A reportagem é da Tribuna da Imprensa. Adiante comentamos.
A renda por habitante no Brasil está cada vez mais para trás em relação às de outros países da América Latina, apesar de a economia brasileira ser a maior da região. Argentina, Uruguai, Chile e México estão tendo aumento da renda per capita em velocidade superior à brasileira, de acordo com o banco de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O cálculo é feito pela metodologia de paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), para permitir comparações entre países.
A renda per capita da Argentina, que era superior à brasileira em 55,95% em 2004, deve ampliar essa diferença para 80,8% em 2008, de acordo com as projeções do Fundo, chegando a US$ 18.018,14 enquanto a brasileira é prevista em US$ 9.966,15.
De acordo com a economista Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com uma população tão grande, o Brasil precisaria ter um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) bem maior que o dos últimos anos para acompanhar o crescimento da renda per capita dos vizinhos, mas não é o que está acontecendo.
A diferença de renda per capita entre Brasil e Uruguai também tem se ampliado, mas em ritmo menor em relação a da Argentina. Em 2004, a renda uruguaia por habitante era de US$ 9.276,26, superior em 11,31% à brasileira. Essa diferença subiu para 24,97% em 2005 e, pelas projeções do FMI, atingirá 30,29% em 2008. Argentina e Uruguai, devido à crise no início da década passaram cinco anos, de 1999 a 2003, com renda per capita abaixo da de 1998.
Mas em 2004 superaram o nível de 1998 e estão tendo crescimento superior ao brasileiro. Em 1998, a renda per capita do Brasil era de US$ 7.002,15 e a do México de US$ 8.108. Dez anos depois, pelas projeções do FMI, serão respectivamente de US$ 9.966,16 e US$ 12.292,07. A diferença entre a renda per capita do México e a do Brasil aumentou continuadamente e levemente de 2003 a 2005.
Segundo as estimativas do FMI, a diferença prosseguiu crescendo em 2006 para 23,5%, mas deve estabilizar e até se reduzir levemente para 23,39% este ano e 23,34% no ano que vem. Por outro lado, a distribuição de renda no Brasil é tão desigual que, combinada ao grande tamanho da população, permite que o País tenha um mercado de consumo de produtos de luxo superior ao do Chile, por exemplo, comenta Lia. "Aqui no Brasil a gente olha muito o PIB total, mas a renda per capita é muito importante", disse Aloísio Campelo, da FGV.
Comentando
Este, vamos dizer, “fenômeno” decorre de duas razões básicas: a primeira, o excessivo peso do Estado sobre as folhas de pagamentos das empresas, além da incidência num nível incompatível das alíquotas de IRF, muito altas, em faixas de renda relativamente baixas. Isto tira do trabalhador renda que o governo capta para a manutenção de seu gigantismo inútil, já que não se converte em serviços públicos decentes. Até pelo contrário. É visível que, quanto mais o governo arrecada, mais os serviços básicos obrigatórios se deterioram.
E este gigantismo inútil acaba por provocar outra infelicidade para nivelar para baixo a renda per capita dos brasileiros: como o governo mantém uma carga tributária muito alta, acaba tirando das empresas recursos que poderiam ser convertidos em investimentos para crescimento e fortalecimento destas mesmas empresas. Como conseqüência, haveria ampliação da oferta de empregos com redução no número de desempregados, muito alta, o que faria com que a média salarial fosse maior.
Na situação atual, as empresas ficam sufocadas, e o trabalhador recorre ao sub-emprego. Ou seja, o mercado de trabalho no Brasil é marginal, onde quem perde, inevitavelmente, é o trabalhador. E, no curto prazo, isto tende se manter inalterado.
Outra questão a destacar, também no terreno do gigantismo do Estado, é a antecipação tributária. No Brasil, o imposto é pago antes que o bem ou serviço produzido gerem riquezas. Tal situação foi criada no tempo ainda da inflação galopante. Para não perder valor real, diferentes governos foram reduzindo gradativamente os prazos para pagamentos de tributos. Com a inflação dominada, e o governo não restituindo os prazos originais, o que vemos é o quadro de miserabilidade se sustentando e se ampliando, uma vez que a carga tributária é excessiva, os prazos são de antecipar impostos em relação à riqueza que se produz. Em conseqüência, a renda tende a cair para o trabalhador.
Se no estudo feito fosse possível comparar as cargas de tributos, os prazos para seu recolhimento, e o custo tributário que incide e pesa entre os diferentes países, provavelmente se observaria que no Brasil eles são, disparadamente, mais perversos para o trabalhador. Infelizmente.
Ou se reduz o tamanho do Estado para adequá-lo à realidade da riqueza do que se produz, e para tanto, o Governo precisaria cortar o excessivo gasto supérfluo que realiza, reduzindo a carga total e ampliando os prazos, ou nos manteremos neste ciclo de produção de pobreza massificada.
E o começo desta discussão, obrigatoriamente, deve nascer da enorme diferença de ganhos da elite política para a média da renda per capita do restante da população. É neste ponto que reside grande parte das mazelas nacionais. Quando um político, fazendo discursos demagógicos, vier a público para criticar esta entidade chamada “elite”, culpando-a por todos os males que nos afligem, deverá ser contradito que a elite é justamente ele, que continua explorando a nação em proveito próprio, e sem produzir ou acrescentar um único tijolo à riqueza nacional. Os empresários, pelo menos, geram emprego e renda, com os quais a elite, que se encontra encastelada no poder, é sustentada de forma absurda.
