Governo pressiona e parlamentares adiam pedido de CPI mista
A pressão do governo contra a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar desvio de dinheiro em obras públicas a partir da Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal (PF), provocou o adiamento da apresentação do requerimento na secretaria do Congresso para a próxima terça-feira.
O governo tem conseguido sufocar a tentativa de criar a CPMI e já tem um outro documento, no qual deputados da base que assinaram o pedido de CPMI retiram seus apoios. A criação da comissão não tem o apoio de toda a oposição. Nem toda a bancada do DEM assinou o requerimento.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos autores do requerimento, reconhece que o trabalho de recolher assinaturas está no limite e que a pressão do governo está dificultando a obtenção de mais apoios. "Vamos chegar, com muita boa vontade, a 180 assinaturas", afirmou Delgado ontem.
"Não vamos apresentar hoje (ontem), porque existe um trabalho do governo para a retirada dos apoios. Alguns parlamentares ponderaram que é melhor apresentar na semana que vem para tentar trabalhar com uma folga maior", continuou.
De fato, a senha para retirada fora dada. Pela manhã, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, disse acreditar que muitos aliados vão tirar a assinatura do requerimento de instalação da CPI. Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, ele afirmou que o governo respeita a decisão dos parlamentares, mas espera não ver "sandices" nas possíveis investigações da comissão parlamentar de inquérito.
"Fazer uma CPI para ler documentos da Polícia Federal pode ser inócuo", disse. "Não sinto vontade por parte dos deputados de abrir a CPI." Delgado anunciou que 173 deputados assinaram o requerimento e há uma outra assinatura ilegível. São necessários 171 apoios. No Senado, o número mínimo de apoios já foi superado. São 29 assinaturas, duas a mais do que o número exigido.
Por essas contas, o governo deverá conseguir inviabilizar a criação da CPMI, caso os defensores da comissão não consigam uma larga margem de assinaturas para substituir as que deverão ser retiradas. "Sei que já há um requerimento pronto com cerca de 10 ou 15 deputados retirando suas assinaturas. Se entregar o requerimento agora (ontem), meia hora depois vão retirar os apoios", afirmou Delgado.
O deputado contou que, além do governo, as pressões também partem dos colegas que estão contra a CPMI. "Estou mais pressionado do que quando relatei o pedido de cassação do deputado José Dirceu (PT-SP)", disse Delgado. "Um dos deputados me disse que se houver a CPMI vão pegar de 40 a 50 parlamentares envolvidos", disse Delgado, sem revelar o nome do deputado.
ENQUANTO ISSO...
Planalto prepara "trem da alegria" para PMDB
Além dos acertos para contemplar o PMDB com a divisão da vice-presidência de Governo e Agronegócio do Banco do Brasil em duas unidades, o Palácio do Planalto deve anunciar, nos próximos dias, novas nomeações para cargos do segundo escalão. Serão postos com peso político para designar assessores e comandar órgãos federais nos estados.
E o PMDB deve ganhar ainda mais espaço. Na próxima semana, o governo também pode anunciar diretores da área do sistema elétrico, especialmente da estatal Furnas. Oficializadas no Banco do Brasil, as mudanças nas vice-presidências da Caixa Econômica Federal também estão próximas de ser concretizadas.
A pressão do governo contra a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar desvio de dinheiro em obras públicas a partir da Operação Navalha, desencadeada pela Polícia Federal (PF), provocou o adiamento da apresentação do requerimento na secretaria do Congresso para a próxima terça-feira.
O governo tem conseguido sufocar a tentativa de criar a CPMI e já tem um outro documento, no qual deputados da base que assinaram o pedido de CPMI retiram seus apoios. A criação da comissão não tem o apoio de toda a oposição. Nem toda a bancada do DEM assinou o requerimento.
O deputado Júlio Delgado (PSB-MG), um dos autores do requerimento, reconhece que o trabalho de recolher assinaturas está no limite e que a pressão do governo está dificultando a obtenção de mais apoios. "Vamos chegar, com muita boa vontade, a 180 assinaturas", afirmou Delgado ontem.
"Não vamos apresentar hoje (ontem), porque existe um trabalho do governo para a retirada dos apoios. Alguns parlamentares ponderaram que é melhor apresentar na semana que vem para tentar trabalhar com uma folga maior", continuou.
De fato, a senha para retirada fora dada. Pela manhã, o ministro de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, disse acreditar que muitos aliados vão tirar a assinatura do requerimento de instalação da CPI. Em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, ele afirmou que o governo respeita a decisão dos parlamentares, mas espera não ver "sandices" nas possíveis investigações da comissão parlamentar de inquérito.
"Fazer uma CPI para ler documentos da Polícia Federal pode ser inócuo", disse. "Não sinto vontade por parte dos deputados de abrir a CPI." Delgado anunciou que 173 deputados assinaram o requerimento e há uma outra assinatura ilegível. São necessários 171 apoios. No Senado, o número mínimo de apoios já foi superado. São 29 assinaturas, duas a mais do que o número exigido.
Por essas contas, o governo deverá conseguir inviabilizar a criação da CPMI, caso os defensores da comissão não consigam uma larga margem de assinaturas para substituir as que deverão ser retiradas. "Sei que já há um requerimento pronto com cerca de 10 ou 15 deputados retirando suas assinaturas. Se entregar o requerimento agora (ontem), meia hora depois vão retirar os apoios", afirmou Delgado.
