segunda-feira, agosto 20, 2007

Como vivem 5 dos 40 lulistas acusados no mensalão

Reinaldo Azevedo
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O STF decide na quarta-feira próxima, dia 22, se abre ação penal contra os 40 acusados de envolvimento com o mensalão. Tudo leva a crer que sim. A Folha deste domingo foi ver como vivem alguns protagonistas do caso. Acreditem: todos estão muitíssimo bem de vida. José Dirceu, vocês sabem, é um próspero consultor de empresas . À revista Playboy, como se lembram, ele declarou que um telefonema seu “é um telefonema”. Não é tautologia, não. Ele estava querendo dizer que, quando liga, as coisas acontecem. Exerce, vocês verão, a mesma “profissão” de Marcos Valério, que também anda ativo no ramo da “consultoria”. Delúbio Soares, o homem do caixa dois, é professor no interior de Goiás e continua a se dar muito bem com autoridades. O homem tem até seguranças que o acompanham. Continua, segundo se entende a partir do depoimento de um empresário, influente nos bastidores. Parece que ele também pode dar “um telefonema”. Silvinho Land Rover Pereira leva vida mansa e, bidu!, recebe uma mãozinha de Dirceu. E Duda Mendonça continua a trabalhar para estatais e a pegar contas de eventos oficiais.

Em suma, a República do Mensalão pode ter perdido a pose, mas não o poder e, sobretudo, a grana. Outro dia alguém me perguntou se eu acredito que a nossa “formação católica e latina” está na raiz dos nossos problemas. Não. Isso é besteira. Eu acredito que a impunidade conta mais para a esculhambação nacional. Querem um exemplo? Vejam o caso da autodenominada “bispa” Sônia Hernades e de seu marido, o auto-intitulado “apostolo” Estevan, líderes da Igreja Renascer. Eles estavam na mira da Justiça brasileira faz tempo. E nada acontecia. Ao entrar nos EUA, omitiram o que pode ser considerada uma pequena soma em dólares. Não tem conversa! É cana. É um crime meio típico de estrangeiros que entram no país. Mas eles não estão sendo punidos porque forasteiros. Também os americanos sabem que a Justiça funciona por lá — e com rapidez. Por aqui, vejam só: o estouro do mensalão completou dois anos em junho. Seguem trechos do material publicado pela Folha neste domingo.

José Dirceu – Por Rubens Valente:
Portugal, República Dominicana, Argentina, Peru, Chile, duas vezes nos Estados Unidos, México, Nicarágua e, por fim, uma semana de folga em Toronto, no Canadá - só de janeiro para cá. Duas a três viagens por semana pelo Brasil, palestras e consultorias remuneradas para empresas privadas. (...) No ano passado, Dirceu esteve na Bolívia a bordo de um jato contratado pelo empresário de siderurgia Eike Batista. (...) Dirceu toca duas empresas ao mesmo tempo, uma de consultoria e outra de advocacia, ambas na Vila Mariana, em São Paulo. Divide a segunda com a advogada Lilian Ribeiro. Passa pouco tempo nos escritórios.
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Delúbio Soares, por Hudson Corrêa:
O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares desfila como celebridade em sua terra natal, Buriti Alegre (GO). Delúbio mantém o cargo de professor do Estado, mesmo condenado por receber sem trabalhar. Na tarde de quarta-feira passada, ele recebeu o governador Alcides Rodrigues Filho (PP) no aeroporto de Buriti Alegre e participou da inauguração de um frigorífico, subindo no palco onde estava Rodrigues. (...) Delúbio foi e voltou do aeroporto num Vectra prata -registrado em nome do irmão, o vereador de Goiânia Carlos Soares (PT). Um Astra com dois homens o escoltava. (...) Na festa de inauguração do frigorífico Goiaves, ainda na quarta passada (...), vestindo uma camisa da seleção brasileira, era chamado por vereadores, prefeitos e convidados da festa para tirar fotos. O empresário Gal Lachovitz, um dos sócios do frigorífico Goiaves, disse que Delúbio "talvez tenha ajudado, acelerando um licenciamento, ou algo assim".
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Marcos Valério, por Paulo Peixoto:
(...)Valério e seus ex-sócios tentam manter uma rotina. Com as agências SMPB e DNA fechadas, os "ex-sócios publicitários" continuaram no mercado. Cristiano Paz abriu a Filadélfia. Francisco Castilho e Margareth Queiroz, a Bárbara. Valério não fala sobre sua vida e seus negócios. Não responde sobre como paga as suas contas, os advogados e como mantém a casa no bairro Castelo, já que todos os bens estão bloqueados. Ele voltou a morar na casa em abril do ano passado, quando terminou a reforma do imóvel. Mora lá com os filhos e a mulher, Renilda, também denunciada. O mais recente negócio de Valério foi o arrendamento de uma fazenda a 120 km de Belo Horizonte, cuja sede, de luxo, tem 700 m2. Mas nega rumores de que compra e vende gado. (...) É na fazenda que estão os 11 cavalos de Valério, incluídos entre os bens bloqueados. (...) Valério costuma dizer ser consultor de empresas, negócio que exerce em sociedade com o advogado Rogério Tolentino. Ele vai quase todos os dias ao escritório, na zona sul de Belo Horizonte.
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Silvio Pereira, por Lilian Christofoletti:
Longe da política partidária desde julho de 2005, quando ficou famoso por ter recebido de presente um jipe Land Rover de R$ 79 mil, Sílvio Pereira se dedica hoje a administrar uma empresa de eventos, que recebeu verba da Petrobras, e a construir uma pousada em Ilhabela, litoral norte paulista. (...) Comprou recentemente uma Toyota Fielder, prata, ano de fabricação 2007, avaliada em cerca de R$ 65 mil. Grande parte do apoio que Sílvio recebe vem do sócio do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT), Júlio César dos Santos. (...) No início deste ano, depois de conseguir o patrocínio da Petrobras para um projeto de cinema na praia de Camburi, em Vitória (ES), Santos subcontratou a empresa de Sílvio para "coordenação e produção" da mostra por R$ 55 mil. (...) Após a divulgação do subcontrato da DNP, em julho, pela revista "Veja", Sílvio e Santos fecharam o prédio na Vila Olímpia.
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Duda Mendonça, por Kennedy Alencar:
(...)Duda manteve as contas da Petrobras e do Ministério da Saúde. Até hoje o governo teme que ele faça revelações. (...) Hoje, tem uma vida relativamente discreta. Sua agência, a Duda Mendonça e Associados, perdeu clientes importantes no setor privado (Guaraná Antarctica, por exemplo) e reduziu o tamanho de seus escritórios. No mercado paulista, cuida da conta da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas). Recentemente, fez a campanha do Jogos Pan-Americanos. Aos 63 anos, Duda dá expediente durante a semana na agência em Salvador. Nas folgas, vai para a casa de praia no litoral sul baiano e para duas fazendas, no interior do Estado e no Pará (esta com 5 mil cabeças de gado). Em 2006, entrou em depressão e teve implantadas quatro pontes de safena. Atualmente, sua empresa de marketing político (CEP) não está na ativa. Por ora, não tem planos.