domingo, julho 22, 2007

TRAPOS & FARRAPOS...

A FALTA DE MORAL DOS HOMENS NO PODER, FAZ O PODER NÃO TER MORAL ALGUMA.
Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Duas falas feitas por personalidades políticas distintas, e que não consta haverem combinado entre si alguma forma de “eu digo isto, você diz aqui”, guardam sim uma espécie de complemento acabam por justapor-se no momento atual pelo qual passa o país, principalmente a partir da chegada de Lula ao Planalto.

Vejamos a primeira, de José Carlos Aleluia (DEM-Ba):

'Não adianta mexer. Lula é a crise'

"Há um clamor nacional contra os desmandos de Lula e seus companheiros", diz o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA), em relação à cobrança da demissão de Waldir Pires (Defesa), de Marco Aurélio Garcia, de Marta Suplicy (Turismo), de José Carlos Pereira (Infraero). O parlamentar pergunta quantos assessores já foram demitidos, desde o início do governo Lula, por corrupção e incompetência. Para Aleluia, o problema não é a equipe, é o técnico. "A crise é Lula. A incompetência começa e termina em Lula", diz Aleluia.

Desde que estourou o primeiro grande escândalo do governo Lula, o presidente tem passado ao largo das crises. Depois tivemos o mensalão, sanguessugas, vampiros, cartilhas, dossiê anti-tucanos, dentre tantos outros mais. Sempre o que se tinha era um daqueles absurdos muito bem produzidos pelos agentes do poder no sentido único de blindar Lula contra tudo e contra todos.

Poucos, muito poucos se deram conta de um detalhe interessante:

1º Todos os petistas envolvidos eram auxiliares nomeados por Lula, faziam parte de sua cota de escolha, e todos eram amigos de longa data. Caminharam na política lado a lado, braços dados, falando a mesma linguagem, usando dos mesmos artifícios, e envoltos em um objetivo comum: chegar ao poder.

2º O presidente eleito foi Lula, o governo tem a sua marca, é ele quem determina o quê e quem faz as escolhas das políticas e programas, dá o tom, escolhe os caminhos e os que se responsabilizarão por executar as tarefas.

Ora, se um auxiliar trai o presidente, o safado é o auxiliar. Porém, quando são muitos os auxiliares que traem este presidente, então este presidente tem um problema sério que é o não saber escolher estes auxiliares. Ou, hipótese bastante, escolhe os auxiliares, lhe diz o que devem fazer mas adverte, tipo gravação do missão impossível: caso seja pego com a boca na botija, esta presidência negará qualquer ligação e não se responsabilizará pelos problemas que surgirem.

É incrível como as versões cretinas de que o presidente nada tenha haver com as crises e os escândalos de corrupção nascidos, crescidos e descobertos dentro do seu próprio governo. Se o corrupto não é o presidente e sim seus auxiliares, no mínimo o que se pode imaginar que este presidente seja muito incompetente pela capacidade extraordinária de escolher auxiliares canalhas.

O que tem de ficar bem claro à vista de todos é que o governo é do presidente Lula. Os auxiliares foram escolhidos e empossados por ele. As políticas e programas que eles se encarregam de executar são escolhas e opções do presidente. Portanto, não se pode, de maneira alguma, dissociar o comandante de seu comandado. É um absurdo. E é justamente esta consciência que está faltando aos brasileiros. A lógica de José Carlos Aleluia tem uma clareza espartana: o problema não é da equipe, e sim do técnico que escolhe o esquema tático e os jogadores que o executarão. Tanta proximidade e cumplicidade entre comandante e comandados, anos a fio, não pode ser separada ou dissociada na hora em que aparecem crises ou estouram escândalos e mais escândalos de corrupção. Um homem não pode ser traído com tanta facilidade por amigos históricos, de 15, 20 ou mais anos.

A conclusão a que se chega é a de que o problema da corrupção e da corrupção existentes em larga escala neste governo, começa e termina em Lula.

E aí a correlação fica mais fácil de ser entendida a partir do que diz o próprio Lula:

Não importa discutir causas. A responsabilidade pela solução dos problemas é do governo, e disso não podemos fugir.

É Lula, se “explicando” sobre a crise aérea. Mas não se pode achar que esta “explicação" seja algo isolado. Faz parte de uma mecânica de governo, em que a ação de governar é ditada pelo presidente que está acima de todos os seus auxiliares, sejam assessores de porra nenhuma ou ministros de estado.

Como também não se pode aceitar, como quer o presidente, olhar-se apenas para soluções. Há uma lei física que parece Lula querer ignorar, a de que não efeito sem causa. Para se chegar as soluções é preciso primeiro entender quais as razões que estão provocando problemas, problemas que estão reclamando soluções. Sem se equacionar todas as questões, tentar achar “solução” é dar um tiro no escuro.

E os problemas estão nascendo aonde afinal ? Não seriam nos programas de governo por acaso ? Não seriam nas diretrizes de governabilidade implementadas pelo presidente ? Ou na sua forma de entender e governar o país ? Seria prudente que os críticos e os analistas se debruçassem um pouco sobre tais questões. Correlacionar efeitos e causas da ação de governar faz com que passemos a enxergar coisas muito óbvias e que estão sendo deixadas de lado em nome de uma tal governabilidade que arrasta o país para o caos e para um abismo incomensurável.

Claro que seria ótimo que Lula também raciocinasse nestes mesmos termos. Poderia talvez criar mecanismos que evite tantas más escolhas. Porém, se estas derrapagens na ação de governar fossem esporádicas, até se poderia engolir as histórias de traição. Mas não acredito nesta versão. Os assessores fazem corrupção, porque a corrupção está encravada não na sociedade brasileira, mas nas políticas de governo que abre as portas e convidam alguns privilegiados para dançar. A partir desta visão do governo Lula fica bem mais fácil entender o nosso momento medíocre: a mediocridade está no chefe e na sua forma de governar. Sendo assim, é rezar para chegarmos vivos em 2010 para aproveitar a oportunidade de mudança. Precisaremos, sem dúvida, mudar a merda e as moscas. Ficando um ou outro, não conseguiremos sair do abismo. Menos mal que, dentro do petê, não existam opções para a sucessão de Lula. Que a oposição aproveite a oportunidade para retomar o comando do país. É o único meio de escaparmos do atraso e do mar lama espalhado na administração federal.

Mas claro que Lula vai manter todos eles, inclusive seu aspone cretino. E sabem por quê? Eles são a “moral” do governo. Quando o comandante não tem princípio moral algum, não consegue ter consciência de que tais princípios fazem falta aos seus comandados. A marca do governo Lula é justamente esta: um governo sem princípios morais, sem escrúpulos, sem dignidade, sem ética, sem honra, sem decência. Para o governo ter um contrário a tudo isto, em resumo, para termos um governo digno, honrado e responsável seria preciso que o presidente tivesse um mínimo de caráter, coisa que, pelas bandas do Planalto, está em falta desde janeiro de 2003...

Assim, a conclusão a que se chega é uma só: a falta de moral dos homens no poder, faz o poder não ter moral alguma.