Descoberta influência em pesquisas de alimentos financiadas pela indústria
The New York Times
Pesquisas financiadas pela indústria de alimentos são muito mais prováveis de produzirem resultados favoráveis do que pesquisas financiadas independentes, segundo um relatório que será publicado terça-feira.
O relatório, publicado no jornal crítico Medicina PloS, é o primeiro estudo sistemático de influências em pesquisas nutricionais.
Dos 24 estudos de refrigerantes, leites e sucos financiados pela indústria, 21 tinham resultados favoráveis ou neutros para a indústria, e três foram desfavoráveis, de acordo com a pesquisa liderada pelo Dr. David S. Ludwig, diretor do Programa de Peso Adequado para a Vida no Hospital Boston para Crianças e um professor associado na Escola de Medicina Harvard.
Dos 52 estudos sem financiamento da indústria, 32 foram favoráveis ou neutros para a indústria, e 20 foram desfavoráveis.
As influências foram similares nas descobertas dos remédios.
Propensões em pesquisas nutricionais, de acordo com Ludwig, podem ser mais prejudiciais do que nas pesquisas de remédios, porque comida afeta a todos.
“Esses conflitos podem produzir uma inclinação muito grande na literatura cientifica, influenciar as diretrizes governamentais alimentícias, que são baseadas na ciência”, ele disse em uma entrevista. “Elas também influenciam nos conselhos que os provedores de cuidados de saúde dão para seus pacientes, e as regulamentações da FDA de declarações de comida. Isso é uma grande ameaça para a saúde pública”.
A Associação Americana de Bebidas, que patrocinou ao menos uma pesquisa no artigo, disse que os autores têm suas próprias influências. “Isso é outro ataque à indústria por ativistas que demonstraram suas próprias influências em sua análise olhando somente para as fontes de financiamento e não julgando a pesquisa pelos seus próprios méritos”, falou a presidente do grupo de comércio, Susan K. Neely, em uma declaração.
O novo estudo olhou para pesquisas publicadas em jornais científicos de 1999 a 2003. Estudos sobre leite, sucos e refrigerantes foram escolhidos, segundo Ludwig, porque eles lidam com uma área controvérsia que envolve crianças e produtos bastante lucráveis.
De 206 artigos, 111 mencionaram seus patrocinadores. Dois investigadores sem conhecimento dos patrocinadores, que escreveram ou publicaram os artigos, ou até mesmo os títulos dos artigos, classificaram suas conclusões como favoráveis, neutras ou não favoráveis à indústria.
Outro investigador, sem conhecimento das conclusões dos artigos, estipulou as fontes de financiamentos e se os patrocinadores ganham ou perdem de conclusões favoráveis.
Um estudo de bebidas carbônicas de 2003, publicado no Diário Internacional de Ciências dos Alimentos e Nutrição e financiado pela Associação Americana de Bebidas, quando era conhecida como a Associação Nacional de Refrigerantes, descobriu que meninos com pesos altos não consumiam mais refrigerantes normais do que meninos que não estavam acima do peso mas bebiam mais refrigerantes dietéticos.
A indústria do refrigerante citou a pesquisa para reforçar sua posição de que refrigerantes não estavam relacionados com obesidade. “Meus co-autores e eu confiamos fortemente no método científico para garantir que não tivéssemos influência em nossos estudos”, disse Richard A. Forshee, o autor líder do estudo e o vice-diretor no Centro de Políticas para Comida, Nutrição e Agricultura na Universidade de Maryland.
Também em 2003, um estudo de refrigerantes nos Arquivos de Pediatria e Medicina Adolescente descobriu uma relação direta entre o número de refrigerantes consumidos e obesidades. Fundações patrocinaram esse estudo.
“Para pessoas que acreditam que a ciência é completamente objetiva, esses resultados podem ser um grande choque”, disse o professor Marion Nestlé, do Departamento de Nutrição, Estudos dos Alimentos e Saúde Pública na Universidade de Nova York.
