Adelson Elias Vasconcellos
Boa parte do eleitorado brasileiro está prestes a conceder mais quatro anos de mandato para Dilma Rousseff. A grande razão de ser para o instituto da reeleição é permitir que bons gestores públicos sejam premiados pela sua atuação honrada, honesta e competente, além de permitir que exatamente estes mesmos gestores tenham a possibilidade de concluírem o trabalho que iniciaram. Isto impede que, a cada nova mudança de executivo seja municipal, estadual ou federal, ponha-se por terra boas administrações.
Pois bem, no caso de Dilma Rousseff não se tem a menor dúvida de que seu governo foi medíocre e está colocando em risco uma das maiores conquistas da sociedade nos últimos cinquenta anos que é a da estabilidade econômica, a partir da qual todo o resto se torna possível, principalmente no campo social. Ao lado deste feito, outra grande conquista foi o fim da ditadura militar e a consequente redemocratização do Brasil.
A grande verdade é que não há um único indicador, seja ele econômico, social ou mesmo até do cumprimento da própria missão do Estado na área de serviços – educação, saúde, segurança, saneamento, infraestrutura – que aponte uma direção virtuosa. Este Brasil de fantasia que a presidente – candidata apresenta em seu horário eleitoral, é vergonhosamente mentirosa.
Uma das balelas que o petismo comemora, o tal pleno emprego, não passa de um arremedo estatístico. Já falamos disto muitas vezes. Mesmo o PNAD revisto não consegue esconder a falsidade desta comemoração. Ali se vê que aumentou o número de jovens que simplesmente não estudam nem trabalham. E que, apesar do aumento populacional, a força de trabalho do país diminuiu. Adicionalmente, acrescente-se que, mais de 66 milhões de brasileiros, mesmo em idade economicamente ativa, não fazem parte da estatística do desemprego por não estarem “procurando emprego”. Para uma população economicamente ativa em torno de 100 milhões, pouco mais de 25% estão empregadas. Assim, a pergunta que se impõem: onde fica o tal pleno emprego?
Uma das outras muitas mentiras proferidas por Dilma Rousseff é que o crescimento do PIB é baixo por conta da crise externa. Ok, só falta nos dizer em que planeta ainda existe “crise externa” porque na Terra, dentre as 20 principais economias, apenas Brasil, Argentina e Venezuela estão em permanente crise. Os demais, e os dados oficiais estão a disposição de todos, vão muito bem obrigado, e crescendo duas a três vezes mais do que o Brasil governado por Dilma Rousseff.
Vimos aqui várias estatísticas no plano econômico comprovando que, a partir de janeiro de 2011, nossos indicadores entraram em queda livre. Não há um único que se salve. O PNAD, mesmo depois de revisto, mostra que a queda da desigualdade praticamente se manteve estagnada com Dilma no poder.
No campo da segurança pública, a criminalidade nunca foi tão assustadora como nestes últimos anos.
Enquanto a arrecadação de impostos cresce, não pela prosperidade econômica, mas sim pelo aumento da carga tributária, os investimentos dão marcha a ré.
Praticamente não se tem uma única grande estatal gozando de boa saúde financeira. Este governo deslocou do Tesouro Nacional mais de R$ 300 bilhões para financiar o crescimento, e o resultado é um vexame só: quanto maior foi o tamanho das remessas, inversamente proporcional foi o crescimento do PIB. Em compensação, a dívida pública que os governos petistas receberam em R$ 600 bilhões, já ronda a casa dos R$ 2,5 trilhões. E, por conta deste gigantismo todo, hoje, apenas para honrar a rolagem desta dívida, o governo federal consome mais de 50% do seu orçamento apenas para pagamento de juros.
A indústria, já cambaleante desde 2006, vem declinando há três anos. Produção menor, desemprego, faturamento menor e perda de participação no PIB nacional, além do fato de que o país parou de exportar manufaturados e semimanufaturados, portanto, com maior valor agregado, há muito tempo. Em compensação – como se tal fosse consolo -, a cada ano que passa aumenta mais a presença de produtos importados no comercio interno. Voltamos ao tempo do Brasil Colônia, Brasil Império, Brasil subdesenvolvido do início do século passado: exportamos exclusivamente matéria prima.
Em razão disto tudo, o país está ficando na rabeira do mundo de alta tecnologia. Comemoramos a geração de milhões de empregos no setor de serviços, empregos estes cuja imensa maioria se constitui de ofertas de menor qualificação e menor salário. Empregos que exigem melhor formação demoram a encontrar pessoas habilitadas para ocupá-los. Isto é constatado em qualquer área de Recursos Humanos.
Vertiginosamente, o Brasil está perdendo competitividade, inovação, modernização. Ou, em resumo: estamos ficando para trás, perdendo o bonde da história. Contudo, a candidata que apresenta um governo com tamanha debilidade, com tão grande ineficiência e incompetência indiscutíveis em todas as áreas de atuação, se apresenta para ser reeleita sem ter a coragem - e respeito para com o eleitor – em propor um miserável plano de governo. Diante de tantas mazelas geradas neste governo medíocre, não propõe uma única solução, nada.
