segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Aquecimento global pode reduzir produção agrícola brasileira

Da Agência Estado

A produção agrícola brasileira terá uma queda de 25% caso se concretize a previsão do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC) para o clima mundial. Em relatório divulgado nesta sexta-feira em Paris, o IPCC estima que a temperatura mundial vai aumentar entre 1,8º C e 4º C até o fim do século. Segundo o diretor do Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas em Agricultura, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Hilton Pinto, a possível elevação de 3º C na temperatura acarretará uma perda agrícola em torno de 60% na cultura de café e de 39% na de soja (valores calculados levando em consideração a área potencial atual de produção). Ainda no café, o prejuízo está estimado entre R$ 1 bilhão e R$ 2 bilhões por ano, levando em conta o valor atual de cerca de R$ 280 a saca.
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A pecuária também será fortemente prejudicada. Os efeitos do aquecimento global nos animais incluem redução drástica na produção de leite, aumento no número de abortos e, nas aves, a produção de ovos sem casca.
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Hilton Pinto diz que as mudanças climáticas já ocorridas revelam o futuro da agropecuária brasileira. "Não são provas extremamente científicas, mas mostram o que está acontecendo no Brasil", afirma.
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Em estudo ainda não publicado, ele compara as áreas de plantio brasileiras entre a década de 1930 e hoje, período no qual houve um aumento entre 2º C e 3º C das temperaturas mínimas do Estado de São Paulo. Enquanto a produção cafeeira migrou do noroeste de São Paulo para regiões mais frias, culturas que suportam bem o calor, como a seringueira passaram a se desenvolver com rapidez nas proximidades de Ribeirão Preto.
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O aumento ocasional de 4º C da temperatura no Estado de São Paulo em setembro de 2004 também indica como poderá se comportar a pecuária. Na época, houve prejuízos de US$ 50 milhões. Com o calor excessivo, a produção de leite chegou a cair pela metade em apenas quarto dias e o número de abortos teve um aumento elevado, principalmente nos suínos - cerca de 50%. Clima O aquecimento global, além de provocar alterações expressivas no clima em longo prazo, como o aumento da temperatura, causa também mudanças imediatas. De acordo com o meteorologista da Somar, Paulo Etchichury, o fenômeno vai intensificar situações climáticas extremas.
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Períodos de chuvas abundantes, como as que ocorreram no Sudeste entre o final de 2006 e início de 2007, vão se repetir com freqüência. Hilton Pinto acredita que com uma elevação de 1º C na temperatura, haverá uma elevação entre 5% e 15% na quantidade de chuvas. "Só que não são chuvas agrícolas, são temporais, como os vistos recentemente em Minas Gerais", diz ele No Sul, a tendência é que aconteçam cada vez mais tornados, como os de Santa Catarina em 2005. Já no Nordeste, a agricultura vai sofrer porque o aumento da evaporação causado pelas temperaturas maiores reduzirá os níveis de água dos lençóis freáticos.
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Responsabilidade Cerca de 75% das emissões brasileiras de CO2 (cujas concentrações elevadas provocam o aquecimento global) são provenientes das queimadas na Amazônia, realizadas principalmente para expandir a fronteira agrícola para pecuária e soja, principalmente. "Isso coloca o Brasil entre os cinco maiores emissores de gás carbônico do mundo", diz Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).
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Outro grande responsável pelas emissões são as liberações de metano - que favorecem as elevações de temperatura - no processo digestivo do gado. Segundo Nobre, "existem muitas pesquisas para mudar a dieta do gado intensivo, de modo a gerar menos metano". Mas ainda não existem dados conclusivos a esse respeito.