Marian Burros
The New York Times
Pesquisas financiadas pela indústria de alimentos são muito mais prováveis de produzirem resultados favoráveis do que pesquisas financiadas independentes, segundo um relatório que será publicado terça-feira.
O relatório, publicado no jornal crítico Medicina PloS, é o primeiro estudo sistemático de influências em pesquisas nutricionais.
Dos 24 estudos de refrigerantes, leites e sucos financiados pela indústria, 21 tinham resultados favoráveis ou neutros para a indústria, e três foram desfavoráveis, de acordo com a pesquisa liderada pelo Dr. David S. Ludwig, diretor do Programa de Peso Adequado para a Vida no Hospital Boston para Crianças e um professor associado na Escola de Medicina Harvard.
Dos 52 estudos sem financiamento da indústria, 32 foram favoráveis ou neutros para a indústria, e 20 foram desfavoráveis.
As influências foram similares nas descobertas dos remédios.
Propensões em pesquisas nutricionais, de acordo com Ludwig, podem ser mais prejudiciais do que nas pesquisas de remédios, porque comida afeta a todos.
“Esses conflitos podem produzir uma inclinação muito grande na literatura cientifica, influenciar as diretrizes governamentais alimentícias, que são baseadas na ciência”, ele disse em uma entrevista. “Elas também influenciam nos conselhos que os provedores de cuidados de saúde dão para seus pacientes, e as regulamentações da FDA de declarações de comida. Isso é uma grande ameaça para a saúde pública”.
A Associação Americana de Bebidas, que patrocinou ao menos uma pesquisa no artigo, disse que os autores têm suas próprias influências. “Isso é outro ataque à indústria por ativistas que demonstraram suas próprias influências em sua análise olhando somente para as fontes de financiamento e não julgando a pesquisa pelos seus próprios méritos”, falou a presidente do grupo de comércio, Susan K. Neely, em uma declaração.
O novo estudo olhou para pesquisas publicadas em jornais científicos de 1999 a 2003. Estudos sobre leite, sucos e refrigerantes foram escolhidos, segundo Ludwig, porque eles lidam com uma área controvérsia que envolve crianças e produtos bastante lucráveis.
De 206 artigos, 111 mencionaram seus patrocinadores. Dois investigadores sem conhecimento dos patrocinadores, que escreveram ou publicaram os artigos, ou até mesmo os títulos dos artigos, classificaram suas conclusões como favoráveis, neutras ou não favoráveis à indústria.
Outro investigador, sem conhecimento das conclusões dos artigos, estipulou as fontes de financiamentos e se os patrocinadores ganham ou perdem de conclusões favoráveis.
Um estudo de bebidas carbônicas de 2003, publicado no Diário Internacional de Ciências dos Alimentos e Nutrição e financiado pela Associação Americana de Bebidas, quando era conhecida como a Associação Nacional de Refrigerantes, descobriu que meninos com pesos altos não consumiam mais refrigerantes normais do que meninos que não estavam acima do peso mas bebiam mais refrigerantes dietéticos.
A indústria do refrigerante citou a pesquisa para reforçar sua posição de que refrigerantes não estavam relacionados com obesidade. “Meus co-autores e eu confiamos fortemente no método científico para garantir que não tivéssemos influência em nossos estudos”, disse Richard A. Forshee, o autor líder do estudo e o vice-diretor no Centro de Políticas para Comida, Nutrição e Agricultura na Universidade de Maryland.
Também em 2003, um estudo de refrigerantes nos Arquivos de Pediatria e Medicina Adolescente descobriu uma relação direta entre o número de refrigerantes consumidos e obesidades. Fundações patrocinaram esse estudo.
“Para pessoas que acreditam que a ciência é completamente objetiva, esses resultados podem ser um grande choque”, disse o professor Marion Nestlé, do Departamento de Nutrição, Estudos dos Alimentos e Saúde Pública na Universidade de Nova York.
Marian Burros