um ano depois, ganha filme. "A pedra do reino" virou minissérie em 2007

1996
Ariano estreia a série “Grande cantoria”, aula-espetáculo que reúne violeiros e repentistas. Em 2002, é homenageado em enredo no carnaval do Rio

2007
Assume a Secretaria de Cultura de Pernambuco, no governo Eduardo Campos – o escritor já havia desempenhado a função em 1995, no governo Miguel Arraes. Em 2011, vira chefe da Assessoria Especial do governo

2013
É internado duas vezes. Primeiro, por infarto agudo do miocárdio, mas logo recebeu alta. Dias depois, é hospitalizado novamente, por conta de um aneurisma cerebral. É liberado cerca de uma semana depois