Adelson Elias Vasconcellos
De alguma forma a ser ainda estudada, a legislação eleitoral no que toca aos debates na tevê, pode e deve ser aprimorada. O debate na Rede Globo na noite de quinta feira, assim como já acontecera nas demais redes de televisão, mostrou que, do modo como a lei permite, estes debates são vazios, não permitem a saudável troca de ideias e não acrescenta absoluta para informar e esclarecer aos telespectadores quem é quem, dado o seu injustificável engessamento.
Da forma como está, é claro que candidatos governistas tendem a levar vantagem em razão do latifúndio que podem gozar no horário eleitoral, em detrimento dos demais, que mal podem falar sobre um tema.
Dada a importância de se escolher um presidente da república, não se pode pretender impor as mesmas regras admitidas para candidatos a vereador, prefeito, deputados e senadores. Isto é insensato e não contribui em nada para tornar o eleitor mais bem informado e consciente de suas escolhas.
Menos mal que, para os cargos executivos, há a possibilidade de um segundo turno quando então os tempos de exposição são igualados. Fica bem mais justo.
Retomando o debate da Rede Globo, é de lamentar que a senhora Dilma Rousseff queira apresentar-se como a legítima defensora dos trabalhadores e dos pobres. Entre o discurso e as ações de seu governo existe um Oceano Atlântico separando e distanciando uma coisa da outra.
Por exemplo, o crescimento real do salário mínimo. A média anual neste quesito da senhora Dilma é muitíssimo inferior a de Lula e de Fernando Henrique. Já apresentamos os números aqui no blog. Enquanto no governo FHC o aumento real, descontada a inflação foi de 4,7%, média anual, no governo da senhora pomposa Dilma Rousseff foi de ridículos 2,5%, na média anual. Estes dados foram apresentados em reportagem da Folha de São Paulo que o leitor pode acessar a íntegra aqui.
Mais: várias vezes demonstramos que o PT, ao se apresentar como partido dos trabalhadores, não tem cumprido seu desiderato. Nos últimos 20 anos, foi o partido que, no poder, mais confiscou salários, principalmente os mais baixos. Em 2003, ao assumir, Lula encontrou uma faixa isenção do imposto na fonte que ia até 5 salários mínimos. Tanto ele quanto Dilma Rousseff, ano após, foram reduzindo esta faixa de isenção para os atuais 2,48 salários mínimos.
É fácil encher a boca com discursos pomposos e coloridos em favor dos pobres. O difícil para o PT, no entanto, tem sido praticar o que promete. Por exemplo: quem mais precisa da saúde pública no Brasil, os pobres e miseráveis, ou a classe média e os mais ricos? A classe média a que refiro não é aquela mistificação inventada por Marcelo Nery graças ao que ganhou um ministério para chamar de seu. Classe média não pode ter rendimento mensal inferior a cinco salários mínimos, indo a um máximo de 10 ou 15, conforme tradicionalmente foi respeitado pelo IBGE.
Esta classe média e os mais ricos se valem de planos de saúde privada e não precisam resvalar na indignidade de um hospital público. Porém, os mais pobres que não ganham o suficiente para custear um plano particular, além de ficarem atirados em macas molambentas nos corredores dos hospitais públicos, pedem pelo amor de Deus para conseguirem atendimento. Na imensa maioria dos casos, a marcação de simples exames laboratoriais demanda em média 6 meses ou mais. Muitos hospitais da rede pública sequer tem o básico para um atendimento emergencial. Diante deste quadro de horror, facilmente constatado por qualquer um, prova-se o autoproclamado interesse e defesa dos mais pobres? Lógico que não!!!
