Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
José Paulo Freire, o lendário Zé do Pé, sergipano da paulicéia, ultimo boêmio santo de São Paulo, era menino de calças curtas em Araçatuba, em 54, quando Jânio Quadros saiu candidato a governador.
Nacib Curi, turco, grandão, elegante, terno branco S-120, gravata vermelha, charuto enorme na boca, mandou fazer escondido um folhetim em papel ruim, de padaria, impresso em gráfica velha, de igreja, com uma foto exótica de Jânio Quadros, os olhos estrábicos arregalados e a boca torta:"Procura-se um louco. É esse aí. E se diz candidato a governador".
Mas, como distribuir? Chamou Zé do Pé:
- Zé, tome esse dinheiro para você e vá distribuir isso, de manhã na barbearia, de tarde no fórum e de noite no bar. Não diga a ninguém que fui eu que lhe dei. Se perguntarem quem foi, responda que foi um passarinho.
Zé do Pé
Na barbearia, estavam três figurões da cidade. O médico doutor Trancoso Perez. Zé entregou. O fazendeiro Raul Vieira da Cunha. Zé entregou. E o advogado do Banco do Brasil, doutor Coelho. Zé entregou. O doutor Coelho recebeu, olhou, leu:
José Paulo Freire, o lendário Zé do Pé, sergipano da paulicéia, ultimo boêmio santo de São Paulo, era menino de calças curtas em Araçatuba, em 54, quando Jânio Quadros saiu candidato a governador.
Nacib Curi, turco, grandão, elegante, terno branco S-120, gravata vermelha, charuto enorme na boca, mandou fazer escondido um folhetim em papel ruim, de padaria, impresso em gráfica velha, de igreja, com uma foto exótica de Jânio Quadros, os olhos estrábicos arregalados e a boca torta:"Procura-se um louco. É esse aí. E se diz candidato a governador".
Mas, como distribuir? Chamou Zé do Pé:
- Zé, tome esse dinheiro para você e vá distribuir isso, de manhã na barbearia, de tarde no fórum e de noite no bar. Não diga a ninguém que fui eu que lhe dei. Se perguntarem quem foi, responda que foi um passarinho.
Zé do Pé
Na barbearia, estavam três figurões da cidade. O médico doutor Trancoso Perez. Zé entregou. O fazendeiro Raul Vieira da Cunha. Zé entregou. E o advogado do Banco do Brasil, doutor Coelho. Zé entregou. O doutor Coelho recebeu, olhou, leu:
.
- Zé, quem te deu isso?
- Um passarinho, doutor Coelho.
- O passarinho fuma charuto, Zé?
- Fuma, sim senhor, doutor Coelho.
- Zé, quem te deu isso?
- Um passarinho, doutor Coelho.
- O passarinho fuma charuto, Zé?
- Fuma, sim senhor, doutor Coelho.
.
Zé não foi mais ao fórum nem ao bar.
Rondeau
Quando o senador Sarney mandou o PMDB do Maranhão denunciar em segredo ao Ministério Publico o governador José Reinaldo, que havia rompido com ele, estava certo de que ninguém ia descobrir quem era o passarinho.
O Ministério Público entregou a tarefa à Polícia Federal, que a cumpriu republicanamente, como lhe ensinou o ministro Marcio Thomaz Bastos e o diretor-geral Paulo Lacerda aprendeu muito bem. As maracutaias do Zuleido Veras tinham começado lá atrás, nos governos da Roseana, e já haviam chegado até ao gabinete do ministro Rondeau, capitania política de Sarney. O ex-ministro fumava charuto.
Jucá
Parecia que era o primeiro escândalo em que o governo Lula e o PT não estavam no comando. Ia ser "o mensalão dos outros". As primeiras notícias vinham de Alagoas (PSDB), do Maranhão (PDT) e de Sergipe (DEM).
