sexta-feira, junho 08, 2007

Amigos de Lula estão entre os suspeitos

Veja online

As investigações da Polícia Federal (PF) que levaram à descoberta de uma quadrilha de contrabando, tráfico de drogas e exploração de caça-níqueis desmontada pela Operação Xeque-Mate na segunda-feira se aproximam cada vez mais de pessoas ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além do suposto envolvimento de seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, o Vavá, cuja casa foi revistada pelos policiais, outros dois presos pela operação mantinham relações de proximidade com Lula.

Dentre os 79 suspeitos detidos pela PF entre segunda e terça está o compadre do presidente, Dario Morelli Filho, assessor técnico da Companhia de Saneamento de Diadema (Saned), na Grande São Paulo. Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pela Folha de S. Paulo, Morelli era uma espécie de "faz-tudo" da família de Lula. Ao lado de Freud Godoy e José Carlos Espinoza, que tiveram envolvimento no caso do dossiê contra tucanos em 2006, Morelli sempre atuou na área de "segurança e inteligência".

Na segunda metade dos anos 80 e na primeira dos 90, os três trabalharam em campanhas do PT. Em 1994, Morelli integraria o esquema de escolta do então candidato do PT ao governo de São Paulo, José Dirceu. Fez também fez alguns trabalhos para o diretório nacional do PT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC até montar sua própria firma de vigilância privada, nos anos 90. Contudo, de 1997 até ser preso nesta segunda, Morelli ocupou cargos públicos, sempre indicado pelo PT. A exemplo de Freud e Espinoza, Morelli continuou prestando serviços para o partido e para a família de Lula, especialmente para Vavá.

‘Cara-de-pau’ –
Outro capturado pela PF nesta terça, como parte da mesma operação, foi o ex-deputado estadual pelo Paraná Nilton Servo, acusado de ser um dos chefes da máfia dos caça-níqueis. Servo era presidente licenciado da Associação Nacional de Bingos e Jogos em 2004, quando Lula determinou o fechamento das casas de bingo no país por conta do escândalo Waldomiro Diniz, assessor do Planalto flagrado pagando propina a um empresário do ramo de jogos.

Por conta de seus interesses pela liberação da jogatina no Brasil, o político se aproximou de Lula. Em outra reportagem da mesma Folha, Servo conta, em entrevista concedida em 2004, que conheceu "Lula desde a formação do PT", mas que começou a manter relações "de amigo" com o presidente depois de 1999. "Se eu passasse por São Paulo, procurava me encontrar com ele. Sem agendar. Assim como se fosse cara-de-pau", afirmou então à reportagem. Ele contou ainda que, antes do fechamento das casas de bingo, tentou pressionar Lula a regularizar a atividade no país.

O advogado de Nilton Servo, Eldes Rodrigues, negou que seu cliente mantenha casas de exploração de jogos de azar. O filho de Servo, Nilton Cezar II, manteve uma casa de bingo em Campo Grande até o ano passado, mas, segundo o advogado, "tudo dentro da lei", com o apoio de uma liminar.
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Segundo ele, a proximidade de seu cliente com Lula acabou depois que ele foi eleito, e Servo não teria "nunca" visitado o presidente desde a primeira posse, em janeiro de 2003. Rodrigues primeiro usou o termo "amigo", que depois corrigiu para "próximo", para explicar a suposta relação de Servo com o presidente Lula.