E o que se dizer da educação pública! É justamente aí que um governo demonstra o real interesse público em defesa dos menos favorecidos. Com uma educação de qualidade, o mais miserável dos mortais pode arranjar bons empregos, pode formar-se em uma carreira ou de nível superior, ou técnica, superando assim sua condição de pobreza. E em que grau se situa nossa qualidade de ensino quando cotejado com países emergentes? Pois é, ficamos na rabeira do ranking. Quem perde com a má qualidade, portanto, são os mais pobres. E aqui é que, precisamente, se acentua a desigualdade e exclusão. O governo petista Dilma adora balbuciar as 8 milhões de vagas no ensino técnico, tal qual o ex-presidente em exercício Lula adorava vangloriar-se das faculdades que criou. Ok, mesmo que tivessem criados milhões de novas escolas, é de se perguntar: com que qualidade escolar estes jovens ingressarão e terão proveito seja no ensino técnico ou superior, diante da fragilidade do ensino público básico? A formação escolar de qualquer indivíduo é ascendente, uma construção em que se coloca um tijolo sobre outro até a conclusão final da obra. Priorizando as etapas finais na formação escolar dos jovens, equivale dizer que Lula e Dilma começaram esta construção pelo telhado...
Fala-se muito que o sistema de segurança no país é ruim – o que é um fato – e que o aparato de segurança não respeita os direitos humanos, infração esta que atinge e aflige os mais pobres. Ok, o país tem cerca de 500 mil presidiários, a maioria composta por jovens, negros e pobres. Ora, se a preocupação central do governo petista fosse a defesa dos mais pobres, por conta do que o sistema carcerário brasileiro é medieval após 12 anos no poder? Por que até o investimento nesta área continua abaixo da crítica e das necessidades?
Vimos aqui, em outro texto, que o governo atualmente gasta mais de 50% do orçamento da União apenas para pagar os juros da dívida pública. Para arrecadação anual prevista em torno de R$ 1,45 trilhão, vejam lá, sobra menos da metade deste total para o custeio da máquina pública, hoje girando em torno de R$ 200 bilhões, além dos pagamentos dos benefícios da previdência social, gastos correntes, saúde, educação, saúde, segurança, saneamento e investimentos em infraestrutura. Como se vê o cobertor é curto, não se pode fazer milagres. E na base deste descompasso está o excesso de gastos - acima das receitas - alimentando elevação do endividamento, que vai exigir mais dinheiro para pagamento de juros, reduzindo assim os investimentos em áreas essenciais.
Como se poderia expandir o tamanho deste cobertor para que se pudesse cobrir o corpo inteiro de necessidades? Simples, com crescimento econômico, o que faria com que a receita da União também aumentasse. E o que temos no governo Dilma? A terceira pior média da história perdendo apenas para Marechal Floriano Peixoto e Fernando Collor. Assim, não se pode sonhar com voos mais altos no investimento público e melhoria dos serviços, tampouco aumentar a renda per capita da população. Quem sofre com o baixo crescimento? Justamente aqueles de renda mais baixa, que ainda precisam padecer com aposentadorias humilhantes e salários confiscados na fonte.
A senhora Rousseff adora tripudiar o governo Fernando Henrique publicamente, mas sabe que, não fosse a estabilização econômica lá conquistada, sequer existiria bolsa família, minha casa minha vida, e outras “conquistas” com que se vangloria.
Um governante é devotado em beneficiar os mais pobres, de fato, na medida em que, com rigidez de gastos e controle fiscal permanente, faz sobrar mais para investir na qualificação dos serviços básicos que lhe compete, não pratica confisco sobre os salários mais baixos, investe em infraestrutura para que se possa expandir o parque industrial do país através do qual se aumenta emprego e renda.
O governo Dilma está muito longe desta conquista. Se ela tem consciência desta realidade ou não, impossível saber. Mas quando precisa dobrar em quatro anos a verba torrada em publicidade oficial, fica claro que precisa vender um paraíso artificial para se manter no poder. Governo bom é o que povo sente no seu dia a dia, vendo melhorar sua qualidade de vida.