O deputado contou que, além do governo, as pressões também partem dos colegas que estão contra a CPMI. "Estou mais pressionado do que quando relatei o pedido de cassação do deputado José Dirceu (PT-SP)", disse Delgado. "Um dos deputados me disse que se houver a CPMI vão pegar de 40 a 50 parlamentares envolvidos", disse Delgado, sem revelar o nome do deputado.
ENQUANTO ISSO...
Planalto prepara "trem da alegria" para PMDB
Além dos acertos para contemplar o PMDB com a divisão da vice-presidência de Governo e Agronegócio do Banco do Brasil em duas unidades, o Palácio do Planalto deve anunciar, nos próximos dias, novas nomeações para cargos do segundo escalão. Serão postos com peso político para designar assessores e comandar órgãos federais nos estados.
E o PMDB deve ganhar ainda mais espaço. Na próxima semana, o governo também pode anunciar diretores da área do sistema elétrico, especialmente da estatal Furnas. Oficializadas no Banco do Brasil, as mudanças nas vice-presidências da Caixa Econômica Federal também estão próximas de ser concretizadas.
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A substituição do atual vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais, Fernando Nogueira, pelo ex-deputado Moreira Franco, do PMDB do Rio de Janeiro, já é dada como certa. A indicação do ex-presidente nacional do PMDB Paes de Andrade para uma vice-presidência da Caixa é outra especulação com grande probabilidade de se tornar realidade, de acordo com informações de técnicos da instituição.
Varejo
Com a decisão do governo de dar emprego ao senador e candidato derrotado ao governo de Goiás Maguito Vilela (PMDB) e a Luiz Carlos Guedes Pinto, o Banco do Brasil passa a contar agora com nove vice-presidentes. Dentro da nova estrutura da instituição, também foi criada a vice-presidência de Varejo, que será ocupada por um funcionário de carreira.
De acordo com fontes do Banco do Brasil, uma mudança como esta promovida pelo governo vai implicar aumento de custos da instituição. Sem levar em conta os encargos trabalhistas, as estimativas são de que haverá um gasto adicional de aproximadamente R$ 40 mil por mês com o pagamento de salários.
Em comunicado oficial ao mercado, o banco argumenta que as mudanças têm por objetivo "potencializar o ingresso do BB em novos negócios de varejo e aprimorar a atuação da empresa no mercado de agronegócio e governo".
COMENTANDO A NOTÍCIA: O adiamento é ruim para oposição. Vai permitir que o “trem da alegria” para o PMDB mas também o uso descarado de liberações de emendas do Orçamentos, seja usadas como moeda de troca para que algumas assinaturas sejam retiradas com o intuito de esvaziar o movimento pela CPI. Na verdade, já há CPI demais para o entendidmento do governo. Mais uma, teria o dom de paralisar a votação de projetos de importante interesse para o governo, além de brecar o andamento da máquina pública, já em ritmo lento por conta das greves que pipocam por todo o país.
Todo este quadro, para quem precisa apresentar um crescimento do PIB mais robusto no final do ano, mirando já as eleições de 2008, seria desastroso. Além, é claro, das implicações decorrentes das investigações que a CPI permitiria fazer e o uso político que a oposição até poderia fazer.
Por tudo isto, o adiamento pode acabar inviabilizando a CPI de vez.
A substituição do atual vice-presidente de Finanças e Mercado de Capitais, Fernando Nogueira, pelo ex-deputado Moreira Franco, do PMDB do Rio de Janeiro, já é dada como certa. A indicação do ex-presidente nacional do PMDB Paes de Andrade para uma vice-presidência da Caixa é outra especulação com grande probabilidade de se tornar realidade, de acordo com informações de técnicos da instituição.
Varejo
Com a decisão do governo de dar emprego ao senador e candidato derrotado ao governo de Goiás Maguito Vilela (PMDB) e a Luiz Carlos Guedes Pinto, o Banco do Brasil passa a contar agora com nove vice-presidentes. Dentro da nova estrutura da instituição, também foi criada a vice-presidência de Varejo, que será ocupada por um funcionário de carreira.
De acordo com fontes do Banco do Brasil, uma mudança como esta promovida pelo governo vai implicar aumento de custos da instituição. Sem levar em conta os encargos trabalhistas, as estimativas são de que haverá um gasto adicional de aproximadamente R$ 40 mil por mês com o pagamento de salários.
Em comunicado oficial ao mercado, o banco argumenta que as mudanças têm por objetivo "potencializar o ingresso do BB em novos negócios de varejo e aprimorar a atuação da empresa no mercado de agronegócio e governo".
COMENTANDO A NOTÍCIA: O adiamento é ruim para oposição. Vai permitir que o “trem da alegria” para o PMDB mas também o uso descarado de liberações de emendas do Orçamentos, seja usadas como moeda de troca para que algumas assinaturas sejam retiradas com o intuito de esvaziar o movimento pela CPI. Na verdade, já há CPI demais para o entendidmento do governo. Mais uma, teria o dom de paralisar a votação de projetos de importante interesse para o governo, além de brecar o andamento da máquina pública, já em ritmo lento por conta das greves que pipocam por todo o país.
Todo este quadro, para quem precisa apresentar um crescimento do PIB mais robusto no final do ano, mirando já as eleições de 2008, seria desastroso. Além, é claro, das implicações decorrentes das investigações que a CPI permitiria fazer e o uso político que a oposição até poderia fazer.
Por tudo isto, o adiamento pode acabar inviabilizando a CPI de vez.