quarta-feira, setembro 10, 2014

Especialistas criticam forma de divulgação dos dados do Ideb

Bárbara Ferreira Santos 
O Estado de S. Paulo

Pesquisadores ouvidos pelo 'Estado' questionaram a falta de dados nas planilhas divulgadas pelo governo federal

SÃO PAULO - Especialistas em Educação criticaram a forma como os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2013 foram divulgados na sexta-feira passada, 5. Entre os questionamentos, está a falta de informações sobre os dados da Prova Brasil pela escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) - que incluiria separadamente os dados das provas de Português e Matemática. Eles também citaram a falta de divulgação dos dados por escola e dos dados de nível socioeconômico - os últimos seriam divulgados no Ideb pela primeira vez.

O principal ponto abordado pelos especialistas foi a falta de divulgação dos dados da Prova Brasil na escala Saeb. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela publicação dos dados, divulgou apenas a "nota padronizada", uma média das provas de Português e Matemática feita pelos alunos. Segundo Paula Louzano, doutora em Educação por Harvard, se os dados por disciplina fossem divulgados, seria possível visualizar como os alunos estão aprendendo. "Seria importante para a discussão pedagógica, sobre o que está contribuindo mais, se Português ou Matemática. Isso (a divulgação dos dados) permitiria mais análises."

Ernesto Martins Faria, coordenador de projetos da Fundação Lemann, concorda. "Ficou mais difícil fazer uma boa análise, principalmente para os anos finais do ensino fundamental e para o ensino médio. O olhar sobre a escala nos permite ver o que os alunos não estão aprendendo, e até inferir o que anos finais e ensino médio estão agregando para os alunos", acrescentou.

Para Faria, o fato de o Inep não ter divulgado os dados por escola em uma planilha "gerou poucas informações sobre as boas práticas que possuímos no País". Faria afirma que indicadores de contextualização, como o nível socioeconômico dos alunos, fizeram falta na divulgação. "Praticamente não se discutiu como o Ideb é influenciado por muitos fatores, com destaque para o nível socioeconômico dos alunos. Atualmente estão sendo construídos vários indicadores de contextualização no Inep, como um propriamente de nível socioeconômico, um de adequação da formação docente e um de complexidade da gestão."

Ele explica ainda que a falta de um prazo de embargo, para que a imprensa e especialistas pudessem olhar o material e planejar a cobertura, influenciou na qualidade do debate publicado. "A imprensa não recebeu os dados embargados, o que gerou muita correria para os repórteres na hora de escrever as matérias, muitos rankings e pouca qualidade na cobertura". Paula também afirma que a divulgação parcial e sem embargo prejudicou a cobertura. "É importante esses dados virem nesse momento porque todos os veículos estão olhando, é a chance de ter a Educação na posição central dos meios de educação."

O Inep foi procurado, mas ainda não se manifestou sobre as questões apontadas pelos especialistas. No dia em que o Ideb foi divulgado, o órgão afirmou que publicará “em breve”, sem data definida, os  dados socioeconômicos.