José Paulo Kupfer, NoMínimo
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As reservas em divisas fecharam 2006 acima de US$ 85 bilhões. É um volume recorde, que supera o pico anterior, de 1998, em alentados 40%. Mas esse está longe de ser o fim da história. Nas projeções do mercado financeiro, as reservas cambiais podem passar de US$ 110 bilhões, em 2007, e bater em US$ 135 bilhões, no ano seguinte.
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Diferentemente do que pode parecer, acumular indefinidamente reservas em moeda forte nem sempre é prova de que a economia está nadando de braçada. E há casos em que essa política do Tio Patinhas pode ser um mau negócio para o país. Tudo depende das razões pelas quais as reservas estão sendo empilhadas e do custo de mantê-las acima de um dado patamar.
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Na teoria, em regimes de câmbio flutuante, não seria necessário acumular reservas. Conforme o nível das taxas de juros, o câmbio convergiria, naturalmente, para uma cotação capaz de manter o equilíbrio das contas externas. Mas é claro que em economias emergentes, em que, entre outras fragilidades e características, a moeda local não é conversível, esta é apenas uma possibilidade de livro-texto.
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Não é o caso, diga-se logo, de comparar, por exemplo, com a situação da China, que acumula mais de US$ 1 trilhão em reservas. Acontece que o regime cambial chinês é de câmbio fixo, como o praticado no Brasil até janeiro de 1999, quando, diante do estouro do dólar o governo foi obrigado a deixar o câmbio flutuar. Em meio a crises externas recorrentes desde 1995 – México, Ásia e Rússia – o governo brasileiro jogou os juros nas nuvens, acumulou US$ 60 bilhões em reservas e defendeu como pôde sua taxa de câmbio valorizada. Com a eclosão da crise russa, a partir de agosto de 1998, o País queimou, literalmente, US$ 40 bilhões em seis meses, jogando a toalha nos primeiros dias do ano seguinte.
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A história hoje é bem diferente, até porque a dívida externa brasileira está reduzida à sua expressão mais simples. Entre compromissos públicos e privados, o Brasil deve menos de US$ 200 bilhões no exterior. A previsão para o serviço da dívida em 2007 nem chega a US$ 25 bilhões e a rolagem de juros e principal anda na casa dos US$ 50 bilhões.
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Por que, então acumular US$ 100 bilhões em reservas, montante equivalente à quase totalidade das importações de um ano e quase o dobro da dívida externa vincenda em 12 meses? Diante da distância entre o volume de divisas acumulado e o montante dos compromissos (comerciais ou financeiros) em moeda forte, a única resposta que faz sentido é aquela que explica a acumulação de reservas em razão de uma estratégia de estabilização cambial, como forma de defender as exportações das oscilações dos preços internacionais.
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O outro lado da moeda é o custo fiscal da operação. Ele é dado, para simplificar, pela diferença entre as taxas de juros domésticas e as internacionais. Considerando as taxas vigentes no Brasil e no mercado externo, manter o atual nível de reservas custa aos cofres públicos, no momento, algo como US$ 5 bilhões. Não é nada, não é nada, lá se vai 0,5% do PIB na brincadeira.
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Para resumir a ópera, se o objetivo for mesmo estabilizar a cotação cambial, já que estamos num regime de câmbio flutuante, sairia melhor e mais barato simplesmente derrubar a taxa de juros a um nível que neutralizasse a preferência pela arbitragem de taxas.
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As reservas em divisas fecharam 2006 acima de US$ 85 bilhões. É um volume recorde, que supera o pico anterior, de 1998, em alentados 40%. Mas esse está longe de ser o fim da história. Nas projeções do mercado financeiro, as reservas cambiais podem passar de US$ 110 bilhões, em 2007, e bater em US$ 135 bilhões, no ano seguinte.
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Diferentemente do que pode parecer, acumular indefinidamente reservas em moeda forte nem sempre é prova de que a economia está nadando de braçada. E há casos em que essa política do Tio Patinhas pode ser um mau negócio para o país. Tudo depende das razões pelas quais as reservas estão sendo empilhadas e do custo de mantê-las acima de um dado patamar.
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Na teoria, em regimes de câmbio flutuante, não seria necessário acumular reservas. Conforme o nível das taxas de juros, o câmbio convergiria, naturalmente, para uma cotação capaz de manter o equilíbrio das contas externas. Mas é claro que em economias emergentes, em que, entre outras fragilidades e características, a moeda local não é conversível, esta é apenas uma possibilidade de livro-texto.
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Não é o caso, diga-se logo, de comparar, por exemplo, com a situação da China, que acumula mais de US$ 1 trilhão em reservas. Acontece que o regime cambial chinês é de câmbio fixo, como o praticado no Brasil até janeiro de 1999, quando, diante do estouro do dólar o governo foi obrigado a deixar o câmbio flutuar. Em meio a crises externas recorrentes desde 1995 – México, Ásia e Rússia – o governo brasileiro jogou os juros nas nuvens, acumulou US$ 60 bilhões em reservas e defendeu como pôde sua taxa de câmbio valorizada. Com a eclosão da crise russa, a partir de agosto de 1998, o País queimou, literalmente, US$ 40 bilhões em seis meses, jogando a toalha nos primeiros dias do ano seguinte.
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A história hoje é bem diferente, até porque a dívida externa brasileira está reduzida à sua expressão mais simples. Entre compromissos públicos e privados, o Brasil deve menos de US$ 200 bilhões no exterior. A previsão para o serviço da dívida em 2007 nem chega a US$ 25 bilhões e a rolagem de juros e principal anda na casa dos US$ 50 bilhões.
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Por que, então acumular US$ 100 bilhões em reservas, montante equivalente à quase totalidade das importações de um ano e quase o dobro da dívida externa vincenda em 12 meses? Diante da distância entre o volume de divisas acumulado e o montante dos compromissos (comerciais ou financeiros) em moeda forte, a única resposta que faz sentido é aquela que explica a acumulação de reservas em razão de uma estratégia de estabilização cambial, como forma de defender as exportações das oscilações dos preços internacionais.
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O outro lado da moeda é o custo fiscal da operação. Ele é dado, para simplificar, pela diferença entre as taxas de juros domésticas e as internacionais. Considerando as taxas vigentes no Brasil e no mercado externo, manter o atual nível de reservas custa aos cofres públicos, no momento, algo como US$ 5 bilhões. Não é nada, não é nada, lá se vai 0,5% do PIB na brincadeira.
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Para resumir a ópera, se o objetivo for mesmo estabilizar a cotação cambial, já que estamos num regime de câmbio flutuante, sairia melhor e mais barato simplesmente derrubar a taxa de juros a um nível que neutralizasse a preferência pela arbitragem de taxas.