Adelson Elias Vasconcellos
Você que acompanhou debates, leu e ouviu os presidenciáveis exporem ideias, criticas, acusações e outras pantomimas, alguma vez lembra de ter ouvido da senhora Rousseff, que afinal de contas, mesmo sendo candidata em tempo integral, ainda é a presidente do país, alguma proposta ou media para tirar o país do atoleiro da inflação alta, juros altos, baixo investimento, baixo crescimento e contas públicas debilitadas?
Pois é, sequer ela reconhece o diagnóstico, quanto mais receitou algum remédio. Já falamos inúmeras vezes do perigo que é darmos um cheque em branco para Dilma, sem propostas e em consequência sem compromissos com coisa alguma, dar prosseguimento a esta política econômica retrógrada. Como também já se disse aqui várias vezes o quanto o governo da senhora Rousseff, em ideias e programas, se assemelhava ao governo Ernesto Geisel, dos tempos da ditadura, respeitados os contextos históricos.
Há uma reportagem na Exame.com que, quase em ritmo de incentivo, anuncia que num provável segundo mandato Dilma mudaria seu estilo de ser. Não sei de onde o jornalista tirou tal conclusão, mas não foi fruto do bom senso. Vejamos. Ninguém muda por decreto, certo? Ora, Dilma cumprindo um segundo mandato sabe que depois dele é aposentadoria na certa, já que vida política nunca teve, ao contrário de Lula, Sarney e Collor.
Claro que seu governo se devotaria a incensar Lula da Silva, tentando abrir caminho para sua volta ao poder. E o país? Bem, se o eleitorado em sua maioria reconduziu Dilma para mais quatro anos, e sendo aqui seu ponto de chegada na vida pública, a troco do que Dilma iria mudar seu estilo?
Quem a conhece sabe que sua intempestividade, seus desequilíbrios emocionais, seu comportamento grosseiro e agressivo sempre fizeram parte de sua personalidade. Já com mais de 60 anos, quem de sã consciência acredita que Dilma vá mudar radicalmente sua conduta?
Sendo assim, a não ser em medidas pontuais e de curto alcance, não se pode esperar grandes reformas, nem mudanças radicais na atual política econômica. E ela sequer sente necessidade disto.
Ora, sabemos que muito do sucesso econômico do governo Lula se deve a dois fatores: o primeiro, o compromisso assumido ainda em 2002, de que não quebraria contratos e nem alteraria os fundamentos macroeconômicos que garantiram o alcance da estabilidade econômica. E o segundo fator foi a grande expansão da economia mundial, com elevação dos preços internacionais das commodities e seu maior consumo, principalmente, por parte dos países emergentes, notoriamente China e Índia.
Tais condições não estarão presentes em 2015. O modelo de incentivo ao consumo das famílias se esgotou já a partir da renda relativamente baixa destas mesmas famílias. Somente com uma política industrial racional ancorada numa política coerente de atração de investimentos privados para a infraestrutura, terá o condão de devolver crescimento ao país. Mas há ainda a questão dos gastos públicos que, em governos populistas, tendem a ser mais altos do que as receitas. Como equilibrar esta balança? Dilma não sabe nem quer saber. Se necessário, dá-se um jeito de elevar a carga tributária, e vida que segue. Claro que aumentar impostos num país com uma carga já elevada, é um tema delicadíssimo. Assim, a outra porta de saída (ou de entrada), seria aumentar o endividamento do país, já por si alto, mas dentro de certo controle.
Seja como for, para o lado que se queira olhar, colocar o bonde nos trilhos do crescimento vai exigir, goste-se ou não , de um ajuste fiscal, e isto significa reduzir parte das gordura do Estado e cortar despesas inúteis (e que são muitas).
E, no contexto atual, ajuste fiscal e corte de despesas tem uma consequência danosa: conviver com certa recessão por alguns meses. Isto é inadiável, é o preço a pagar pela imprevidência e incompetência do atual governo.
Se o desejo do próximo governante, seja ele quem for, é reencontrar os caminhos do crescimento sustentável, independente do efeito colateral, a vacina é obrigatória e inadiável.
Assim, o que Dilma oferece em sua campanha em favor da retomada do crescimento? Até agora, nada. Nem uma palavra, nem uma proposta. Silêncio total e absoluto. E isto representa dizer que, se o eleitorado a escolher para os próximos quatro anos, Dilma não se sentirá obrigada a nada, já que não apresentou plano de governo algum. Assim, estarão entregando a ela um cheque em branco podendo a dita cuja fazer dele o que bem entender.
E isto é preocupante. É uma aposta de altíssimo risco, quanto mais sabendo que ela governará sem credibilidade e sob suspeita geral de ter prevaricado, isto no mínimo, no caso do escândalo da Petrobrás. Sentará na cadeira presidencial com uma espada espetada em direção à sua cabeça. Pergunta-se: que apoio ela espera receber de um Congresso, com viés bastante conservador, e que também terá entre seus membros, uma quantidade enorme de parlamentares respondendo a processos variados?
Neste ponto, fica a questão: qual seria a melhor opção para o país? Se a gente colocar de lado o espírito de fla-flu, as questões ideológicas, ou até mesmo as inclinações partidárias, não resta dúvida que o candidato do PSDB representa, ao menos, a mudança que tanto se reclama, além do fato de que alimentará todo um espírito de esperança capaz de tirar o Brasil do atual marasmo. E com a bonificação de que poderá governar sem a ameaça de uma crise política e até institucional. Não há dúvida de que a recuperação dos bons predicados de uma economia austera, mas devotada ao investimento, nos fará muito bem. Com Dilma será mais do mesmo, além dos problemas políticos-institucionais.
Saberá o eleitor brasileiro discernir a diferença entre um e outro? Eis aí a grande questão. O terrorismo promovido por Dilma e sua campanha praticamente dividiu o país ao meio, criando uma falsa disputa entre “nós” e “eles”, entre ricos e pobres, entre norte-nordeste contra sul-sudeste, entre pretos e brancos, entre índios e produtores rurais. Em tais condições a paixão sempre acaba embotando o pensamento, e a disseminação do ódio acaba sempre criando um clima de beligerância entre os lados. Não precisava ser assim, a campanha tinha muito para discutir sobre o país, projetando propostas e discutindo programas. Porém, dada a mediocridade do governo atual, a opção foi fazer muito barulho e espalhar o terror na falta do que dizer e apresentar, na tentativa de calar a crítica. No domingo saberemos se a tática deu certo ou não.
E a pergunta no título, vai permanecer sem resposta. Nem no debate da Rede Globo, Dilma Roussefff se dignou em, primeiro, reconhecer que a economia brasileira vai mal e, em segundo, não nos brindou com nenhuma proposta.
