quarta-feira, outubro 08, 2014

A falência das pesquisas

Carlos Chagas
Tribuna da Internet


Por incompetência ou má fé, os institutos de pesquisa deveriam ser banidos ou punidos, mas perderam toda sua credibilidade, apesar de haverem, na última semana e ontem, tentado ajeitar seus números fajutos anteriores. Admitir que tenham vendido seus números, seria a conclusão lógica, ainda que por falta de provas fique difícil a afirmação. A desmoralização, porém, é óbvia.

Tome-se, para começar, o Rio Grande do Sul. Passaram meses dando Ana Amélia como futura governadora. Pois o governador Tarso Genro chegou em segundo lugar e Ivo Sartori em segundo. O eleitorado gaúcho seria tão volúvel assim, a ponto de mudar de opinião em poucos dias? Em Pernambuco, passaram a apregoar a vitória de Armando Monteiro durante montes de boletins, mas será que Paulo Câmara já não era uma opção da maioria do eleitorado? Na Bahia, Paulo Souto parecia imbatível, quebrou a cara, os institutos sequer situavam Rui Costa.   No Rio, Garotinho ocupou a pole-position fictícia sem que os encarregados da aferição popular ligassem para Luís Fernando Pezão. No final, deu no que deu.

Multipliquem-se os erros por outros estados, ainda que o artifício da “boca de urna” tenha servido para disfarçar malfeitos e até faturamentos. Nem se fala das eleições para senador, apesar da farsa do que se ouviu esta semana, de “com a margem de erro” tudo pode acontecer. Até diferenças de 3 ou 4 % de duvidas, “para cima ou para baixo”, com o ridículo de acrescentarem ser o “nível de confiança de 95%”…

Existem países, como a França, onde as pesquisas são proibidas, mas proibidos, mesmo, deveriam ser os elogios dos meios de comunicação aos erros dos institutos, mesmo diante de falhas tão gritantes. É a evidência de um execrável conluio. No fundo, tudo se resume a um embuste.

Vem aí o segundo turno. A lambança deverá repetir-se, num escândalo tão grande quanto o do mensalão ou o da Petrobrás. Dinheiro voltará a correr entre institutos e candidatos, felizmente superados pelo eleitorado, responsável pela única pesquisa confiável, a própria eleição. Mesmo assim, as próximas eleições vem aí, daqui a dois anos, e as quadrilhas já estão preparadas para novas investidas.

ESCORREGÃO
Papelão, mesmo fez a Justiça Eleitoral, ao implantar a votação biométrica numa   série de estados. Em boa parte deles, não funcionaram as maquininhas de recolher as impressões digitais dos eleitores. O cidadão mostrava seus polegares e indicadores e nada se confirmava, obrigando o indigitado a repetir diversas vezes a tentativa de ser identificado. Será que a população perdeu a pele de seus dedos? O resultado foram longas filas, como em Brasília, pois as juntas apuradoras insistiam, até levando cremes para estimular, nos eleitores, aquilo que tecnologia não conseguia completar.

REPETIÇÃO
O pior de tudo é que, em termos nacionais, será preciso repetir tudo de novo, dia 26. Dilma chegou em primeiro lugar mas não deu para reeleger-se. A baixaria volta com redobrada intensidade, nas campanhas que recomeçam hoje. Mais ataques contra nossa paciência duas vezes por dia, no rádio e na televisão. Democracia é assim mesmo, melhor que seja assim…