Fábio Grecchi, Tribuna da Imprensa
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Sendo verdadeira a reportagem da edição dominical do "The Independent", aquilo que já se sabia sobre a invasão do Iraque perde o último véu de hipocrisia que a envolvia. Os Estados Unidos jogaram sua máquina de guerra para conquistar seu 51º estado, prenhe em petróleo e gás natural.
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Jamais se acreditou que o governo Bush praticaria uma ação humanitária, livrando um povo de um genocida do qual ninguém sente a menor falta. Tampouco se sustentava a denúncia do desenvolvimento de armas nucleares, derrubada e desmoralizada há tempos. Com a lei prestes a ser imposta - aprovação seria um eufemismo cínico demais - ao Parlamento iraquiano, fecham-se as razões pelas quais os EUA não têm plano de retirada em prazo algum.
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Até ao contrário. Bush pretende enviar mais 20 mil soldados, apesar de todas as advertências de seus generais. O Departamento de Defesa reconhece a impropriedade da invasão, algo que nos tempos de Donald Rumsfeld - ele mesmo um vampiro de espólios de guerra - seria impossível. Os comandantes sabem que o Iraque é um atoleiro, cuja intensidade da violência tende a aumentar enquanto permanecerem por ali.
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Inclusive, segundo a "Jane's on Defense", conceituada revista inglesa que analisa estratégias militares e diplomáticas, não está afastada a hipótese de sunitas e xiitas passarem a se enfrentar com armas anticonvencionais. O risco que havia nos Balcãs volta a assustar: o das bombas sujas. Um artefato nuclear tosco é facílimo de elaborar, pois basta fazer voar pelos ares com explosivos comuns um reservatório de césio encontrado em qualquer aparelho de raios x.
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Mas não é apenas isto. Agentes biológicos desenvolvidos no Irã ou no Paquistão - as antigas repúblicas islâmicas soviéticas também dariam sua cota no esforço de guerra xiita - poderiam ser usados com explosivos como o C5, facilmente encontrados no mercado negro. Trata-se de breve cenário para a catástrofe que os militares norte-americanos prevêem já há algum tempo.
Contra eles, porém, está o Departamento de Estado, no qual Condoleezza Rice pontifica e reforça a falácia da estabilização do Iraque e implantação da democracia representativa. Tão desonesta intelectualmente quanto Bush e como ele egressa da indústria de energia, é a arquiteta da posse de um fabuloso lençol de petróleo. Que dará aos EUA expressivo reforço ao dólar como moeda mundial, bem como influência direta nas decisões da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).
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Um grande negócio ao custo de milhares de vidas. Mas para Bush isso pouco importa, pois sua oportunística conversão religiosa o convenceu do perdão divino.
Sai um
Pode parecer estranho, mas o ex-ministro José Dirceu está propondo que a base se una em torno de um único candidato. Ele gostaria que Aldo Rebelo declinasse em favor de Arlindo Chinaglia, mas como isto é impossível aceita que ocorra o contrário.
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E justifica a proposta afirmando que o movimento da candidatura independente foi a maneira que a oposição encontrou para sustentar uma bandeira e enfrentar os nomes propostos pelo governo. Dirceu teme um novo efeito Severino Cavalcanti.
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Grande idéia
Integrantes do Movimento de Defesa do Brasil se reúnem hoje com o prefeito Cesar Maia para pedir que o ex-ditador Augusto Pinochet seja homenageado com um nome de rua. A argumentação apresentada pelo grupo é que como já existe na cidade uma rua com o nome de Salvador Allende, a mesma homenagem deve ser prestada para o militar que governou - e saqueou - o Chile.
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Trata-se de uma idéia genial. Poderia-se propor uma rua George W. Bush, ou avenida Josef Stálin, ou praça Adolf Hitler, ou largo Pol Pot ou de um outro facínora qualquer. Não faltam "homenageáveis".
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Sensacional
Atenção fãs de Hugo Chávez: os integrantes da Assembléia dos Círculos Bolivarianos Leonel Brizola estão se reunindo para planejar as atividades para 2007. Entre uma delas está a possibilidade da vinda do presidente da Venezuela ao Rio.
.Realmente, como diz Reynaldo Azevedo, quem gosta de democracia é elite. O povão quer mesmo é uma ditadura.
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Enchendo o pé
O governador Sérgio Cabral (PMDB) está mesmo fazendo todo tipo de ruptura com a administração passada, "desgarotizando" a imagem da administração peemedebista.
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O cunhado da ex-governadora Rosinha Matheus, Nelson Nahim, foi exonerado da presidência da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte).
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Poucos acreditavam que com a troca de governo Nahim sairia do cargo, mas tomou cartão vermelho. Com a exoneração, o irmão do presidente do PMDB regional e ex-governador Anthony Garotinho volta a ocupar a cadeira na Câmara Municipal de Campos, de onde tinha se licenciado.
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E como fica?
A Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (Amae), entidade que congrega PMs do Rio, encaminhou ontem proposta à Secretaria Nacional de Segurança Pública pedindo que seja instituído piso salarial mínimo para os policiais. O governo federal completaria os salários pagos pelos estados até chegar a este mínimo.
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Segundo o tenente Melquisedec Nascimento, presidente da Amae, a proposta se baseia no fato de os governadores recém-empossados terem assumido os estados anunciando cortes de 30%, em média, nos gastos das secretarias de estado. E nada falaram sobre reajustes salariais.
