Leandro Mazzini , Jornal do Brasil
Com o agravamento da crise aérea no país, o anúncio do governo federal sobre a redução das operações do Aeroporto de Congonhas e a construção de um novo terminal de grande porte em São Paulo soou mais como manobra política do que solução técnica, avaliam três conhecidos especialistas do setor. Eles acreditam que Congonhas, o mais movimentado do Brasil e motivo da polêmica entorno do acidente com o Airbus da TAM, tem condições de continuar a operar como vem acontecendo. Mas precisaria de medidas enérgicas no item segurança.
- Não é a melhor solução a construção de um novo aeroporto - analisa Luís Alexandre Fuccille, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.
- Não estou entre os defensores do fechamento de Congonhas, seja pelo que o governo já gastou ou pelo que planeja investir ali.
Para o professor, a "falta de seriedade na construção de políticas públicas falhou em Congonhas". Os governos não poderiam ter deixado a cidade "engolir" a pista, que tem 1.930 metros e é cercada por prédios.
- A pista não é curta, dá para decolar e aterrissar tranqüilamente - avalia Adyr da Silva, especialista em aviação civil e professor da Universidade de Brasília. - Estamos caminhando para um esgotamento no setor. Pensar num outro aeroporto em São Paulo é inteligente, mas a necessidade não é imediata.
O Ministério Público, no entanto, defende o fechamento completo do aeroporto. Na visão dos estudiosos do setor, o problema de Congonhas não é a super operação. O terminal tem condições de receber os 18 milhões de passageiros por ano, lembram. Mas o governo deve investir em segurança. Bastam a construção dos groovings (ranhuras na pista que servem para o escoamento da água em dias de chuvas) e de barreiras de contenção. Na sexta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou as duas obras. E avisou também que o governo vai proibir conexões no terminal dentro de 60 dias.
Professor do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros lembra que o governo, tardiamente, começa a se preocupar com a segurança em Congonhas, o que deveria ter sido feito pela Infraero - estatal que administra os aeroportos - há muito tempo, em vez de investir nos aeroshoppings.
- Não acho que haja excesso em Congonhas. A solução de cortar vôos é política, e não técnica - diz Medeiros. - Congonhas já operou com 50 vôos por hora, baixou para 44, e vai ficar com 36. A redução do movimento é paliativa. É preciso segurança técnica. Só um novo terminal não resolve e acaba transferindo o perigo para outro lugar, porque sem segurança de vôo, a probabilidade de um avião cair é a mesma em outro aeroporto.
Luís Fuccille concorda.
- Temos que operar maximizando as salvaguardas. Algumas ações de custo baixo podem ser adotadas em Congonhas. Os groovings não são obrigatórios, mas são indispensáveis em pistas como a de Congonhas. Outra medida seria a construção ali de um "bolsão" de concreto poroso (que se quebraria e reduziria a velocidade do avião numa possível derrapagem).
Os especialistas também apontam algumas soluções de curto prazo para Congonhas. Falam em uma reestruturação completa do marco regulatório para o setor aéreo - o atual é da década de 60.
- Uma melhor utilização da malha em Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas) seria bem vinda. E, paralelamente, a construção de uma via de transporte direta ligando Congonhas e Guarulhos - diz Fuccille.
O governo de São Paulo já anunciou obras para um trem que ligará Cumbica ao Centro da capital em 20 minutos.
Com o agravamento da crise aérea no país, o anúncio do governo federal sobre a redução das operações do Aeroporto de Congonhas e a construção de um novo terminal de grande porte em São Paulo soou mais como manobra política do que solução técnica, avaliam três conhecidos especialistas do setor. Eles acreditam que Congonhas, o mais movimentado do Brasil e motivo da polêmica entorno do acidente com o Airbus da TAM, tem condições de continuar a operar como vem acontecendo. Mas precisaria de medidas enérgicas no item segurança.
- Não é a melhor solução a construção de um novo aeroporto - analisa Luís Alexandre Fuccille, pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp.
- Não estou entre os defensores do fechamento de Congonhas, seja pelo que o governo já gastou ou pelo que planeja investir ali.
Para o professor, a "falta de seriedade na construção de políticas públicas falhou em Congonhas". Os governos não poderiam ter deixado a cidade "engolir" a pista, que tem 1.930 metros e é cercada por prédios.
- A pista não é curta, dá para decolar e aterrissar tranqüilamente - avalia Adyr da Silva, especialista em aviação civil e professor da Universidade de Brasília. - Estamos caminhando para um esgotamento no setor. Pensar num outro aeroporto em São Paulo é inteligente, mas a necessidade não é imediata.
O Ministério Público, no entanto, defende o fechamento completo do aeroporto. Na visão dos estudiosos do setor, o problema de Congonhas não é a super operação. O terminal tem condições de receber os 18 milhões de passageiros por ano, lembram. Mas o governo deve investir em segurança. Bastam a construção dos groovings (ranhuras na pista que servem para o escoamento da água em dias de chuvas) e de barreiras de contenção. Na sexta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, anunciou as duas obras. E avisou também que o governo vai proibir conexões no terminal dentro de 60 dias.
Professor do Departamento de Transportes da Escola Politécnica da USP, Jorge Eduardo Leal Medeiros lembra que o governo, tardiamente, começa a se preocupar com a segurança em Congonhas, o que deveria ter sido feito pela Infraero - estatal que administra os aeroportos - há muito tempo, em vez de investir nos aeroshoppings.
- Não acho que haja excesso em Congonhas. A solução de cortar vôos é política, e não técnica - diz Medeiros. - Congonhas já operou com 50 vôos por hora, baixou para 44, e vai ficar com 36. A redução do movimento é paliativa. É preciso segurança técnica. Só um novo terminal não resolve e acaba transferindo o perigo para outro lugar, porque sem segurança de vôo, a probabilidade de um avião cair é a mesma em outro aeroporto.
Luís Fuccille concorda.
- Temos que operar maximizando as salvaguardas. Algumas ações de custo baixo podem ser adotadas em Congonhas. Os groovings não são obrigatórios, mas são indispensáveis em pistas como a de Congonhas. Outra medida seria a construção ali de um "bolsão" de concreto poroso (que se quebraria e reduziria a velocidade do avião numa possível derrapagem).
Os especialistas também apontam algumas soluções de curto prazo para Congonhas. Falam em uma reestruturação completa do marco regulatório para o setor aéreo - o atual é da década de 60.
- Uma melhor utilização da malha em Cumbica (Guarulhos) e Viracopos (Campinas) seria bem vinda. E, paralelamente, a construção de uma via de transporte direta ligando Congonhas e Guarulhos - diz Fuccille.
O governo de São Paulo já anunciou obras para um trem que ligará Cumbica ao Centro da capital em 20 minutos.