Alexandre Garcia, Jornal A Gazeta (Cuiabá/MT)
Contrariando o julgamento das ruas, o Senado manteve o mandato de seu presidente, Renan Calheiros, por 46 a 35. Pesquisas revelam que a maciça maioria do povo brasileiro ficou perplexa. Não entendeu. Afinal, com tantas provas e até um réu-confesso de falta de decoro, como pode ter isso acontecido? Em primeiro lugar, arrisco dizer que há uma maioria, no Senado, que não é melhor que Renan. Vou citar um estereótipo: o recém-assumido senador pelo DF, Gim Argello, está tão enrolado quanto Renan. Acusações por todo lado e ações no Ministério Público. Ele declarou ter votado a favor de Renan. Votou com seu semelhante. Identificou-se com ele. No inconsciente, o raciocínio é este: quando chegar a minha vez, vou querer que votem assim, comigo.
Os coleguinhas jornalistas que anunciaram que Renan ganhou porque teve 40 votos a favor, não entenderam nada. Renan ganhou porque não teve 41 votos contra. Só 35. E as abstenções, ao contrário do que fizeram imaginar os que não entenderam nada, são, na verdade, votos por Renan. Poderia ter havido contra ele os mesmos 35 votos e 30 abstenções, ou 40, ou 46 - e ele teria mantido o mandato. Assim, é falacioso Mercadante alegar que se absteve porque não tinha convicção de que Renan usara dinheiro da Mendes Jr. Primeiro, porque a falta de decoro é usar o lobista, ficando comprometido com ele num segredo de extrema intimidade. Segundo, porque o voto de abstenção é voto que tem o mesmo valor de voto pela não-cassação. Também é um engodo a grandeza e neutralidade de Renan quando declara que se absteve ("É claro que me abstive; como seria diferente?"). Abstenção é voto retirado dos 41 necessários para cassar. Ele votou a favor dele mesmo, é claro; como seria diferente?
Também é preciso corrigir o argumento da oposição de que o mandato de Renan não foi cassado porque o governo e o PT se mobilizaram. Isso é fato, mas o fator mais forte da não-cassação foi a incompetência da oposição, que perdeu tendo a seu favor a opinião pública e um réu-confesso - que, da cadeira de presidente do Senado, confirmou ter usado o lobista de uma empreiteira para pagar uma média de 13 mil por mês, durante 22 meses, a sua amante que engravidara. Ora, com tudo isso a seu lado, os senadores que votaram contra Renan não tiveram competência para chegar a 41 votos. Tinham a seu lado a força das ruas e da razão - e ainda assim perderam. Perdeu o Senado, perdeu o decoro, perdeu o país. São muito incompetentes! Por isso, as pessoas estão pondo no mesmo saco vencidos e vencedores.
Os que perderam ainda pioram seu conceito ao ameaçar com boicote. Foram para o voto e perderam. E, sem terem aprendido uma lição básica da democracia, que manda decidir no voto e depois acatar o resultado, viram crianças birrentas e ameaçam não jogar mais porque perderam. Ao combinarem boicote, como combinaram semana passada senadores de seis partidos, imitam a truculência que atribuem a Renan, acusando-o de uso indevido dos poderes da Presidência do Senado em sua defesa. Pobre democracia esfarrapada... A única coisa boa disso, é que um boicote pode nos livrar de pagarmos ano que vem: R$ 40 bilhões. Pois se o governo quiser recriar a CPMF, terá que ter 49 votos no Senado.
Contrariando o julgamento das ruas, o Senado manteve o mandato de seu presidente, Renan Calheiros, por 46 a 35. Pesquisas revelam que a maciça maioria do povo brasileiro ficou perplexa. Não entendeu. Afinal, com tantas provas e até um réu-confesso de falta de decoro, como pode ter isso acontecido? Em primeiro lugar, arrisco dizer que há uma maioria, no Senado, que não é melhor que Renan. Vou citar um estereótipo: o recém-assumido senador pelo DF, Gim Argello, está tão enrolado quanto Renan. Acusações por todo lado e ações no Ministério Público. Ele declarou ter votado a favor de Renan. Votou com seu semelhante. Identificou-se com ele. No inconsciente, o raciocínio é este: quando chegar a minha vez, vou querer que votem assim, comigo.
Os coleguinhas jornalistas que anunciaram que Renan ganhou porque teve 40 votos a favor, não entenderam nada. Renan ganhou porque não teve 41 votos contra. Só 35. E as abstenções, ao contrário do que fizeram imaginar os que não entenderam nada, são, na verdade, votos por Renan. Poderia ter havido contra ele os mesmos 35 votos e 30 abstenções, ou 40, ou 46 - e ele teria mantido o mandato. Assim, é falacioso Mercadante alegar que se absteve porque não tinha convicção de que Renan usara dinheiro da Mendes Jr. Primeiro, porque a falta de decoro é usar o lobista, ficando comprometido com ele num segredo de extrema intimidade. Segundo, porque o voto de abstenção é voto que tem o mesmo valor de voto pela não-cassação. Também é um engodo a grandeza e neutralidade de Renan quando declara que se absteve ("É claro que me abstive; como seria diferente?"). Abstenção é voto retirado dos 41 necessários para cassar. Ele votou a favor dele mesmo, é claro; como seria diferente?
Também é preciso corrigir o argumento da oposição de que o mandato de Renan não foi cassado porque o governo e o PT se mobilizaram. Isso é fato, mas o fator mais forte da não-cassação foi a incompetência da oposição, que perdeu tendo a seu favor a opinião pública e um réu-confesso - que, da cadeira de presidente do Senado, confirmou ter usado o lobista de uma empreiteira para pagar uma média de 13 mil por mês, durante 22 meses, a sua amante que engravidara. Ora, com tudo isso a seu lado, os senadores que votaram contra Renan não tiveram competência para chegar a 41 votos. Tinham a seu lado a força das ruas e da razão - e ainda assim perderam. Perdeu o Senado, perdeu o decoro, perdeu o país. São muito incompetentes! Por isso, as pessoas estão pondo no mesmo saco vencidos e vencedores.
Os que perderam ainda pioram seu conceito ao ameaçar com boicote. Foram para o voto e perderam. E, sem terem aprendido uma lição básica da democracia, que manda decidir no voto e depois acatar o resultado, viram crianças birrentas e ameaçam não jogar mais porque perderam. Ao combinarem boicote, como combinaram semana passada senadores de seis partidos, imitam a truculência que atribuem a Renan, acusando-o de uso indevido dos poderes da Presidência do Senado em sua defesa. Pobre democracia esfarrapada... A única coisa boa disso, é que um boicote pode nos livrar de pagarmos ano que vem: R$ 40 bilhões. Pois se o governo quiser recriar a CPMF, terá que ter 49 votos no Senado.