Lucia Hippolito, Blog do Noblat
É difícil imaginar que o Palácio do Planalto e as principais cabeças pensantes do governo Lula pudessem nutrir a ilusão de que o Plano de Aceleração do Crescimento viesse a ser aceito sem restrições.
Seria de uma perigosa ingenuidade, e ali não existe nenhum ingênuo. A começar pelo presidente.
O governo central fez um programa de obras que interfere diretamente nos estados, sem sequer ter tido a gentileza de perguntar aos governadores quais eram as suas prioridades.
Assim como se alguém metesse o pé na porta de minha casa e declarasse que vai reformar a minha cozinha. "Mas a sala está em pior estado..."
Em segundo lugar, o PAC propõe a desoneração de vários setores da economia, e para isso lançará mão da arrecadação de impostos e contribuições, que não partilha com os estados.
Fazendo cortesia com o chapéu alheio, ou, como se diz lá no interior de Minas, bancando o Tiradentes com o pescoço dos outros... No caso, o pescoço dos governadores.
Daí porque as reuniões entre governadores da oposição e da base aliada não configuram nenhuma rebelião contra o poder central, mas uma tomada de posição da federação.
É preciso repensar a partilha dos impostos e contribuições entre União, estados e municípios. É preciso discutir melhor os projetos, adaptando-os às necessidades de cada estado.
É preciso, enfim, rediscutir o pacto federativo.
Não adianta tentar empurrar pela goela dos governadores abaixo um projeto gestado no governo central por ministros e burocratas sem voto.
Assim como o presidente Lula, os governadores também foram eleitos, alguns até com votação consagradora. Não podem ser desconsiderados.
Da mesma forma, o pacote deverá ser alterado no Congresso, o foro adequado para discutir e votar as várias Medidas Provisórias e projetos de lei. Deputados e senadores não gostam de prato feito. Vão discutir e modificar os projetos do Executivo. Em alguns casos, o resultado sairá até melhor.
Por isso, os próximos meses deverão ser de intensa negociação. O presidente Lula tem-se dedicado a negociar com os partidos políticos, mas precisa de um número maior de articuladores.
Afinal, não fica nem bem para um presidente da República negociar o varejo. Esta tarefa cabe a subordinados.
Depois que se resolver a eleição na Câmara e no Senado é que o carro vai começar a andar. Por enquanto, ninguém arrisca um palpite sobre o tamanho da fratura na base aliada, e muito menos sobre o tamanho da fatura que se será apresentada ao Palácio do Planalto.
É difícil imaginar que o Palácio do Planalto e as principais cabeças pensantes do governo Lula pudessem nutrir a ilusão de que o Plano de Aceleração do Crescimento viesse a ser aceito sem restrições.
Seria de uma perigosa ingenuidade, e ali não existe nenhum ingênuo. A começar pelo presidente.
O governo central fez um programa de obras que interfere diretamente nos estados, sem sequer ter tido a gentileza de perguntar aos governadores quais eram as suas prioridades.
Assim como se alguém metesse o pé na porta de minha casa e declarasse que vai reformar a minha cozinha. "Mas a sala está em pior estado..."
Em segundo lugar, o PAC propõe a desoneração de vários setores da economia, e para isso lançará mão da arrecadação de impostos e contribuições, que não partilha com os estados.
Fazendo cortesia com o chapéu alheio, ou, como se diz lá no interior de Minas, bancando o Tiradentes com o pescoço dos outros... No caso, o pescoço dos governadores.
Daí porque as reuniões entre governadores da oposição e da base aliada não configuram nenhuma rebelião contra o poder central, mas uma tomada de posição da federação.
É preciso repensar a partilha dos impostos e contribuições entre União, estados e municípios. É preciso discutir melhor os projetos, adaptando-os às necessidades de cada estado.
É preciso, enfim, rediscutir o pacto federativo.
Não adianta tentar empurrar pela goela dos governadores abaixo um projeto gestado no governo central por ministros e burocratas sem voto.
Assim como o presidente Lula, os governadores também foram eleitos, alguns até com votação consagradora. Não podem ser desconsiderados.
Da mesma forma, o pacote deverá ser alterado no Congresso, o foro adequado para discutir e votar as várias Medidas Provisórias e projetos de lei. Deputados e senadores não gostam de prato feito. Vão discutir e modificar os projetos do Executivo. Em alguns casos, o resultado sairá até melhor.
Por isso, os próximos meses deverão ser de intensa negociação. O presidente Lula tem-se dedicado a negociar com os partidos políticos, mas precisa de um número maior de articuladores.
Afinal, não fica nem bem para um presidente da República negociar o varejo. Esta tarefa cabe a subordinados.
Depois que se resolver a eleição na Câmara e no Senado é que o carro vai começar a andar. Por enquanto, ninguém arrisca um palpite sobre o tamanho da fratura na base aliada, e muito menos sobre o tamanho da fatura que se será apresentada ao Palácio do Planalto.