domingo, janeiro 14, 2007

A briga por salário e poder

Sérgio Pardellas, Jornal do Brasil
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Estratégias - Diversidade de interesses e objetivos caracteriza cada um dos três grupos que se formaram para disputar a presidência da Câmara

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Brasília. Por trás das candidaturas à presidência da Câmara há uma diversidade de interesses que vão muito além da postulação ao cargo, segundo na linha de substituição do presidente da República. Dentro de cada grupo, as intenções e objetivos nem sempre são convergentes. Em comum, entre os aliados de Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e da chamada Terceira Via, existe apenas a lógica política de acumular poder.
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Os petistas, partidários de Chinaglia, miram no atual governo e na sucessão presidencial de 2010. Acreditam que o partido, chegando à Presidência da Câmara, aumenta seu cacife no governo de coalizão e concentra forças para barganhar o apoio de Lula a um candidato petista em 2010.
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Mas não é só a próxima eleição presidencial que move a candidatura de Chinaglia.
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- A nossa candidatura defende os interesses do PT, mas estamos ampliando o leque de apoios e a idéia é incorporar outras demandas - diz o deputado Odair Cunha (PT-MG), um dos coordenadores da candidatura.
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Entre os entusiastas do petista encontram-se integrantes do PMDB que ambicionam cargos estratégicos na Esplanada dos Ministérios. Em troca, esperam ser contemplados na reforma ministerial. É o caso do deputado Waldemir Moka (PMDB-MS), expoente da bancada ruralista. Antigo opositor ao PT, Moka converteu-se ao petismo depois da promessa de que seria agraciado com o Ministério da Agricultura.
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Há também, entre os apoiadores de Chinaglia, os que reúnem interesses mais modestos e bem particulares. Não querem saber de 2010, nem de cargos na Esplanada. Como recompensa ao voto, negociam a liberação de dinheiro previsto em emendas que apresentaram ao Orçamento. Outros, como o deputado Jovair Arantes (PTB-GO), do baixo clero, apostam nas promessas de Chinaglia como o alto reajuste no salário dos parlamentares.
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- Vou conduzir com tranquilidade esse processo de equiparação do salários dos deputados com os dos ministros do Supremo - prometeu Chinaglia em reunião, segunda-feira, na casa de Jovair, com os deputados Henrique Fontana (PT-RS), Mário Negromonte (PP-BA) e Luciano Castro (PL-RR).
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Aldo encarna, na visão dos governistas favoráveis à reeleição, a tranquilidade de que o presidente Lula precisa para governar nos próximos quatro anos com a aprovação de projetos de interesse do governo, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), ainda em gestação. Para os aliados ao Planalto, Aldo, com seu estilo conciliador, evitará os sobressaltos que o governo tanto teme na área política.
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- A candidatura do Aldo é a única que garante a unidade e a tranquilidade que a Casa precisa para aprovar matérias necessárias ao país - aposta o vice-líder do governo, deputado Beto Albuquerque (PSB-RS).
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O otimismo emana da capacidade de Aldo de agregar a oposição. Mas a escolha dos oposicionistas é pragmática. Deputados do PSDB e do PFL preferem a reeleição de Aldo ao aumento de poder do PT. Acreditam que Aldo lhes garantirá cargos em Comissões e na Mesa Diretora na Casa.
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O mesmo vale para os integrantes do baixo clero, liderados pelo deputado Ciro Nogueira (PP-PI). Ao contrário de Jovair Arantes, aliado de Chinaglia, o grupo aposta na habilidade de Aldo para garantir espaço e, sobretudo, para articular um acordo na Câmara em favor do aumento salarial dos parlamentares.