segunda-feira, julho 23, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

COM MENTIRAS LULA NÃO ACABARÁ COM A CRISE AÉREA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Nos Estados Unidos da América, um presidente que mente terá que responder a um processo de impeachment. Nixon precisou renunciar para não ser despojado do poder por sonegar informações e por mentir à Nação. Mais tarde, Bill Clinton passou maus bocados não por suas aventurosas amorosas na Casa Branca, mas por tentar enganar o Congresso e os americanos.

No Brasil, Lula fez da mentira seu princípio moral de conduta. Desde que assumiu, e até em campanhas eleitorais, Lula nunca sentiu pejo em mentir, em enganar, em falsear, em mistificar. Faz parte de sua personalidade.

Depois de 73 horas de silêncio sobre o acidente com o Airbus da TAM, Lula foi à televisão para falar à Nação. De tudo que disse, e nós já analisamos algumas das”propostas” e “medidas” anunciadas, a mais escandalosamente cretina é de que, doravante, o governo vai agir, vai investir, e prestem atenção: que o GOVERNO FEDERAL JÁ INVESTIU MUITO E AINDA INVESTIRÁ MUITO MAIS PARA ACABAR COM A CRISE. “Farei o impossível” disse Lula. É? Nem me diga, Lula ! Se tivesse feito o possível, acredite, não haveria nem crise nem tantos mortos em conseqüência dela.

Mas vamos ver onde fica a “boa intenção” deste governante que se vende como um sábio: o apagão aéreo começou seu torvelinho de emoções fortes com a queda do Boeing da Gol, em setembro de 2006. De lá para cá, pouco a pouco, o país foi descobrindo uma teia de descalabros e desmandos no setor de controle aéreo como nunca se viu em nossa história. Numa hora, descobrimos que a INFRAERO além de cobrar “mensalão” de empresários, ainda super-faturou as obras de remodelação de aeroportos. Os relatórios do TCU aí estão para comprovar que a acusação é verdadeira. Depois, descobrimos que a ANAC que deveria atuar para fazer com que as empresas de aviação comercial cumprisse todos os regulamentos que regulam a atividade, e atender prioritariamente aos passageiros e usuários, vendeu-se e passou a atuar em favor das empresas e seus interesses exclusivamente comerciais.

Descobrimos, também, que a partir da divisão do controle de tráfego abrindo portas para a contratação de servidores civis, o setor entrou em ebulição, e um processo de sindicalização imoral acabou por destruir toda a autoridade sobre esta estratégica área que antes era comandada exclusivamente pela Aeronáutica.

Depois, descobrimos que o governo Lula, alertado em diferentes ocasiões por relatórios da Aeronáutica sobre a possível ameaça de apagão, ignorou todos os avisos, contingenciou os recursos e não fez os investimentos indispensáveis para evitar o apagão.

Já dentro da crise, descobrimos que existem tanta gente e tantos órgãos para controlar e comandar uma única atividade, que acabou virando uma zorra total, onde cada um empurra a culpa para outro, e ação que é bom, nada.

Lula várias vezes provocou reuniões, escalou diferentes atores para comandar um processo de resolução dos problemas. Nada aconteceu, nem tampouco as medidas anunciadas e recomendadas foram levadas adiante.

Agora, novamente, anuncia uma espécie de pacote, dentro do qual existem providências que se pede há mais de um ano, e que o governo simplesmente ignorou.

Porém, dentre as medidas que exigem investimentos, esqueçam: é pura mentira. Que o governo está preocupado com setor, que está envidando esforços para um ponto final no apagão, também ignorem. Este governo mente, Lula mente, e a turma que o cerca, além de imoral, obscena, incompetente e irresponsável, não está se importando a mínima para o que está acontecendo nos aeroportos e no controle de tráfego aéreo. Para eles todos, Lula inclusive, o importante é fazer obras que destinem alguns grãos para o caixa do partido. As obras que a INFRAERO executou sob o comando de Carlos Wilson ainda serão investigadas, e isto ainda ficará muito claro. E sempre se cuidará muito mais da perfumaria do que do essencial.

