Pedro Doria, NoMínimo
O que há, afinal, com Cuba? Um artigo de Bella Thomas, publicado na revista britânica Prospect (de esquerda), ajuda a jogar uma luz fora dos discursos habituais à esquerda e à direita.
A contínua hostilidade norte-americana sempre funcionou a favor de Fidel Castro. É pela imagem do líder nacionalista de uma pequena ilha resistindo a um superpoder agressivo seu vizinho que Fidel se manteve com a aparência de revolucionário. Os problemas de seu país, ele argumentou com relativo sucesso, são atribuídas ao embargo dos EUA. Muitos engoliram a versão. Ele também soube capitalizar o crescente anti-americanismo na América Latina, Canadá e Europa, dando a sua luta particular um apelo universal.
Na verdade, o regime para se contorcer para manter o embargo ativo. Quando parece que o governo norte-americano pode cogitar seu fim, alguma ação do governo cubano faz com que mude de idéia rapidamente. Em 1996, quando o governo Clinton deu início a uma reaproximação, Cuba derrubou dois aviões norte-americanos tripulados por cubanos exilados que resgatava gente que fugia do país em jangadas. Quando, em 2003, um influente lobby bipartidário nos EUA ameaçou ter sucesso no rompimento do embargo, Havana de presto mandou para a cadeia 75 opositores e executou três homens que roubaram um barco na tentativa de fugir para Miami.
Não é só o charme resistente de Fidel, evidentemente. O petróleo barato venezuelano ajuda no sustento do regime, assim como os favores chineses. Mas, em grande parte, o que persiste é esta mitologia de que Cuba soube fazer alguma coisa.
Isto é gritante, principalmente, no caso de sua medicina. A mais recente peça de propaganda da medicina cubana é o novo filme de Michael Moore. Mas, quando se vai conhecer a realidade, os hospitais para os quais os cubanos vão são lastimáveis. Não são os mesmos que atendem os estrangeiros. Muitas vezes, é preciso suborno para conseguir ser atendido. Há muitos médicos, de fato, mas quem não se exilou tem parcas condições de atender.
Quando adoeceu, Fidel Castro se tratou com um médico espanhol.
O salário médio em Cuba é de 20 dólares por mês. Isto quer dizer que dá para se alimentar com esforço. Cuba é um país profundamente pobre e em suspenso, à espera de um Godot que nunca vem, encarnado neste momento futuro no qual Fidel não haverá mais. O sonho é trabalhar no serviço de turismo – um de seus amigos, advogado, se empregou como faxineiro de hotel para ter uma vida decente. São as gorjetas.
É preciso um bocado de fé para acreditar em Cuba. Talvez tenha sido um sonho bonito, um dia. Talvez tenha até tido boas intenções. Mas o paredón já dava indícios de em que o regime iria se transformar. É um mito da esquerda, um mito ao qual ela se agarra nostálgica do tempo em que o mundo era maniqueísta. Mas é só mito.
Cuba é um fracasso.
Hora de buscar soluções para o mundo de verdade.
O que há, afinal, com Cuba? Um artigo de Bella Thomas, publicado na revista britânica Prospect (de esquerda), ajuda a jogar uma luz fora dos discursos habituais à esquerda e à direita.
A contínua hostilidade norte-americana sempre funcionou a favor de Fidel Castro. É pela imagem do líder nacionalista de uma pequena ilha resistindo a um superpoder agressivo seu vizinho que Fidel se manteve com a aparência de revolucionário. Os problemas de seu país, ele argumentou com relativo sucesso, são atribuídas ao embargo dos EUA. Muitos engoliram a versão. Ele também soube capitalizar o crescente anti-americanismo na América Latina, Canadá e Europa, dando a sua luta particular um apelo universal.
Na verdade, o regime para se contorcer para manter o embargo ativo. Quando parece que o governo norte-americano pode cogitar seu fim, alguma ação do governo cubano faz com que mude de idéia rapidamente. Em 1996, quando o governo Clinton deu início a uma reaproximação, Cuba derrubou dois aviões norte-americanos tripulados por cubanos exilados que resgatava gente que fugia do país em jangadas. Quando, em 2003, um influente lobby bipartidário nos EUA ameaçou ter sucesso no rompimento do embargo, Havana de presto mandou para a cadeia 75 opositores e executou três homens que roubaram um barco na tentativa de fugir para Miami.
Não é só o charme resistente de Fidel, evidentemente. O petróleo barato venezuelano ajuda no sustento do regime, assim como os favores chineses. Mas, em grande parte, o que persiste é esta mitologia de que Cuba soube fazer alguma coisa.
Isto é gritante, principalmente, no caso de sua medicina. A mais recente peça de propaganda da medicina cubana é o novo filme de Michael Moore. Mas, quando se vai conhecer a realidade, os hospitais para os quais os cubanos vão são lastimáveis. Não são os mesmos que atendem os estrangeiros. Muitas vezes, é preciso suborno para conseguir ser atendido. Há muitos médicos, de fato, mas quem não se exilou tem parcas condições de atender.
Quando adoeceu, Fidel Castro se tratou com um médico espanhol.
O salário médio em Cuba é de 20 dólares por mês. Isto quer dizer que dá para se alimentar com esforço. Cuba é um país profundamente pobre e em suspenso, à espera de um Godot que nunca vem, encarnado neste momento futuro no qual Fidel não haverá mais. O sonho é trabalhar no serviço de turismo – um de seus amigos, advogado, se empregou como faxineiro de hotel para ter uma vida decente. São as gorjetas.
É preciso um bocado de fé para acreditar em Cuba. Talvez tenha sido um sonho bonito, um dia. Talvez tenha até tido boas intenções. Mas o paredón já dava indícios de em que o regime iria se transformar. É um mito da esquerda, um mito ao qual ela se agarra nostálgica do tempo em que o mundo era maniqueísta. Mas é só mito.
Cuba é um fracasso.
Hora de buscar soluções para o mundo de verdade.