... CONDENADO sem CONDENAÇÃO.
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Continuam os mil dias de solidão e inquietação
Ontem, exatamente às 12:09 (meio-dia e 9 minutos), começava a mais vergonhosa, inédita e destruidora sessão do Senado. Nunca houve na história do Senado o julgamento do seu presidente em pleno exercício do cargo, dizendo, por mais de 3 meses, de forma monótona e monocórdia, "não renuncio, não peço licença nem deixo o cargo".
Mas antes dessa espantosa sessão secreta com voto secreto, o mais extraordinário ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO, mas da violência. Tudo conseqüência dessa decisão absurda e estapafúrdia de determinar medidas que jamais aconteceram no Congresso.
A sessão de julgamento de Renan estava marcada para as 11 horas. Mas a partir das 9 e meia já estava aberta e livre a discursos, com televisamento e microfone aberto. Mas na porta de entrada do Senado, seguranças, d-e-s-p-u-d-o-r-a-d-a-m-e-n-t-e, agrediam deputados. Por quê? Pelo fato de 13 deputados terem ganho MANDADO DE SEGURANÇA para assistir à sessão.
Essas arbitrariedades começaram quando Renan Calheiros, demonstrando total insensibilidade, incapacidade, incompatibilidade com a democracia, mandou desligar toda e qualquer ligação do plenário com o exterior. Na noite-madrugada de terça-feira, o País ficou estarrecido com aqueles seguranças, que raivosos e com o ódio na fisionomia arrancavam fios e toda e qualquer possibilidade de "VAZAR INFORMAÇÃO", como disseram.
Esses 13 deputados, garantidos pela Justiça, foram brutalmente agredidos, e a televisão exibiu seguranças dando socos, principalmente no deputado Raul Jungmann. Um deles puxou o revólver, que caiu no chão, como todos viram. Depois afirmou que era de brinquedo. Segurança com revólver de brinquedo é o máximo.
Na sessão aberta de 1 hora e 39 minutos, discursos sensatos e disparates. O senador Magno Malta: "O ministro Lewandowski não podia conceder esse MANDADO. E por que não deu para os 513, favoreceu apenas 13?" Magno Malta jamais chegará a ministro do Supremo, lógico. Mas devia saber que só 13 pediram o MANDADO, só 13 ganharam. Melancólico.
O senador Papaleo (que pelo nome não se perca), também inconseqüente, incoerente e até imprudente, disse textualmente: "Não admito a punição aos seguranças que CUMPRIAM O SEU DEVER". Em que país mora o senador Papaleo? Seguranças, desautorizados, abusam sempre da violência, imaginem autorizados BEM DO ALTO?
Dos 81 senadores, falaram 18. Número invertido e sustentação também. Pois alegaram T-O-D-O-S, defensores e acusadores, que o PRINCIPAL CRIME DE RENAN FOI DISCURSAR PARA SE DEFENDER USANDO A CADEIRA DO PRESIDENTE. Isso às 3 horas da tarde, davam a impressão de que pretendiam ABSOLVER Renan.
Às 4 horas falou Heloisa Helena, como presidente do PSOL, que fez a representação contra Renan. As coisas são tão esquisitas e estranhas que uma senadora que não se candidatou à reeleição, e que portanto está sem mandato, discursou no plenário. E fez o mais violento discurso.
Às 5 em ponto, Renan começava a falar. Notem que numa SESSÃO SECRETA com VOTO SECRETO, estou dando tudo o que acontece.
Às 17,20 era anunciado o resultado, que não resolve coisa alguma: Renan obteve 40 votos contra 35 da oposição. 6 se abstiveram, o que equivale a dizer: votaram com Renan, deram a vitória a ele. Ontem mesmo eu dizia, sobre os partidos que deixaram partidários votarem com suas consciências. Comentei: "É aí que mora o perigo". Morou.
PS - Desculpem, mas também venho dizendo todo dia. Se Renan for ABSOLVIDO continua a crise, pois vai continuar sendo processado, lógico que não irá se afastar.
PS 2 - Se fosse CONDENADO, acabava tudo. A esperteza e a incoerência foram os grandes vitoriosos. Aliás, não houve vitória e sim desestabilização: DA DEMOCRACIA e da OPINIÃO PÚBLICA.
