domingo, setembro 23, 2007

Ministro da Justiça a turismo

Alexandre Carauta , Jornal do Brasil

Tarso Genro pode relaxar. Há poucos lugares mais generosos para seguir o conselho da colega Marta Suplicy. Se voltar de mãos vazias, terá o consolo daquele mar, daquele cassino, daquele céu sobre o Mediterrâneo. Tornam compreensível o empenho em cuidar pessoalmente da extradição de Salvatore Cacciola. Mônaco dispensa pretextos.

Entre uma audiência e outra, o ministro ganhará as delícias da alta-roda. Poderá, quem sabe, arriscar a sorte no cassino mais charmoso do mundo, cenário de intrigas internacionais. Hollywood adora, principalmente depois de Grace Kelly ter virado Grace de Mônaco. Gostou tanto de filmar Ladrão de Casaca no principado, em 1954, que resolveu ficar. Trocou Hitchcok e Cary Grant pelo príncipe Rainier, com quem teve três filhos, Caroline, Albert e Stéphanie, e lá morou até o trágico acidente de carro, há 25 anos.

Outros enredos cinematográficos e trágicos haveriam de reforçar o glamour do paraíso fiscal. Como a morte do banqueiro Edmund Safra, num incêncio que devastou a sua cobertura, em 1999.

Talvez seja mais fácil convencer o diretor-geral de Justiça, Philippe Narminau, da necessária extradição do que resistir ao apelo de Monte Carlo. Algumas fichas e um drinque só para ver o luxo passar são obrigatórios.

Mônaco transborda luxo. Nas vitrines, na roleta cercada de braceletes, nos hotéis, nos esportivos riscando o rochedo, nos iates cativos. Não é o luxo das revistas de celebridades. É um luxo Riviera. Com sorte, o esquerdista Tarso viverá a diferença.

Se a agenda permitir, será bem-vinda a caminhada pelo festejado circuito de Fórmula 1. "Como os carros correm nessa rua tão estreita?", poderá surpreender-se o ministro. E se o espanto secar a garganta, bares à beira da pista tratarão de refrescá-la. Há opções simpáticas para renovar as baterias, e lembrar: ali Senna virou rei. Seis vitórias, seis banhos de champanhe na realeza. Senna podia. Tarso Genro provavelmente encontrará mais dificuldade para quebrar resistências protocolares.

Caso a nobre missão fracasse, sobrarão compensações. Desde dividir o azul com o monegasco (um dos adjetivos pátrios mais curiosos) até deslumbrar-se com as maravilhas do Museu Oceanográfico, xodó de Jacques Cousteau, e testar o fôlego até o castelo no alto do morro.

Se sobrar tempo, uma escapulida a Sant Paul de Vence ajudará a entender por que Cacciola deixou o escudo italiano para curtir o lado francês da Riviera. A exemplo de Mônaco e seus dois quilômetros quadrados, Saint Paul é a elegância concentrada. Os pequenos caminhos abertos na pedra escondem sofisticadas galerias. Um banquete de arte em bandeja medieval.

Roteiro chique Paisagem
Genro chega hoje a Paris, de onde sai segunda-feira às 7h30 e segue para o Aeroporto Internacional de Nice, num vôo que dura uma hora e 35 minutos. De lá, um sobrevôo de seis minutos de helicóptero - a 95 euros por pessoa - com uma paisagem privilegiada: a Côte D'Azur, costa da Riviera francesa, entre os Alpes e o Mar Mediterrâneo.

Café da manhã
Ao chegar ao principado, o ministro da Justiça pode tomar o café da manhã e se recuperar da viagem no Café de Paris, na Praça do Cassino de Monte Carlo. Lá, ao contrário do Brasil, as apostas não só são permitidas por lei como também um dos principais atrativos para turistas.

Passeio
Até as 15h, no trajeto até o Palácio da Justiça, em Monaco Ville, a comitiva pode apreciar o Palácio do Príncipe Rainier, o Museu Oceanográfico e ainda almoçar num dos suntuosos restaurantes com vista para a marina, especializados em culinária mediterrânea.