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Leitores estão me perguntando, com razão, o que eu acho, então, que o PSDB deveria ter feito, já que a disputa pela presidência da Câmara é uma realidade e que, afinal, os votos do partido são importantes e não podem ser postos numa aventura. É justo. Vamos lá.
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Método Átila, o huno - Pra começo de conversa, evitemos o que costumo chamar “Método Átila (o huno) de análise política”. Em que ele consiste? Primeiro se põe fogo na casa e depois se constata e se pergunta: “Pô, a casa está queimada. Quer que eu faça o quê?” Esta situação, em que o PSDB ficou diante de um fato consumado, foi construída, foi inventada, foi meticulosamente articulada.Quando PSDB e PFL se negaram a pensar num candidato alternativo, quando descartaram, de saída, a terceira via, estavam renunciando ao jogo, estavam optando pela derrota, estavam fazendo uma escolha. E de costas para a opinião pública e, pior, para o seu eleitorado, certamente constituído em maior número, na comparação com o PT, de pessoas das chamadas classes médias urbanas: mais críticas e mais sensíveis à bandalheira política. Eis uma diferença importante entre o PT e o PSDB: aquele privilegia o seu público alvo com prebendas; o PSDB trata o seu aos chutes e lhe cobra, vejam só!, realismo político.
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Depois de consumado – Quem não se desloca para receber a bola, como diria o sábio Luiz Inácio ao pensar os abismos da política, não recebe. Como os oposicionistas ficaram ajeitando a meia enquanto os adversários jogavam, é claro que não se fez uma alternativa. Em vez de tentar chamar a opinião pública para o debate, escolheram os bastidores, aquelas áreas vedadas ao público, onde só circula quem é fidalgo, seja da oposição, seja da situação. Aí se deu o óbvio: ficou se abanando, como moça faceira, à espera de um dote.Ah, o dote do noivo Arlindo é maior, certo? Afinal, ele é o homem “d’O Partido”. Então ficamos assim: os oposicionistas ficaram fazendo a coquetterie, com o dedinho na boca, para ver quem lhe oferecia mais galanterias. Só se adquire o que está no mercado para ser adquirido. Estão tentando transformar num fatalismo da política o que foi diligentemente construído.
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Bem, se a vaca já foi pro brejo, então o negócio é cair no colo do Arlindão? Bem, pelo visto, os tucanos acham que sim. Espero que realmente façam bom proveito desse regaço se a escolha for mesmo essa. Fiquem brincado de “Upa, cavalinho” com o PT para ver aonde é que vão chegar.
Acordo com o PT quatro meses depois do dossiê, com os aloprados todos por aí, dando sopa, sem punição nem investigação digna do nome? Se política for isso, política não é uma coisa boa. A não ser para os políticos.
Acordo com o PT quatro meses depois do dossiê, com os aloprados todos por aí, dando sopa, sem punição nem investigação digna do nome? Se política for isso, política não é uma coisa boa. A não ser para os políticos.