quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A quem o Congresso representa e seus compadres

Adelson Elias Vasconcellos

Vamos lá. Escrevo antes da decisão de quem será o Presidente da Câmara, mas com Renan Calheiros reeleito no Senado Federal.

Desde que acabou a ditadura militar, esta seguramente foi a eleição para o Presidente da Câmara que mais interesse despertou, seja na mídia ou na opinião pública. O momento talvez tenha contribuído, mas outros fatores também serviram para incendiar este interesse.

De um lado, o quadro político brasileiro perdeu combatividade desde que Lula ganhou em 2002. A política brasileira passou a ser feita num baixo nível doloroso. Basta ver os escândalos ocorridos dentro do Congresso, independente das absolvições, das cretinices e da impunidade constante que ali se vive há tanto tempo.

De outro, porque foi se gerando no interior dos espíritos críticos, a sensação de que tudo o que contrariar a cartilha petista, é ruim para a democracia. É isso mesmo. Quando o petê esteve na oposição, jamais ele estendeu a mão para coisa alguma, jamais aceitou participar de coalizões ou de entendimentos para o desenvolvimento de um projeto nacional de consenso. O petê, dentro do estilo xiita cafajeste, sempre chutou o balde de todo o mundo, sempre fez uma oposição raivosa e de alto poder de destruição. E sempre agiu trazendo e desfraldando a bandeira da ética, da moralidade da coisa pública.

Instalado no poder federal, a primeira ação petista foi a de empreender seu programa chamado de POC – Plano de Ocupação de Cargos. Depois, tratou de apagar a história do país. Depois, tratou de comprar consciências, estivessem elas instaladas no Congresso, ou nas entidades ditas sociais, nos sindicatos, nos MST’s da vida, nas ONG’s, através de farta e generosa distribuição de verbas públicas, sem a necessária contrapartida ou contraprestação de serviços e de contas. Fruto disso, o Tribunal de Contas da União passou a colecionar relatórios e mais relatórios de irregularidades na distribuição, uso e destino dos valores dados em “doação”. Mas, por outro lado, na época do escândalo do mensalão, não se viu nenhuma destas entidades saindo às ruas pedindo fora dirceu, fora lulla, fora o que quer que fosse, e que estivesse envolvido nas patifarias.

A partir do momento em que a sociedade estupefata presenciou a cretinice praticada sem que ninguém fosse punido ou julgado ao menos, a sociedade perdeu a noção de si mesma, saiu dos trilhos. Esbudegou-se. Mas o escândalo também serviu para mostrar uma coisa que já se suspeitava, mas da qual não se tinha prova concreta, ainda: a de que o Congresso pode ser representante de qualquer coisa, menos daqueles que os escolhe e elege, que é o povo. O desprezo e descaso para com a opinião pública foram jogados em nossa cara de forma acintosa. E o cenário que se abriu aos nossos olhos foi a de uma casa de pilantras representando apenas seus únicos, exclusivos e escusos interesses pessoais. Este talvez seja o primeiro preço daquilo que deveria ser um direito e se transformou apenas em um dever. Sem sentido, sem finalidade democrática, mas apenas um dever. E não de civismo. Mas de coroamento do cretinismo nacional. Tome-se os três poderes da república, legislativo, executivo e judiciário. Os três são independentes ? Não no Brasil. Aqui, o Executivo manda o Legislativo legislar o seu arbítrio para o Judiciário emprestar-lhe a legalidade necessária. Depois, atira-se esta porcaria toda no colo do povo, que deverá pagar os juros e os impostos mais escorchantes do mundo para sustentar a canalhada toda. E anotem: o que pagamos não é para nos ser devolvido na forma de serviços decentes. Não mesmo ! O que pagamos é o preço dos senhores donos do bordel que nos permitem aqui viver, mediante o caro aluguel.

E, para culminar com a palhaçada toda, vende-se isto tudo como uma democracia representativa. Pura encenação. Trata-se do chiqueiro fino em que os porcos chafurdam-se na lama da exploração e da selvageria. Somos seus escravos, eles nossos senhores e donos. Eis o retrato dantesco da realidade brasileira. Engana-se quem tenta iludir-se imaginando o contrário.

A eleição para presidente na verdade se dá para saberem quem comandará o processo escravocrata da danação do Executivo sobre a massa falida da população. Saberem quem será o sinhozinho na senzala, já que na Casa Grande o grande “nhô-nhô” continuará a ditar sua própria história, feita de malandragens e sacanagens, agora sob o manto de um guarda –chuvas estampado onde se lê PAC. Vamos inaugurar assinatura de contratos para construção de qualquer droga, até festins bacanais na inauguração de consertos de buracos rodoviários. E tudo para legitimar o embrulho de nos enfiarem uma ditadura civil goela abaixo. Não uma ditadura qualquer. Uma mais refinada, onde você terá o direito de escolher de quem você quer apanhar e por quem você quer ser explorado. É isso aí, ditadura com representatividade é coisa chique, coisa de quarto mundo, mas coisa do século XXI, coisa de louco, claro, mas é produto legitimamente nacional, bordado em bandeira verde-amarela, onde as estrelas se tornaram vermelhas. Aquele carimbo de MADE IN BRAZIL, era coisa de neoliberal, exigência dos senhores do FMI. Agora estará em seu lugar: "FEITA PELOS CRETINOS DO BRASIL ". Coisa muito fina. Coisa brasileira. Coisa de petista retrógrado-progressista.

Ah, e aquela mania de privatização também acabou. Agora nada será vendido. Tudo na mais perfeita parceria pública na privada financeira. A previdência está com rombo histórico ? Simples, acabe-se com o déficit, mudando a sua contabilidade ora bolas. O déficit a gente empurra para o Tesouro Nacional e tá resolvido o rombo. E, de quebra, a gente entrega aos banqueiros a administração da folha do INSS. Deixa os “omi” ganhar dinheiro, seu moço ! Ah o clima está esquentando ? Pronto, o Brasil vai resolver o problema do mundo, entregando 11 áreas de florestas para a iniciativa privada engarrafar o oxigênio antes que as queimadas acabem com ele. Não é simples ? Ah, esta história de conselho político para ajudar a fazer os projetos é lorota de antes da eleição. Depois de ganha, que cada um faça seu PACzinho. Gente idiota estes governadores não é mesmo ? Será que eles não sabiam que aquele história toda de entendimento era pura lorota ? E que falta de patriotismo este deles, em se negarem a abrir mão de alguns milhões de impostos ? Deixa prá gente cuidar. Como ninguém, sabemos onde se encontram os melhores paraísos fiscais do Planeta. E sem deixar rastros. Temos know-how para enganar. Basta ver o caso do dossiê: até hoje ninguém sabe de quem é aquele 1,700 milhão ! Viram ? E se der problema, temos os melhores criminalistas à nossa disposição, e quem comanda a Polícia Federal vocês já esqueceram ? Então seus latinos bundões, parem de chorar miséria e continuem se enganando achando que nós nos preocupamos com vocês, será que já não bastam os bolsa-qualquer-coisa que inventamos para mascarar nossa cretinice? Será que não temos direito de sermos governantes cafajestes !!! Vocês são muito exigentes, muito exigentes.