Quanto à corrupção, a senhora Dilma teve a cara de pau de dizer que o seu governo mandou investigar, mandou prender , fez e aconteceu. Ok, os mais velhos irão lembrar da chegada em Palmas, capital do Tocantins do então senador Jader Barbalho algemado em razão dos desvios de dinheiro da antiga SUDAM. E olhe que era um aliado do governo. Como também é difícil esquecer o quanto o partido da presidente se empenhou para não ver condenados e presos a alta cúpula do partido no esquema do Mensalão. Escândalo que até hoje nem Lula admite ter existido, considerando que aquele foi um julgamento político.
E o que se dizer da Rosemary Noronha? Os aloprados de 2006? E os esquema agora da Petrobrás, quando a base política da senhora Rousseff no Congresso fez o quanto pode para impedir a instalação de CPI e, não conseguindo, até hoje bloqueia qualquer tentativa da oposição investigar os tais “mal feitos”!
A Polícia Federal, por ser instituição do Estado brasileiro, não precisa beijar as mãos nem pedir licença para a Dona Dilma para cumprir sua missão. Foi o que aconteceu com o esquema Lava-Jato que abriu as portas para se investigar a montanha de roubos ocorridos na Petrobrás. Aliás, sequer a presidente tinha conhecimento da investigação, uma vez que ela ocorria em segredo de justiça. Sabe-se hoje, que, mesmo após a demissão de Paulo Roberto Costa, o esquema de corrupção correu solto até novembro de 2013, quando a estatal já era regida por Graça Foster.
Dilma pode enganar aqueles que pouca ou nenhuma informação tem sobre o que se passa no Brasil. Pode enganar os analfabetos esquecidos nos grotões do Norte e Nordeste, alguns sequer televisão possuem, quanto mais acesso à internet, jornais e revistas semanais de informação. Mas ela não consegue enganar os mais bem formados e informados. Claro que nesta categoria existem muitos pseudo intelectuais, sindicalistas com espírito pelego, os esquerdistas do pensamento pré-histórico. Os demais, e são maioria dos bem formados e informados, tem consciência plena de que a campanha de Dilma Rousseff é revestida de mentiras, enganos e torpeza. Quando se refere ao governo Fernando Henrique a senhora Rousseff comete a vigarice extrema de julgá-lo pelo país que ele entregou, quando deveria olhar para o Brasil que ele encontrou. O país não faliu três vezes naquele período. O Brasil já estava falido desde antes, quando sequer tinha crédito para comprar um parafuso. Nossa inflação era contado em três ou quatro dígitos, e não em um. Se desemprego era alto, era em razão da inflação galopante e falta de investimento tanto público quanto privado. Aplicava-se mais na especulação financeira do que na produção. Foi justamente com o Plano Real que esta farra e outras mais acabaram. Se o Brasil pode gerar milhões de empregos se deve à estabilidade conquistada no período FHC, e não pela falta de políticas.
Fala das privatizações como se ali algum crime tivesse sido cometido. Se crime houvesse, por que o PT, quando assumiu em 2003, não puniu os culpados, ou reverteu o processo, reestatizando tudo? Desemprego, dona Dilma? Por que não conta prá nós quais as razões do atual desemprego na indústria, ou por que Petrobrás, Eletrobrás e Infraero precisaram criar planos de demissão voluntária, totalizando 12.400 demitidos? Ou, o que se dizer dos milhares de empregos fechados no setor sucroalcooleiro, fruto de sua política de represamento dos preços dos combustíveis?
Por tudo quanto acima relatamos é que os debates em campanha presidencial precisam ter revistas suas regras, permitindo espaço e tempo adequados à verdadeira discussão de ideias e propostas, e não um desfiar de mentiras e histórias mal contadas e distorcidas. Como ainda, é preciso por um freio no uso despudorado da máquina do Estado em favor de um partido ou um candidato ou candidata.
