quarta-feira, julho 30, 2014

Mercosul pede investigação de violação de direitos humanos em Gaza. E na Venezuela, não vai nada?

Claudia Jardim
O Globo

 ‘Se entende que soldados morram em uma guerra, não crianças, mulheres, idosos’, afirmou Cristina Kirchner

Fernando Llano / AP
 Da esquerda para a direita: Jose Mujica (Uruguai), Dilma Rousseff (Brasil), 
Nicolas Maduro (Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), Horacio Cartes (Paraguai)
 e Evo Morales (Bolivia). Presidentes do Mercosul criticaram ofensiva israelense na Faixa de Gaza 

CARACAS — Nesta terça-feira, considerado como um dos dias mais sangrentos desde o início da ofensiva militar de Israel contra os palestinos na Faixa de Gaza, os presidentes do Mercosul condenaram o uso desproporcional da força por parte do exército israelense "que afeta fundamentalmente a civis, incluindo crianças e mulheres".

No comunicado oficial, o Mercosul pediu um "cessar-fogo imediato" e mostrou preocupação pelo deterioramento da situação humanitária ocasionada pelo conflito. Os presidentes do bloco qualificaram como "urgente" o início de uma investigação que investigue as violações de direitos humanos, "para estabelecer fatos e circunstâncias de referidas violações e dos crimes cometidos", e identificar os responsáveis.

Mais de 100 pessoas morreram no mais recente ataque israelense em Gaza, elevando o número de mortos para mais de 1.200 palestinos desde o início da ofensiva. A intensificação dos ataques israelenses ocorreu após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, avisar que previa um longo conflito pela frente. A única central elétrica de Gaza foi bombardeada, gerando o caos entre a população que está sob bombardeios há duas semanas.

A presidente Dilma Rousseff, que na véspera qualificou a ação israelense como “um massacre contra os palestinos”, disse que o Brasil reconhece o direito de Israel de se defender, mas manifesta sua mais veemente condenação ao uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, a qual resultou em elevado número de vítimas civis. “O governo brasileiro reitera o chamado ao cessar-fogo imediato”, afirmou Dilma durante a plenária presidencial.

A presidente argentina Cristina Kirchner foi além e disse que não pode ser qualificado como uma guerra um conflito no qual a maioria das mortes são da população civil e maioritariamente palestina. “As cifras falam por elas mesmas. Se entende que soldados morram em uma guerra, não crianças, mulheres, idosos, e que sejam bombardeados hospitais, escolas”, criticou a presidente da Argentina.

Na madrugada desta terça-feira, forças israelenses atacaram Gaza por ar, mar e terra.

Netanyahu advertiu aos israelenses que prepararem-se para um conflito longo. O líder do Hamas, Khaled Meshaal, disse que a paz está condicionada à saída das tropas israelenses de Gaza, a volta dos refugiados, e à transformação de Jerusalém em capital de um Estado palestino.

O Mercosul pediu ainda o fim do bloqueio econômico à Gaza e a abertura das fronteiras para a entrada de ajuda humanitária, como alimentos e medicamentos.