sexta-feira, junho 08, 2007

Agora é o governo quem diz: meta do PAC não será cumprida

Reinaldo Azevedo

Na Folha On Line. Comento em seguida:
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O governo federal não conseguirá gastar neste ano os mais de R$ 15 bilhões destinados a obras que fazem parte do PAC (Programa para Aceleração do Crescimento). Questionado sobre o baixo nível de execução desses projetos, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) indicou que não será possível gastar todos esses recursos.
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"Não creio. (...) Falta projetos. Alguns estão sendo licitados e outros estão sendo preparados para licitação. Não é uma corrida de 100 metros. É uma corrida de 3 mil, 5 mil metros", afirmou o ministro.
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Entre janeiro e abril do ano passado, o empenho do PPI (Programa Piloto de Investimentos) estava em R$ 16 milhões. Já neste ano, está em R$ 1,921 bilhão, só que esse valor inclui também as obras do PAC que não estão no PPI, que são as obras de infra-estrutura consideradas prioritárias e que podem ser abatidas do resultado primário (receitas menos despesas, excluindo gastos com juros).
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No ano passado, o PPI foi de de R$ 3,005 bilhões e o total de gastos do PAC é de R$ 15,765 bilhões --sendo R$ 11,3 bilhões do PPI.
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De acordo com Bernardo, como o PAC está no início, a velocidade na execução não é tão grande. Lembrou ainda que esse é o plano do governo para quatro anos, e por isso não é necessário tanta pressa no início.Por serem consideradas essenciais para resolver os problemas de gargalos da infra-estrutura no país, as obras do PPI são considerados pelo governo como essenciais para o sucesso do PAC, que tem como objetivo garantir um crescimento da economia de 4,5% neste ano e de 5% a partir do ano que vem.

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Comento
Entramos no sexto mês do segundo mandato e no quinto do PAC. E já se sabe que 25% do programa (o primeiro ano) não vai cumprir a sua meta. Por que o resto cumpriria? O PAC é, como se sabe, uma mera marca publicitária, coisa em que o governo Lula é mestre. A razão é simples e foi apontada por muita gente boa desde a primeira hora: boa parte dos investimentos previstos tem origem na iniciativa privada. O investimento está em expansão, mas o ambiente ainda não é dos melhores. Veja-se o caso da energia, por exemplo, que seria o verdadeiro motor do esforço concentrado para crescer. Sem trocadilho, está tudo empacado.
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Mesmo assim, o país cresce a uma taxa razoável, embora muito menos do que seu parceiros. Em parte, isso se deve ao ambiente mundial; em parte, à competência das empresas, que resolveram fazer a sua parte. A agência de classificação de risco Standard & Poor's, por exemplo, elevou nesta segunda o rating da Gerdau e da Usiminas, ambas para grau de investimento. Em um dos comunicados, a S&P afirmou que a elevação da Gerdau "reflete a melhora dos perfis financeiro e de negócio" da empresa, com fortalecimento da operação na América do Norte e no ambiente doméstico.
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É claro que isso tudo é bom para o Brasil. A média do crescimento brasileiro, no entanto, continuará, se me permitem, medíocre, quase como se não houvesse governo, o que não é de todo mau. O problema é que temos um governo. Que atrapalha. E o caso da energia elétrica, de que já se falou aqui hoje, é o melhor exemplo.