Mas o governo Lula fuma charuto. O "Jornal do Brasil" contou: "O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), incluiu no Orçamento de 2005 R$ 94,3 milhões para a Gautama de Zuleido Veras... Já o Executivo separou outros R$ 341,9 milhões para projetos com participação da empresa. Na época da inclusão de R$ 94,3 milhões em emendas, Jucá era relator do Orçamento no Congresso. De acordo com Jucá, foi orientação do Ministério do Planejamento. O Planejamento negou a versão de Jucá... No dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Navalha, três senadores foram atendidos no serviço médico da casa com pressão alta. Entre eles, Jucá". O líder fuma charuto.
Wagner
Da Bahia, ninho da serpente, onde o PT descobriu Zuleido, a "Folha" conta: "Considerado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, seu `melhor amigo' (sic), o publicitário Sodré Martins é o dono da firma encarregada (desde 2004) da comunicação da Gautama, de Zuleido Veras. Martins, 57 anos, foi casado com Fátima Mendonça, atual mulher do governador.
Foi Martins quem, segundo a última versão de Wagner, pediu emprestada a Zuleido a lancha em que o governador e a ministra Dilma Rousseff passearam pela baía de Todos os Santos. À época Wagner já fora eleito. Wagner diz que desconhece a ligação de Martins (seu melhor amigo) com Zuleido". O governador fuma charuto.
Sarney
Também na "Folha": "A Gautama de Zuleido Veras e a construtora Better vão erguer o novo aeroporto de Macapá". Macapá, como se sabe, é a capital do Amapá, onde quem manda é o senador Sarney. Quem poderia levar um novo aeroporto e a Gautama de Zuleido para a longínqua Macapá? Só Sarney. O senador fuma charuto.
Zé não foi mais ao fórum nem ao bar.
Rondeau
Quando o senador Sarney mandou o PMDB do Maranhão denunciar em segredo ao Ministério Publico o governador José Reinaldo, que havia rompido com ele, estava certo de que ninguém ia descobrir quem era o passarinho.
O Ministério Público entregou a tarefa à Polícia Federal, que a cumpriu republicanamente, como lhe ensinou o ministro Marcio Thomaz Bastos e o diretor-geral Paulo Lacerda aprendeu muito bem. As maracutaias do Zuleido Veras tinham começado lá atrás, nos governos da Roseana, e já haviam chegado até ao gabinete do ministro Rondeau, capitania política de Sarney. O ex-ministro fumava charuto.
Jucá
Parecia que era o primeiro escândalo em que o governo Lula e o PT não estavam no comando. Ia ser "o mensalão dos outros". As primeiras notícias vinham de Alagoas (PSDB), do Maranhão (PDT) e de Sergipe (DEM).
Mas o governo Lula fuma charuto. O "Jornal do Brasil" contou: "O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB), incluiu no Orçamento de 2005 R$ 94,3 milhões para a Gautama de Zuleido Veras... Já o Executivo separou outros R$ 341,9 milhões para projetos com participação da empresa. Na época da inclusão de R$ 94,3 milhões em emendas, Jucá era relator do Orçamento no Congresso. De acordo com Jucá, foi orientação do Ministério do Planejamento. O Planejamento negou a versão de Jucá... No dia em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Navalha, três senadores foram atendidos no serviço médico da casa com pressão alta. Entre eles, Jucá". O líder fuma charuto.
Wagner
Da Bahia, ninho da serpente, onde o PT descobriu Zuleido, a "Folha" conta: "Considerado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner, seu `melhor amigo' (sic), o publicitário Sodré Martins é o dono da firma encarregada (desde 2004) da comunicação da Gautama, de Zuleido Veras. Martins, 57 anos, foi casado com Fátima Mendonça, atual mulher do governador.
Foi Martins quem, segundo a última versão de Wagner, pediu emprestada a Zuleido a lancha em que o governador e a ministra Dilma Rousseff passearam pela baía de Todos os Santos. À época Wagner já fora eleito. Wagner diz que desconhece a ligação de Martins (seu melhor amigo) com Zuleido". O governador fuma charuto.
Sarney
Também na "Folha": "A Gautama de Zuleido Veras e a construtora Better vão erguer o novo aeroporto de Macapá". Macapá, como se sabe, é a capital do Amapá, onde quem manda é o senador Sarney. Quem poderia levar um novo aeroporto e a Gautama de Zuleido para a longínqua Macapá? Só Sarney. O senador fuma charuto.