.
Foi-se o tempo dos barões do café, dos pecuaristas do sul, dos industriários paulistas. Nossa estrutura social está sendo dominada por um novo grupo “econômico”. Trata-se de uma classe emergente, profissional, gananciosa. São capazes de tudo para chegar aos fins propostos. Não há escrúpulos, moral ou ética. Além disso, são egoístas. Não toleram repartir o bolo com ninguém. Os adversários são vistos como inimigos mortais que, custe o que custar, devem ser excluídos do “mercado”. A questão é ser monopolista, ter tudo para si, dominar todo o esquema e, depois, garantir a continuidade sucessória. Também é muito importante manter a imagem. Perante a opinião pública, deve-se defender os interesses nacionais, soltar faíscas contra as oligarquias do passado, exaltar a democracia e a liberdade e, por fim, criticar os descaminhos do país. Tudo da boca para fora, sem lastro de integridade.
.
Foi-se o tempo da vocação, da coerência e da substância de pensamentos. Vivemos a era do profissionalismo antiético e amoral. Tudo se resolve com o dinheiro. O dinheiro compra tudo. Compra opiniões, convicções, idéias, cargos, dignidade pessoal e seja o que for. Quem manda é a grana, é o tutu, é o hot money, se bem que ele também pode ser “não-contabilizado”; basta estabelecer o preço e bater o martelo. Negócio fechado, as mãos se apertam e mais uma compra de balcão foi selada. Todavia, não há fidelidade. Se amanhã surgir proposta melhor, aceita-se conversar. Afinal, a regra número um do mercado é estar sempre aberto a negociações.
Foi-se o tempo da vocação, da coerência e da substância de pensamentos. Vivemos a era do profissionalismo antiético e amoral. Tudo se resolve com o dinheiro. O dinheiro compra tudo. Compra opiniões, convicções, idéias, cargos, dignidade pessoal e seja o que for. Quem manda é a grana, é o tutu, é o hot money, se bem que ele também pode ser “não-contabilizado”; basta estabelecer o preço e bater o martelo. Negócio fechado, as mãos se apertam e mais uma compra de balcão foi selada. Todavia, não há fidelidade. Se amanhã surgir proposta melhor, aceita-se conversar. Afinal, a regra número um do mercado é estar sempre aberto a negociações.
.
Tolos são aqueles que não aceitam esse jogo sórdido, que tem princípios de vida, que honram o fio do bigode. Esses são os heróis da resistência. Ocorre que são justamente os “tolos” que devem ser eliminados. Os “tolos” são um incômodo, vivem batendo na mesma tecla, são uma pedra no sapato dos “vivos”. A vida seria muito mais fácil se os “tolos” fossem dormir e nunca mais acordassem. Imagina poder usar livremente a máquina e seus instrumentos, nomear parentes, direcionar contratos a amigos, desviar verbas, viajar livremente pelo mundo e, no final do dia, fazer banquetes com o dinheiro dos outros. Não seria uma beleza? É, realmente, sob uma ótica míope e desviada, seria uma maravilha.
Tolos são aqueles que não aceitam esse jogo sórdido, que tem princípios de vida, que honram o fio do bigode. Esses são os heróis da resistência. Ocorre que são justamente os “tolos” que devem ser eliminados. Os “tolos” são um incômodo, vivem batendo na mesma tecla, são uma pedra no sapato dos “vivos”. A vida seria muito mais fácil se os “tolos” fossem dormir e nunca mais acordassem. Imagina poder usar livremente a máquina e seus instrumentos, nomear parentes, direcionar contratos a amigos, desviar verbas, viajar livremente pelo mundo e, no final do dia, fazer banquetes com o dinheiro dos outros. Não seria uma beleza? É, realmente, sob uma ótica míope e desviada, seria uma maravilha.
.
Felizmente, ainda há imprensa neste país. Felizmente, ainda há liberdade de expressão. Felizmente, existem homens e mulheres que não se calam perante os falsários da moralidade. No dia que a imprensa fechar, no dia que a liberdade se for, no dia que os cidadãos de bem calarem, este será o dia do triunfo definitivo da nova elite. Mas, afinal, quem seria ela? Ora, a nova elite é a mais fútil e ordinária das elites. É a mais venal e a menos confiável. A nova elite é publica, vive nos jornais e ainda faz do nosso trabalho sua fonte de sustentação. O inacreditável é que há quem diga que ganham pouco, exaltando seus feitos “heróicos”. Quem? Ninguém sabe, ninguém vê...
Felizmente, ainda há imprensa neste país. Felizmente, ainda há liberdade de expressão. Felizmente, existem homens e mulheres que não se calam perante os falsários da moralidade. No dia que a imprensa fechar, no dia que a liberdade se for, no dia que os cidadãos de bem calarem, este será o dia do triunfo definitivo da nova elite. Mas, afinal, quem seria ela? Ora, a nova elite é a mais fútil e ordinária das elites. É a mais venal e a menos confiável. A nova elite é publica, vive nos jornais e ainda faz do nosso trabalho sua fonte de sustentação. O inacreditável é que há quem diga que ganham pouco, exaltando seus feitos “heróicos”. Quem? Ninguém sabe, ninguém vê...
.