Em duas reportagens primorosas, o Jornal do Brasil traz a prova de que o dito acima é o quadro real de como o apagão não tem data para acabar. Pelo menos no que depender destes pilantras que ocupam tanto a INFRAERO, quanto ANAC.

Na primeira reportagem, vejam vocês o governo que se diz interessado em acabar com a crise, ficamos sabendo que ele simplesmente congelou o fundo aeronáutico. É um acinte. Do Orçamento previsto para as obras de melhorias nos aeroportos, ainda não se gastou um centavo. E os dois fundos que fariam e bancariam os investimentos, que como se vê são inadiáveis, simplesmente estão congelados engordando o superávit primário. E a bagatela soma mais de R$ 2,600 bilhões, paradinhos. Para o governo é mais importante pagar juros da dívida pública do que tratar de garantir a vida dos brasileiros que viajam de avião. O montante gasto até aqui no setor aeroportuário foram bancados com recursos próprios da INFRAERO. O total gasto desta forma atingiu, até julho deste ano, a cifra de R$ 320,0 milhões.

Vocês dirão: mas investimentos de R$ 320,0 milhões não sinalizam a intenção de resolver o problema ? Seria, se o grosso deste dinheiro tivesse sido canalizado para a segurança. São muitas obras, sim, mas pouca segurança. E esta é a segunda reportagem do Jornal do Brasil que reproduziremos a seguir.

Assim, dá pra gente se armar e dizer: Lula, você é um incorrigível mentiroso e enganador. E, por certo, não serão mentiras que acabarão com a crise. Até pelo contrário: a tendência é piorar. Seria ótimo dizer que, todo este quadro de pavor, pelos quais passam os aeroportos do país, já não existem mais. Pelo menos, a real ameaça de novas tragédias estaria afastada. Infelizmente, não é bem assim. Enquanto Lula insistir em manter o bando de incompetentes responsáveis diretos pelo descalabro, será impossível debelar a crise. Enquanto o próprio Lula insistir e teimar em ignorar que a crise é real, que fruto dela muita gente já morreu e que podem morrer muito mais, de forma estúpida, os aeroportos e os céus do Brasil serão um perigo real em tempo real.

Ninguém deseja novas tragédias. Ninguém deseja a balbúrdia que se verifica no setor de aviação do país. As exceções são Lula e os irresponsáveis e obscenos auxiliares que ele teima em manter em seus postos. Para estes crápulas, que têm viagem garantida e no horário nos jatinhos da FAB, o problema parece não existir, nem tampouco os afetar. Em consequência, precisará a sociedade se mexer, provocar baderna, fazer esta gente sentir o repúdio e a repulsa pelos seus desmandos, do contrário, tudo continuará igual: um inferno.

Mas vale o alerta: Lula não se deu conta do preço político que terá que pagar por sua omissão, desídia e negligência. A tendência é de que, em qualquer lugar do Brasil por onde venha passar, a vaia o acompanhe, os protestos se façam sentir de forma cada mais intensa. Lula está enterrando mais e mais o seu governo na mediocridade. A ação deprimente de seu aspone salafrário, Marco Aurélio Garcia, não ficará impune diante da opinião pública. Ao mantê-lo no lugar em que se encontrava antes, Lula está dando o tom do tipo de governo que instalou no país, e do tipo de promiscuidade que têm mantido na sua relação com o povo brasileiro. É bom saber que não serão bolsas esmolas que calarão o povo: quando os cadáveres se amontoam fica difícil mentir e convencer, fica difícil enganar e mistificar. Cadáveres não falam, mas o silêncio da morte é, quiçá, o protesto maior capaz de abalar qualquer governo, por mais populista e descarado que tente ser.

As reportagens do Jornal do Brasil seguem nos dois posts seguintes.