quarta-feira, outubro 08, 2014

Com Armínio Fraga, Aécio ressurge em bom sinal para mercado

Exame.com
Julia Leite e Ney Hayashi, Bloomberg

Resultado do tucano nas eleições foi uma surpresa que está impulsionando os mercados após queda devido à expectativa de reeleição de Dilma

Valter Campanato/Agência Brasil 
Aécio Neves: com 34% dos votos, candidato tucano
 disputa o 2º turno da eleição contra a presidente Dilma

Nova York/São Paulo - Aécio Neves, o candidato presidencial brasileiro preferido por muitos investidores, foi um homem esquecido na campanha eleitoral dos últimos 30 dias.

O quão esquecido? Quando seu conselheiro econômico, Armínio Fraga, o ex-banqueiro central que ajudou a salvar o Brasil do calote em 1999, realizou uma coletiva de imprensa em Manhattan, no dia 4 de setembro, para promover as políticas do candidato à comunidade internacional, apenas três repórteres apareceram.

Por isso, quando ontem Aécio ficou em segundo lugar na eleição, forçando um segundo turno com a Presidente Dilma Rousseff, que busca um segundo mandato, o resultado foi uma surpresa que está impulsionando os mercados financeiros após uma queda nas últimas semanas devido à expectativa de reeleição de Dilma.

O UBS AG e a Allianz Global Investors preveem que as ações e a moeda registrarão ganhos de curto prazo devido à passagem de Aécio para o segundo turno.

Dilma recebeu 42 por cento dos votos ontem, seguida de Aécio com 34 por cento, e Marina Silva com 21 por cento, disse o Tribunal Superior Eleitoral, conforme o resultado registrado com 97 por cento dos votos contados.

O Ibovespa havia caído 12 por cento desde 2 de setembro, em um momento em que as pesquisas eleitorais mostravam um apoio maior a Dilma, que gerenciou o crescimento econômico mais lento de qualquer presidente em duas décadas.

O indicador pode subir quase 20 por cento em relação ao fechamento da semana passada, para 65.000 pontos, se Aécio vencer no segundo turno no dia 26 de outubro, segundo Geoffrey Dennis, diretor de estratégia de mercados emergentes do UBS.

Formado em Princeton
“O resultado ter sido tão próximo é uma surpresa”, disse Dennis, que cobre ações brasileiras desde o início dos anos 1990, em entrevista por telefone de Boston. Ele tem um rating de underweight para o país.

“Os investidores que buscam mudanças macro no Brasil sempre preferiram ver Aécio como próximo presidente”.

Aécio disse que nomeará Fraga como ministro da Fazenda caso se torne presidente. O economista formado pela Universidade de Princeton é um nome de peso na economia brasileira nas últimas duas décadas.

Ele foi presidente do Conselho de Administração da Bovespa, criou um fundo hedge que foi adquirido pelo JPMorgan Chase Co. e gerenciou fundos para o financista bilionário George Soros. Contudo, foi sua época no Banco Central que lhe rendeu maior notoriedade.

Chegando no início de 1999, na esteira de uma desvalorização cambial, Fraga aumentou as taxas de juros para 45 por cento em seu primeiro dia no cargo, para estancar as saídas de capital e recuperar a confiança dos investidores.

O real se recuperou imediatamente, diminuindo a crise financeira e permitindo que ele reduzisse as taxas para 19 por cento no fim daquele ano.

Arminio Fraga, ex-presidente do BC: economista pode se tornar
 ministro da Fazenda com Aécio na Presidência


Volatilidade do mercado
Ainda que as oscilações bruscas de preço devam continuar até que se conheça o resultado final da eleição, os ativos brasileiros deverão se valorizar após os resultados de ontem, pois alguns investidores esperavam que Dilma conseguisse uma vitória no primeiro turno, disse Kunal Ghosh, gerente de recursos da Allianz Global Investors em Cingapura, que tem US$ 511 bilhões em ativos sob gestão.

“O mercado vai gostar do fato de ele estar indo para o segundo turno e de que haja uma chance”, disse Ghosh, por telefone. “O mercado estará extremamente volátil”.

O Ibovespa cairia até 12 por cento em relação ao fechamento de 3 de outubro, para 48.000 pontos, se Dilma se reelegesse, segundo Dennis, do UBS. O índice subiu 1,9 por cento, para 54.539,55, no dia 3 de outubro.

O índice acionário do Brasil recuou 21 por cento no primeiro mandato de Dilma, contra uma queda de 13 por cento do MSCI Emerging Markets Index. A Petrobras e o Banco do Brasil SA, ambos estatais, tiveram um declínio de mais de 17 por cento no período.

“Uma derrota de Dilma seria muito positiva sob uma perspectiva acionária”, disse Wasif Latif, que ajuda a gerenciar US$ 28 bilhões em fundos mútuos como chefe de multiativos globais da USAA Investments, em entrevista, em Nova York, antes do resultado do primeiro turno. “A oposição provavelmente seria mais amigável ao mercado e aos negócios”.