A investigação da Petrobrás e o mar de lama em que a estatal mergulhou ainda tem muita coisa para trazer à tona. Quem foram os agentes que montaram os esquemas fraudulentos, quem foram os corruptores, e os beneficiários que se locupletaram com o dinheiro alheio.
Como se vê, um debate verdadeiro menos engessado poderia trazer à tona todas estas questões vistas aqui e outras mais. Mas quem disse que os petistas tem algum interesse em mexer nas regras que o favorecesse em seu projeto de poder?
Para encerrar: bem que algum candidato poderia ter indagado à senhora Dilma por que o Brasil, com tantos recursos, que até financiou (a fundo perdido) um porto para o governo ditatorial de Cuba e que será administrado pela Rússia, não pelo Brasil, e até perdoou dívidas bilionárias de países africanos governados por ditadores, concedeu tão pouco para a erradicação do ebola, na África, enquanto outros, com menos, colaboraram com mais? Seria alguma forma de preconceito? Sim, porque a totalidade das vítimas até agora atingidas são pobres e negros. Isto não vai contra tudo o que o governo petista propala ser defensor? Taí uma resposta que seria interessante de se ouvir da presidente-candidata, não é mesmo?
Mentira em vídeo:
Num destes vídeos de campanha da senhora Dilma, produzidos por Goebels do PT, em que tentando tapar o sol com a peneira sobre o aumento indiscriminado da corrupção no período petista de governo, resolveu contar dentre tantas inverdades, a seguinte lorota. A de que Fernando Henrique teria acabado com a Comissão Geral de Investigação. Só que, de forma vigarista e inescrupulosa, “alguém” esqueceu de dizer que a tal Comissão Geral de Investigação fora substituída por outro órgão, mas com estrutura adequada para investigar a corrupção federal. Recebeu o nome de Corregedoria Geral da União que, no mesmo vídeo, Dilma elogia de tal forma dando a entender que foi o PT quem criou o órgão. A criação da CGU, só para registro, data de 2001. Dilma não precisa mentir tanto, tampouco roubar feitos de outros governos não petistas, ou até aqueles pertencentes ao Congresso, como a Lei da Ficha Limpa que, aliás, foi um projeto de INICIATIVA POPULAR. É feio para um candidato comum mentir tão descaradamente, quanto mais se este candidato também é presidente do país. Que feio! Que mau exemplo, hein senhora Dilma Rousseff!!!
Governo estuda como ‘aparelhar’ o Itamaraty
Em nota do Diário do Poder, o governo petista parece pretender dar um passo na desmontagem da estrutura do Estado, fragilizando ainda mais as instituições, com intuito de se perpetuar no poder, além, é claro, de se aproximar mais um pouco do bolivarianismo vagabundo. O alvo pretendido da vez é o Itamaraty, e nada estranha que a medida pretendida seja de iniciativa da Casa Civil cujo ministro chefe é o petista Aloysio Mercadante. Em matéria de estupidez parece que Mercadante quer se superar. Abaixo, a nota do Diário do Poder relatando a estupidez em curso.
“ Medida cogitada na Casa Civil da Presidência causa grande comoção entre diplomatas: autoriza a nomeação de pessoas de fora da carreira, sem qualificação, para cargos em comissão do Ministério das Relações Exteriores. Argentina e Venezuela fizeram isso, e hoje esses países não têm mais serviço exterior levado a sério mundo afora. O Itamaraty é um dos raros órgãos ainda não inteiramente aparelhados pelo PT. “
Para conhecer o mau caráter de Lula
Lula nunca foi democrata. Ele não respeita a lei nem as instituições, tampouco as liberdades constitucionais, como ainda é capaz de pisar sobre o estado de direito democrático. Sugerimos que o leitor conheça um pouco sobre o mau caráter do ex-presidente não deixando de ler o excelente texto “Sair do pântano”, de Miguel Reale Júnior para o jornal O Estado de São Paulo, transcrito nesta edição.