No campo da corrupção, a novidade que a senhora Dilma nos traz é que, em seu segundo provável mandato, irá combatê-la com mãos de ferro. Pergunta: por que não o fez em seu primeiro mandato, permitindo a sangria da Petrobrás por exemplo? E ainda tem a cada de pau de vir a público afirmar que foi ela quem determinou que a Polícia Federal investigasse os tais “mal feitos” na estatal. Uma ova, dona Dilma, não seja hipócrita! Não minta com tamanha desfaçatez.
Primeiro, que a Polícia Federal sendo uma instituição do Estado, e não do governo, não precisa da autorização de quem quer que seja para investigar. Segundo, que seu governo sequer tinha conhecimento das diligências promovidas pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público sobre as ações nebulosas que se passavam na estatal. Terceiro, que seu governo se empenhou o quanto pode para evitar a instalação de qualquer CPI no Congresso. Não conseguindo, colocou sua tropa de choque para impedir que qualquer investigação ali prosperasse, chegando ao cúmulo de encenar um teatrinho de perguntas e respostas, cujos ensaios foram feitos na sala da presidência da Petrobrás. E, para arrematar, há seis meses instalou-se uma auditoria na Petrobrás, sem que se tenha produzido até aqui qualquer resultado.
Além disso, ainda cabe uma indagação: por que, até agora, a Lei Anticorrupção aprovada pelo Congresso, não foi regulamentada pelo governo? Para quem posa de xerife, tá faltando bala nesta escopeta!!!
Além disso, quem do governo Lula e da própria Dilma, esteve mais perto da administração da Petrobrás, maior influência exerceu enquanto Ministra de Minas e Energia e, posteriormente, da Casa Civil, no comando da estatal, influindo inclusive nas escolhas de diretores, até porque foi presidente do Conselho de Administração da companhia? Bate no peito para afirmar que foi ela quem demitiu Paulo Roberto Costa, contudo deixa claro que não foi por corrupção mas por falta de afinidade. Ora, achar que não teve responsabilidade política sobre toda a podridão que escorreu no submundo da Petrobrás é achar que todos somos tolos. E, oxalá, que nas confidências já delatadas por Paulo Roberto e nas que ainda fará o doleiro Yousseff não surjam as digitais da “gerentona”. Porque, se eleita, pode sofrer processo judicial por crime de responsabilidade. Dilma carrega para dentro de um provável segundo mandato uma crise institucional sem precedentes.
E o que se dizer sobre o escandaloso confisco salarial dos mais pobres via imposto de renda na fonte e a correção abaixo da inflação das faixas tributáveis? Vê se a CUT vem a público denunciar esta ação infame? Não fala porque, além dos cargos doados aos vagabundos, conta com os muitos milhões do imposto sindical sem fiscalização.
Poderia citar a tal política externa ideologizada da petista. Além de manchar a história do país com uma atuação sofrível, conseguiu isolar o Brasil do mundo moderno civilizado.
Em caso de reeleição de Dilma, para o país restará o consolo de que a presidente será herdeira de si mesma. Terá de conviver com as mazelas e as incompetências produzidas durante seu primeiro período no poder. Porque, de resto, as perspectivas de que tudo possa ficar ainda pior são infinitas. A começar pelo fato de que, recentemente, afirmou que não precisamos de um ajuste fiscal mais profundo. Ou seja, a tal contabilidade criativa vai continuar, a dívida pública continuará crescendo, a inflação não terá como descer a níveis decentes, o investimento permanecerá ou estagnado ou caindo ainda mais, e a manipulação tende a crescer para abrir caminho para a eleição de 2018. Se o primeiro ciclo foi ruim, e ela ainda assim pode ser reeleita, no segundo mandato tenderá a se achar poderosa e competente demais para mudar. O segundo será cópia piorada do primeiro. Nada do que já está ruim que não possa ficar ainda pior. Não subestimem, por favor, a capacidade de ser medíocre, arcaica, mentirosa, ignorante e mistificadora da senhora Dilma.
E que a imprensa fique alerta: a qualquer custo, Dilma vai atender ao apetite do seu partido no sentido de criar uma regulação dos meios de comunicação. Vem por aí chantagem, coação e censura. Talvez neste dia o eleitorado brasileiro caia na realidade de que, ao reeleger Dilma, jogou no lixo sua própria democracia. Se nas políticas públicas podemos apontar a culpada pelos erros cometidos, nas urnas não temos escolha: é o eleitorado dilmista ou petista que será o único irresponsável pela ladeira abaixo que nos espera. Não há plano B. Sequer chega a ser um tiro no escuro: é jogar o país no abismo mesmo e sem corda de salvação.
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