Hélio Fernandes, Tribuna da Imprensa
Continuam os mil dias de solidão e inquietação
Ontem, exatamente às 12:09 (meio-dia e 9 minutos), começava a mais vergonhosa, inédita e destruidora sessão do Senado. Nunca houve na história do Senado o julgamento do seu presidente em pleno exercício do cargo, dizendo, por mais de 3 meses, de forma monótona e monocórdia, "não renuncio, não peço licença nem deixo o cargo".
Mas antes dessa espantosa sessão secreta com voto secreto, o mais extraordinário ESPETÁCULO DO CRESCIMENTO, mas da violência. Tudo conseqüência dessa decisão absurda e estapafúrdia de determinar medidas que jamais aconteceram no Congresso.
A sessão de julgamento de Renan estava marcada para as 11 horas. Mas a partir das 9 e meia já estava aberta e livre a discursos, com televisamento e microfone aberto. Mas na porta de entrada do Senado, seguranças, d-e-s-p-u-d-o-r-a-d-a-m-e-n-t-e, agrediam deputados. Por quê? Pelo fato de 13 deputados terem ganho MANDADO DE SEGURANÇA para assistir à sessão.
Essas arbitrariedades começaram quando Renan Calheiros, demonstrando total insensibilidade, incapacidade, incompatibilidade com a democracia, mandou desligar toda e qualquer ligação do plenário com o exterior. Na noite-madrugada de terça-feira, o País ficou estarrecido com aqueles seguranças, que raivosos e com o ódio na fisionomia arrancavam fios e toda e qualquer possibilidade de "VAZAR INFORMAÇÃO", como disseram.
Esses 13 deputados, garantidos pela Justiça, foram brutalmente agredidos, e a televisão exibiu seguranças dando socos, principalmente no deputado Raul Jungmann. Um deles puxou o revólver, que caiu no chão, como todos viram. Depois afirmou que era de brinquedo. Segurança com revólver de brinquedo é o máximo.
Na sessão aberta de 1 hora e 39 minutos, discursos sensatos e disparates. O senador Magno Malta: "O ministro Lewandowski não podia conceder esse MANDADO. E por que não deu para os 513, favoreceu apenas 13?" Magno Malta jamais chegará a ministro do Supremo, lógico. Mas devia saber que só 13 pediram o MANDADO, só 13 ganharam. Melancólico.
O senador Papaleo (que pelo nome não se perca), também inconseqüente, incoerente e até imprudente, disse textualmente: "Não admito a punição aos seguranças que CUMPRIAM O SEU DEVER". Em que país mora o senador Papaleo? Seguranças, desautorizados, abusam sempre da violência, imaginem autorizados BEM DO ALTO?
Dos 81 senadores, falaram 18. Número invertido e sustentação também. Pois alegaram T-O-D-O-S, defensores e acusadores, que o PRINCIPAL CRIME DE RENAN FOI DISCURSAR PARA SE DEFENDER USANDO A CADEIRA DO PRESIDENTE. Isso às 3 horas da tarde, davam a impressão de que pretendiam ABSOLVER Renan.
Às 4 horas falou Heloisa Helena, como presidente do PSOL, que fez a representação contra Renan. As coisas são tão esquisitas e estranhas que uma senadora que não se candidatou à reeleição, e que portanto está sem mandato, discursou no plenário. E fez o mais violento discurso.
Às 5 em ponto, Renan começava a falar. Notem que numa SESSÃO SECRETA com VOTO SECRETO, estou dando tudo o que acontece.
Às 17,20 era anunciado o resultado, que não resolve coisa alguma: Renan obteve 40 votos contra 35 da oposição. 6 se abstiveram, o que equivale a dizer: votaram com Renan, deram a vitória a ele. Ontem mesmo eu dizia, sobre os partidos que deixaram partidários votarem com suas consciências. Comentei: "É aí que mora o perigo". Morou.
PS - Desculpem, mas também venho dizendo todo dia. Se Renan for ABSOLVIDO continua a crise, pois vai continuar sendo processado, lógico que não irá se afastar.
PS 2 - Se fosse CONDENADO, acabava tudo. A esperteza e a incoerência foram os grandes vitoriosos. Aliás, não houve vitória e sim desestabilização: DA DEMOCRACIA e da OPINIÃO PÚBLICA.