terça-feira, setembro 30, 2014

ACREDITE SE QUISER:: a madrinha da corrupção promete castigar os delinquentes que sempre acobertou

Augusto Nunes
Veja online




“Uma das prioridades do meu governo é o combate sem tréguas à corrupção”, recitou Dilma Rousseff em Nova York, esforçando-se para envergonhar o Brasil na ONU sem parar de tapear o eleitorado. Na sexta-feira, já de volta ao Planalto, a protetora da turma que, patrocinada pelo governo, faz bonito no campeonato mundial da corrupção recomeçou o espancamento da verdade. “No meu segundo mandato, uma das coisas que pretendo atacar é a impunidade, com o fortalecimento das instituições que fiscalizam e punem atos de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros”, fantasiou já na abertura da entrevista coletiva.

Foi a continuação da interminável Ópera dos Vigaristas, que estreou há 12 anos com reedições mensais, tornou-se um clássico no capítulo do mensalão (veja o vídeo do Implicante) e hoje afronta o país com atualizações semanais. Até um estagiário sem compromisso com a cafajestagem sabe que Dilma fez, faz e continuará a fazer o que pode para perpetuar a corrupção impune que Lula institucionalizou. Mas os entrevistadores presentes, caprichando na cara de paisagem, limitaram-se a anotar o que a candidata dizia. Aprenderam com Dilma que o papel da imprensa é divulgar o que os governantes dizem.

Ninguém perguntou à candidata por que não fez no primeiro mandato o que promete fazer no segundo. Ninguém lembrou à defensora das instituições que deveriam fiscalizar e punir que o seu governo emasculou todos os órgãos de controle interno, vive obstruindo o avanço de investigações da Polícia Federal que rondam bandidos de estimação, amplia o aparelhamento do Judiciário com nomeações repulsivas e contesta decisões do Supremo Tribunal Federal que contrariem a vontade dos pastores do autoritarismo.

A caçadora de corruptos só existe enquanto dura uma entrevista eleitoreira. No mundo real, o que há é uma nulidade que sempre lutou do lado errado. A Dilma de verdade é a  amiga, admiradora e comparsa dos incapazes capazes de tudo. O vídeo inspirado no julgamento do mensalão, por exemplo, escancara a divisão do elenco em companheiros vilões e homens da lei. No primeiro grupo, falta a presidente que desfigurou o elenco com a substituição de ministros honrados por ministros da defesa de culpados. Foi ela quem mudou o roteiro do faroeste à brasileira para garantir aos corruptos condenados um final menos infeliz.

Na coletiva, os entrevistadores nem tocaram no assunto. Também ignoraram cuidadosamente o papel de Dilma na transformação da Petrobras em usina de ladroagens bilionárias. Ministra de Lula, avalizou a infiltração de corruptos na direção da empresa. Chefe da Casa Civil, negou-se a apurar denúncias que davam conta da rede de patifarias, Presidente do Conselho de Administração, endossou negociatas de dimensões amazônicas. Presidente da República, só não completou a liquidação da Petrobras porque a Polícia Federal chegou a tempo.

Os participantes do cordial encontro de sexta-feira, como sempre, passaram ao largo do que efetivamente interessa. Os entrevistadores não são melhores que a entrevistada. Também imaginam que besteirol é notícia. Também acham que qualquer mentira de bom tamanho merece virar manchete.