A renda por habitante no Brasil está cada vez mais para trás em relação às de outros países da América Latina, apesar de a economia brasileira ser a maior da região. Argentina, Uruguai, Chile e México estão tendo aumento da renda per capita em velocidade superior à brasileira, de acordo com o banco de dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O cálculo é feito pela metodologia de paridade de poder de compra (PPP, na sigla em inglês), para permitir comparações entre países.
A renda per capita da Argentina, que era superior à brasileira em 55,95% em 2004, deve ampliar essa diferença para 80,8% em 2008, de acordo com as projeções do Fundo, chegando a US$ 18.018,14 enquanto a brasileira é prevista em US$ 9.966,15.
De acordo com a economista Lia Valls Pereira, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com uma população tão grande, o Brasil precisaria ter um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) bem maior que o dos últimos anos para acompanhar o crescimento da renda per capita dos vizinhos, mas não é o que está acontecendo.
A diferença de renda per capita entre Brasil e Uruguai também tem se ampliado, mas em ritmo menor em relação a da Argentina. Em 2004, a renda uruguaia por habitante era de US$ 9.276,26, superior em 11,31% à brasileira. Essa diferença subiu para 24,97% em 2005 e, pelas projeções do FMI, atingirá 30,29% em 2008. Argentina e Uruguai, devido à crise no início da década passaram cinco anos, de 1999 a 2003, com renda per capita abaixo da de 1998.
Mas em 2004 superaram o nível de 1998 e estão tendo crescimento superior ao brasileiro. Em 1998, a renda per capita do Brasil era de US$ 7.002,15 e a do México de US$ 8.108. Dez anos depois, pelas projeções do FMI, serão respectivamente de US$ 9.966,16 e US$ 12.292,07. A diferença entre a renda per capita do México e a do Brasil aumentou continuadamente e levemente de 2003 a 2005.
Segundo as estimativas do FMI, a diferença prosseguiu crescendo em 2006 para 23,5%, mas deve estabilizar e até se reduzir levemente para 23,39% este ano e 23,34% no ano que vem. Por outro lado, a distribuição de renda no Brasil é tão desigual que, combinada ao grande tamanho da população, permite que o País tenha um mercado de consumo de produtos de luxo superior ao do Chile, por exemplo, comenta Lia. "Aqui no Brasil a gente olha muito o PIB total, mas a renda per capita é muito importante", disse Aloísio Campelo, da FGV.
Comentando
Este, vamos dizer, “fenômeno” decorre de duas razões básicas: a primeira, o excessivo peso do Estado sobre as folhas de pagamentos das empresas, além da incidência num nível incompatível das alíquotas de IRF, muito altas, em faixas de renda relativamente baixas. Isto tira do trabalhador renda que o governo capta para a manutenção de seu gigantismo inútil, já que não se converte em serviços públicos decentes. Até pelo contrário. É visível que, quanto mais o governo arrecada, mais os serviços básicos obrigatórios se deterioram.
E este gigantismo inútil acaba por provocar outra infelicidade para nivelar para baixo a renda per capita dos brasileiros: como o governo mantém uma carga tributária muito alta, acaba tirando das empresas recursos que poderiam ser convertidos em investimentos para crescimento e fortalecimento destas mesmas empresas. Como conseqüência, haveria ampliação da oferta de empregos com redução no número de desempregados, muito alta, o que faria com que a média salarial fosse maior.
Na situação atual, as empresas ficam sufocadas, e o trabalhador recorre ao sub-emprego. Ou seja, o mercado de trabalho no Brasil é marginal, onde quem perde, inevitavelmente, é o trabalhador. E, no curto prazo, isto tende se manter inalterado.
Outra questão a destacar, também no terreno do gigantismo do Estado, é a antecipação tributária. No Brasil, o imposto é pago antes que o bem ou serviço produzido gerem riquezas. Tal situação foi criada no tempo ainda da inflação galopante. Para não perder valor real, diferentes governos foram reduzindo gradativamente os prazos para pagamentos de tributos. Com a inflação dominada, e o governo não restituindo os prazos originais, o que vemos é o quadro de miserabilidade se sustentando e se ampliando, uma vez que a carga tributária é excessiva, os prazos são de antecipar impostos em relação à riqueza que se produz. Em conseqüência, a renda tende a cair para o trabalhador.
Se no estudo feito fosse possível comparar as cargas de tributos, os prazos para seu recolhimento, e o custo tributário que incide e pesa entre os diferentes países, provavelmente se observaria que no Brasil eles são, disparadamente, mais perversos para o trabalhador. Infelizmente.
Ou se reduz o tamanho do Estado para adequá-lo à realidade da riqueza do que se produz, e para tanto, o Governo precisaria cortar o excessivo gasto supérfluo que realiza, reduzindo a carga total e ampliando os prazos, ou nos manteremos neste ciclo de produção de pobreza massificada.
E o começo desta discussão, obrigatoriamente, deve nascer da enorme diferença de ganhos da elite política para a média da renda per capita do restante da população. É neste ponto que reside grande parte das mazelas nacionais. Quando um político, fazendo discursos demagógicos, vier a público para criticar esta entidade chamada “elite”, culpando-a por todos os males que nos afligem, deverá ser contradito que a elite é justamente ele, que continua explorando a nação em proveito próprio, e sem produzir ou acrescentar um único tijolo à riqueza nacional. Os empresários, pelo menos, geram emprego e renda, com os quais a elite, que se encontra encastelada no poder, é sustentada de forma absurda.