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Sendo verdadeira a reportagem da edição dominical do "The Independent", aquilo que já se sabia sobre a invasão do Iraque perde o último véu de hipocrisia que a envolvia. Os Estados Unidos jogaram sua máquina de guerra para conquistar seu 51º estado, prenhe em petróleo e gás natural.
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Jamais se acreditou que o governo Bush praticaria uma ação humanitária, livrando um povo de um genocida do qual ninguém sente a menor falta. Tampouco se sustentava a denúncia do desenvolvimento de armas nucleares, derrubada e desmoralizada há tempos. Com a lei prestes a ser imposta - aprovação seria um eufemismo cínico demais - ao Parlamento iraquiano, fecham-se as razões pelas quais os EUA não têm plano de retirada em prazo algum.
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Até ao contrário. Bush pretende enviar mais 20 mil soldados, apesar de todas as advertências de seus generais. O Departamento de Defesa reconhece a impropriedade da invasão, algo que nos tempos de Donald Rumsfeld - ele mesmo um vampiro de espólios de guerra - seria impossível. Os comandantes sabem que o Iraque é um atoleiro, cuja intensidade da violência tende a aumentar enquanto permanecerem por ali.
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Inclusive, segundo a "Jane's on Defense", conceituada revista inglesa que analisa estratégias militares e diplomáticas, não está afastada a hipótese de sunitas e xiitas passarem a se enfrentar com armas anticonvencionais. O risco que havia nos Balcãs volta a assustar: o das bombas sujas. Um artefato nuclear tosco é facílimo de elaborar, pois basta fazer voar pelos ares com explosivos comuns um reservatório de césio encontrado em qualquer aparelho de raios x.
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Mas não é apenas isto. Agentes biológicos desenvolvidos no Irã ou no Paquistão - as antigas repúblicas islâmicas soviéticas também dariam sua cota no esforço de guerra xiita - poderiam ser usados com explosivos como o C5, facilmente encontrados no mercado negro. Trata-se de breve cenário para a catástrofe que os militares norte-americanos prevêem já há algum tempo.
Contra eles, porém, está o Departamento de Estado, no qual Condoleezza Rice pontifica e reforça a falácia da estabilização do Iraque e implantação da democracia representativa. Tão desonesta intelectualmente quanto Bush e como ele egressa da indústria de energia, é a arquiteta da posse de um fabuloso lençol de petróleo. Que dará aos EUA expressivo reforço ao dólar como moeda mundial, bem como influência direta nas decisões da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep).
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Um grande negócio ao custo de milhares de vidas. Mas para Bush isso pouco importa, pois sua oportunística conversão religiosa o convenceu do perdão divino.
Sai um
Pode parecer estranho, mas o ex-ministro José Dirceu está propondo que a base se una em torno de um único candidato. Ele gostaria que Aldo Rebelo declinasse em favor de Arlindo Chinaglia, mas como isto é impossível aceita que ocorra o contrário.
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E justifica a proposta afirmando que o movimento da candidatura independente foi a maneira que a oposição encontrou para sustentar uma bandeira e enfrentar os nomes propostos pelo governo. Dirceu teme um novo efeito Severino Cavalcanti.
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Grande idéia
Integrantes do Movimento de Defesa do Brasil se reúnem hoje com o prefeito Cesar Maia para pedir que o ex-ditador Augusto Pinochet seja homenageado com um nome de rua. A argumentação apresentada pelo grupo é que como já existe na cidade uma rua com o nome de Salvador Allende, a mesma homenagem deve ser prestada para o militar que governou - e saqueou - o Chile.
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Trata-se de uma idéia genial. Poderia-se propor uma rua George W. Bush, ou avenida Josef Stálin, ou praça Adolf Hitler, ou largo Pol Pot ou de um outro facínora qualquer. Não faltam "homenageáveis".
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Sensacional
Atenção fãs de Hugo Chávez: os integrantes da Assembléia dos Círculos Bolivarianos Leonel Brizola estão se reunindo para planejar as atividades para 2007. Entre uma delas está a possibilidade da vinda do presidente da Venezuela ao Rio.
.Realmente, como diz Reynaldo Azevedo, quem gosta de democracia é elite. O povão quer mesmo é uma ditadura.
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Enchendo o pé
O governador Sérgio Cabral (PMDB) está mesmo fazendo todo tipo de ruptura com a administração passada, "desgarotizando" a imagem da administração peemedebista.
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O cunhado da ex-governadora Rosinha Matheus, Nelson Nahim, foi exonerado da presidência da Fundação Estadual do Norte Fluminense (Fenorte).
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Poucos acreditavam que com a troca de governo Nahim sairia do cargo, mas tomou cartão vermelho. Com a exoneração, o irmão do presidente do PMDB regional e ex-governador Anthony Garotinho volta a ocupar a cadeira na Câmara Municipal de Campos, de onde tinha se licenciado.
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E como fica?
A Associação dos Militares Auxiliares e Especialistas (Amae), entidade que congrega PMs do Rio, encaminhou ontem proposta à Secretaria Nacional de Segurança Pública pedindo que seja instituído piso salarial mínimo para os policiais. O governo federal completaria os salários pagos pelos estados até chegar a este mínimo.
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Segundo o tenente Melquisedec Nascimento, presidente da Amae, a proposta se baseia no fato de os governadores recém-empossados terem assumido os estados anunciando cortes de 30%, em média, nos gastos das secretarias de estado. E nada falaram sobre reajustes salariais.