sexta-feira, agosto 31, 2007

Se eles tivessem caráter...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Notícia

Como que tentando mudar o foco das atenções sobre o acolhimento da denúncia do Procurador Geral sobre o mensalão e os 40 quadrilheiros, dona Ideli Salvati, senadora petista, resolveu mudar seu oficio: agora quer “ensinar” como se edita jornais. Travestida de "jornalista", a senadora atacou da tribuna do Senado, os critérios de edição de alguns dos principais jornais brasileiros pelo fato de não terem destacado em suas manchetes, nesta quinta-feira, que o País teria antecipado em dez anos "a meta do milênio", retirando do estágio de extrema pobreza cerca de cinco milhões de brasileiros. Ela citou os jornais Valor Econômico, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo, que, se publicaram chamadas em suas primeiras páginas, segundo ela o fizeram de forma acanhada. Ela reconheceu que todos publicaram reportagens extensas sobre o estudo, mas ela queria mais: queria manchetes garrafais.

Bem, o que talvez dona Ideli não tenha reparado, é que os relatórios para os quais ela queria mais divulgação, são muito mais favoráveis ao governo FHC do que ao governo Lula. Tivesse Lula por exemplo sido tão “eficiente” quanto ele pensa que foi, e os petistas cantam em verso e prosa como se acreditassem, e por certo a meta do milênio teria sido ultrapassada até com folga.

Apenas para relembrar: o Brasil reduziu a metade o seu índice de pobreza. No período de 1990 a 2005 saímos de 8,8 para 4,2, uma redução em 4,6 pontos. Porém deste total, a ONU calculou em 3,3 pontos como ocorridos durante o período de implantação do Plano Real, entre 1993 e 1995. O restante. 1,3 pontos se deu por conta dos programas sociais implantados no país, também iniciados no período do governo FHC.

Claro que a Ideli, como de resto todos os petistas, principalmente Lula, adoram festejar com o chapéu alheio. Dirão que a redução é obra de seu governo, quando se vê pelos dados fornecidos pela ONU se tratar de pura mistificação. Quando se trata de criticar as coisas ruins, Lula saca da arma invariável de sua hipocrisia para jogar as culpas nas costas dos outros. Quando a notícia é boa, ela se apropria dela que a propriedade do feito não seja seu.

E talvez, por isto mesmo, os jornalistas “alinhados” não tenham se sentido à vontade para comemorar os feitos informados pela ONU em nome de Lula, pela simples razão de que o relatório é muito mais favorável ao governo de FHC do que ao atual.

É ótimo para o país atingir melhores indicadores na qualidade de vida de seus cidadãos. Canalhice, contudo, é a tentativa torpe de Lula de se apoderar de uma conquista em que sua colaboração, como vimos acima, foi mínima, e ainda tentar tirar ganhos políticos sobre a obra alheia. Deveria ele, se tivesse caráter, chamar FHC e agradecer-lhe em nome de todos os brasileiros. Mas isto se ele tivesse caráter...