quinta-feira, setembro 13, 2007

ENQUANTO ISSO...

Mantega : Economia cresce de maneira robusta

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro semestre é bastante bom e confirma a previsão do governo de um crescimento de 5% em 2007. "Estamos agora com um crescimento de 5%, principalmente porque a indústria de transformação, que é um pólo dinâmico da economia brasileira, está acelerando em relação ao ano passado", comentou o ministro.

Segundo ele, a economia do País está crescendo de forma robusta e equilibrada. Na sua opinião, o dado mais interessante é o crescimento dos investimentos, que confirma, na opinião dele, a previsão do governo de uma expansão em torno de 10% neste ano. "Se tivermos um crescimento do PIB de 5% e uma alta dos investimentos de 10%, nós teremos um crescimento equilibrado com aumento da oferta", avaliou.

Para Mantega, o crescimento no semestre é robusto, mas não é exagerado. Ele também acredita que não há um aquecimento exagerado da demanda. "O consumo está robusto, mas dentro de parâmetros razoáveis", disse. Conforme acrescenta,, esse consumo está sendo atendido pela expansão da indústria e pelo aumento da oferta e dos investimentos. "Isso é que é um crescimento equilibrado, onde a oferta atende à demanda e, dessa maneira, não causa uma pressão inflacionária", declarou.

Meirelles
O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, disse por meio da assessoria de imprensa que os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre deste ano, divulgados ontem pelo IBGE, indicam que a economia brasileira continua em trajetória de expansão sustentada. "Pelo lado da demanda, o crescimento tem sido liderado pela expansão doméstica. Tanto o consumo como o investimento", disse Meirelles.

Em seu comentário sobre o PIB, o presidente do BC destacou que o crescimento do consumo e do investimento tem sido beneficiado pelo ambiente de estabilidade econômica, assegurado por uma maior resistência a turbulências externas e pelo fato de a inflação estar consistente com a trajetória das metas. Meirelles também destacou a forte expansão da produção industrial no segundo trimestre de 2007.


ENQUANTO ISSO...

PIB do Brasil segue distante de outros integrantes do Brics

O ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) nacional do segundo trimestre de 2007 voltou a ficar abaixo do vigor exibido por outros países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). Dados divulgados ontem pelo IBGE mostraram que o Brasil cresceu 0,8%, ante o primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2006, a alta foi de 5,4%.
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Na Índia, o crescimento da economia foi de 9,3% no período de abril a junho - o primeiro trimestre do ano fiscal do país, no comparativo com o mesmo trimestre de 2006, conforme dado divulgado em 31 de agosto. Mas enquanto o ritmo da economia brasileira se acelerou ante a expansão de 4,4%, anual, do primeiro trimestre, o ritmo da economia indiana apresentou uma moderação ante a expansão de 9,6% do período de janeiro a março, mas superou a previsão dos analistas consultados pela Dow Jones, que previam alta de 8,9%.

A China protagonizou aceleração como o Brasil, mas, novamente, com uma robustez maximizada. O Produto Interno Bruto (PIB) da China cresceu 11,9% no segundo trimestre ante igual período do ano passado, informou o Escritório Nacional de Estatísticas. O crescimento superou o ritmo de 11,1% do primeiro trimestre. Os dados mais recentes sobre a economia russa referem-se ao semestre de janeiro a junho. Nesse período, a expansão foi de 7,9%, ante igual período de 2006.

Emergentes - No semestre, o PIB brasileiro subiu 4,9%%, em relação ao primeiro semestre de 2006. Outros países emergentes também computaram expansões expressivas. Exibindo um padrão chinês, a Eslováquia confirmou o status de economia mais dinâmica da Europa. Graças ao vigor de suas exportações e do setor manufatureiro e do crescimento dos salários internos, a expansão anual foi de 9,4% no segundo trimestre.

Isto segundo dado do Escritório de Estatísticas e representou uma aceleração ante o ritmo de 9% do primeiro trimestre. A Polônia, por sua vez, cresceu 6,7% no segundo trimestre, na comparação com igual período de 2006, de acordo com dados preliminares divulgados pelo Escritório Central de Estatísticas em 30 de agosto. A expansão, no entanto, foi inferior ao ritmo de 7,4% do primeiro trimestre.


COMENTANDO – Nós ainda discutiremos estes números em um artigo próprio, mas vale aqui o seguinte registro: a carroça que nos empurra ainda é a economia mundial, tanto isto é verdadeiro, que todos os demais emergentes tiveram expansão em volume igual ou superior ao nosso. Também é válido dizer que a atual expansão interna se deve ao resultado expressivo do agro-negócio, tão demonizado pelo atual governo.

Reparem que, rigorosamente nada, mas nada mesmo, está impedindo o país de crescer com maior velocidade, a não ser o próprio governo. Para seguir no ritmo atual, não precisa fazer absolutamente nada. A economia mundial nos empurra. E se fizesse a sua parte, isto é, se governasse com a competência que o momento atual exige, nossos índices serão bem mais robustos, como o são os da Rússia e a Índia, por exemplo.

Por fim, uma última observação: este número de 5,4% é em relação ao crescimento do segundo trimestre de 2006, quando crescemos ali 1,3%. Ou seja, o número acaba sendo alto pela base mais baixa de 2006. O que conta, no caso, é o índice dos últimos 12 meses, que ficou em 4,8%, portanto, menos de 5,0%. Com o cenário mundial favorável, sem abalos internos, o resultado acaba sendo frustrante por um lado, em razão das imensas potencialidades que temos para ter crescimento muito além disto, e revelador, de outro lado, por demonstrar que o governo continua ignorando que estamos perdendo oportunidades por absoluta ignorância e incompetência.

Porque há uma equação tão perversa quanto preocupante neste “crescimento” que tanto Mantega quanto o presidente insiste em comemorar quando deveriam ficar reticentes: muito do aumento do consumo interno se deve a expansão do crédito, que cresceu muito além da inflação e do próprio PIB. Ou seja, há um limite nesta capacidade de endividamento. A continuar no volume atual, ela baterá no limite logo, logo, e aí teremos uma imensa retração. Insisto em dizer e afirmar que esta expansão continua alimentando uma bolha perigosa para o país. Deveríamos tê-la, mas com exclusividade. Nossa prioridade deveria centrar-se muito mais na geração de empregos, e na elevação da renda média da população, conforme comentamos no post anterior, quando comparamos com a renda média dos demais países latinos.

Porque, com a prioridade centrando-se apenas na expansão do crédito, quem está ganhando não são os mais pobres nem trabalhadores, sejam eles de qualquer nível. Quem ganha continua sendo o sistema financeiro, ou seja, a elite econômica. É a essa política que Lula chama e se gaba de ser um governo direcionado para os pobres ? Melhor faria se proclamasse ser este um governo POBRE, em favor dos mais ricos.