segunda-feira, janeiro 15, 2007

FHC protesta contra apoio do PSDB a Chinaglia

Do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em nota contra a decisão do PSDB de apoiar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT-SP) à Presidência da Câmara:
.
"A respeito do apoio precipitado à candidatura do deputado Arlindo Chinaglia à presidência da Câmara de Deputados tenho a dizer que:
.
1 – Quando estava em férias de Natal em Maceió, fui informado pelo deputado Aldo Rebelo de sua disposição de se candidatar à presidência da Câmara. Respondi que, se ele se mantivesse candidato, não veria como o PSDB pudesse votar no candidato do PT.
.
2- Havendo uma cisão na base governista, à qual, pela lógica política, caberia a Presidência da Câmara, abrir-se-ia uma alternativa para a oposição. Aliás, mais de uma, penso, dado o anúncio posterior de eventual candidato de outros na linha da independência do Congresso nas questões institucionais e do não comprometimento com as tantas pizzas do passado recente.
.
3 – Dei ciência ao governador de São Paulo e ao líder do partido na Câmara da conversa que mantivera com o deputado Aldo Rebelo, à qual esteve presente também o governador de Alagoas, Teotônio Vilela. Por isso, me surpreendeu a decisão, que considero precipitada, de assegurar ao PT os votos do PSDB sem discussão política mais profunda sobre as implicações e conseqüências do gesto. Ainda há tempo para as lideranças pensarem na opinião pública e nos milhões de brasileiros que esperam do PSDB uma posição construtiva, mas oposicionista, para que possamos manter a esperança de dias melhores."
.
Ao mesmo tempo em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso divulgava nota, o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), fazia o mesmo.
.
- O deputado Chinaglia, como pessoa, poderia ter tranqüilamente o apoio do PSDB. Mas hoje, infelizmente, sua candidatura representa precisamente tudo aquilo contra o que votaram os nossos 40 milhões de eleitores: a reintrodução de Ricardo Berzoini no comando do PT, a futura anistia de José Dirceu, a absolvição dos aloprados, a negação do mensalão, a absolvição dos sanguessugas. Com isso não podemos concordar -, diz a nota.)
.
*****
.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Aliar-se ao PT para um acordo esdrúxulo, o PSDB acaba por jogar no lixo seus ideais e sua consistência como partido político nacional, e apenas para atender interesses regionais localizados. Além disso, trai a confiança dos 40,0 milhões de votos que obteve nas urnas, daqueles que se opõem ao projeto de poder do PT. E renuncia a condição que deveria exercer de maior partido de oposição. Tem razão o ex-presidente Fernando Henrique em protestar. E é de se perguntar: por onde andava o presidente nacional do partido, Tasso Jeressaiti que permitiu que políticos menores do partido tomasse esta decisão ? Aliás, o melhor que Tasso deveria ter feito logo após o segundo turno da eleição presidencial seria entregar o cargo a quem defendesse o PSDB com maior empenho, com maior vigor. Sob o comando de Tasso apequenou-se e distanciou-se da sociedade. Além, é claro, de trair a confiança dos milhões de brasileiros que vêem no PSDB a alternativa democrática do país fugir de sua mediocridade atual. Até porque, diga-se de passagem, o PT nunca foi de confiança. Tanto é que Lula não perde uma única oportunidade em criticar o governo do PSDB, tanto em nível nacional quanto o de São Paulo. A campanha eleitoral de 2006 ainda está muito viva na memória de todos, para agora o PSDB sair por aí a aliar-se com quem jamais lhe estendeu a mão amiga.