Mário César de Camargo, empresário gráfico, administrador de empresas e bacharel em Direito
A recente reunião da diretora de Risco Soberano da Standard & Poor's, Lisa Schineller, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, repetiu situação retratada em piadas sobre consultores e seus clientes. A especialista disse tudo o que todos os brasileiros sabem e que o governo diz que está resolvendo. Vejamos: "O setor público tem despesa muito elevada e a carga tributária é alta. Oitenta e cinco por cento da receita tributária federal são utilizados para cobrir as despesas totais da União".
Apesar do otimismo de Schineller de que o debate fiscal, intensificado a partir do segundo turno das eleições presidenciais, sinalize a melhora das contas públicas, ela não conseguiu disfarçar a preocupação, compartilhada pelos brasileiros, quanto a dois aspectos: a dívida líquida, de 49,5% do PIB, e os juros do seu serviço, que abocanham 20% das receitas. Finalmente, a diretora da Standard & Poor's proferiu indefectível sentença: "O Brasil precisa crescer de modo sustentado".
A especialista levou à sua agência as promessas do ministro de que o governo deverá empenhar-se para solucionar as questões que emperram a economia nacional. Sim, as mesmas promessas que a sociedade deste país ouve dos candidatos a cada eleição. Talvez menos cética do que os "vacinados" brasileiros, Schineller salientou que sua organização poderá melhorar a nota atribuída ao Brasil quanto ao cenário para investimentos. Que bom!
Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - mais matemáticos e menos diplomáticos do que as análises de Schineller - reiteram que a moça tem razão quanto à necessidade de o Brasil crescer: a expansão da economia nacional deverá ser de 3,1% em 2006, 3,8% em 2007 e 4% em 2008, muito aquém, portanto, dos anseios dos setores produtivos. A informação só não foi mais dolorosa porque também não representava grande novidade...
Quanto ao clima para negócios, dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), divulgados em meados do ano, revelam queda, em 2005, nas intenções de investimento no Estado de São Paulo, termômetro da economia brasileira: "O clima de instabilidade que vigorou no país, principalmente no terceiro trimestre de 2005, também se refletiu nos resultados da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo. No ano, foram confirmados investimentos de US$ 11 bilhões, representando recuo de 29,6% sobre os US$ 15,6 bilhões de 2004 e de 14,4% sobre o menor valor anual alcançado até então pela pesquisa, US$ 12,8 bilhões em 2003".
Especialistas e organismos internacionais e nacionais de alta credibilidade confirmam, com diferentes estatísticas e teses, os diagnósticos, anseios e reivindicações dos agentes produtivos: a política monetarista de controle da inflação, implantada há 12 anos, já cumpriu sua missão e se esgotou como modelo de gestão econômica; e a irresponsabilidade fiscal do governo já não pode ser disfarçada pelas estatísticas ufanistas relativas à conquista de superávit primário.
Já que sabemos tudo isto, é pertinente argüir: o que faremos para mudar o destino desta nação? Começar a escrever a resposta com redentora redução das despesas públicas, aplicando a economia auferida em investimentos e equilíbrio fiscal, seria um gesto muito bem-vindo do segundo mandato do presidente Lula.
A recente reunião da diretora de Risco Soberano da Standard & Poor's, Lisa Schineller, com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, repetiu situação retratada em piadas sobre consultores e seus clientes. A especialista disse tudo o que todos os brasileiros sabem e que o governo diz que está resolvendo. Vejamos: "O setor público tem despesa muito elevada e a carga tributária é alta. Oitenta e cinco por cento da receita tributária federal são utilizados para cobrir as despesas totais da União".
Apesar do otimismo de Schineller de que o debate fiscal, intensificado a partir do segundo turno das eleições presidenciais, sinalize a melhora das contas públicas, ela não conseguiu disfarçar a preocupação, compartilhada pelos brasileiros, quanto a dois aspectos: a dívida líquida, de 49,5% do PIB, e os juros do seu serviço, que abocanham 20% das receitas. Finalmente, a diretora da Standard & Poor's proferiu indefectível sentença: "O Brasil precisa crescer de modo sustentado".
A especialista levou à sua agência as promessas do ministro de que o governo deverá empenhar-se para solucionar as questões que emperram a economia nacional. Sim, as mesmas promessas que a sociedade deste país ouve dos candidatos a cada eleição. Talvez menos cética do que os "vacinados" brasileiros, Schineller salientou que sua organização poderá melhorar a nota atribuída ao Brasil quanto ao cenário para investimentos. Que bom!
Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico - mais matemáticos e menos diplomáticos do que as análises de Schineller - reiteram que a moça tem razão quanto à necessidade de o Brasil crescer: a expansão da economia nacional deverá ser de 3,1% em 2006, 3,8% em 2007 e 4% em 2008, muito aquém, portanto, dos anseios dos setores produtivos. A informação só não foi mais dolorosa porque também não representava grande novidade...
Quanto ao clima para negócios, dados da Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), divulgados em meados do ano, revelam queda, em 2005, nas intenções de investimento no Estado de São Paulo, termômetro da economia brasileira: "O clima de instabilidade que vigorou no país, principalmente no terceiro trimestre de 2005, também se refletiu nos resultados da Pesquisa de Investimentos Anunciados no Estado de São Paulo. No ano, foram confirmados investimentos de US$ 11 bilhões, representando recuo de 29,6% sobre os US$ 15,6 bilhões de 2004 e de 14,4% sobre o menor valor anual alcançado até então pela pesquisa, US$ 12,8 bilhões em 2003".
Especialistas e organismos internacionais e nacionais de alta credibilidade confirmam, com diferentes estatísticas e teses, os diagnósticos, anseios e reivindicações dos agentes produtivos: a política monetarista de controle da inflação, implantada há 12 anos, já cumpriu sua missão e se esgotou como modelo de gestão econômica; e a irresponsabilidade fiscal do governo já não pode ser disfarçada pelas estatísticas ufanistas relativas à conquista de superávit primário.
Já que sabemos tudo isto, é pertinente argüir: o que faremos para mudar o destino desta nação? Começar a escrever a resposta com redentora redução das despesas públicas, aplicando a economia auferida em investimentos e equilíbrio fiscal, seria um gesto muito bem-vindo do segundo mandato do presidente Lula.