Villas-Bôas Corrêa, Jornal do Brasil
Ensina a sabedoria do provérbio que "pau que nasce torto não endireita mais", na lição que o presidente Lula preferiu ignorar para provocar uma nova bagunça, e de bom tamanho, no governo.
Na barraca armada para a mais descarada barganha de ministérios, secretarias, cargos de confiança, além das xepas de fim de feira da história deste país, o governo acabou se perdendo em meio à mixórdia e começa a pagar o alto preço de derrotas inesperadas e de vitórias com o gosto amargo das concessões.
Não há mistério na desmoralizante derrota, com o placar de goleada de 46 votos a 22, na derrubada pelo Senado da medida provisória que criava a estrutura da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, invenção oficial para abrigar o professor Mangabeira Unger e fazer um agrado ao vice-presidente José de Alencar.
Com a rejeição irrecorrível do Senado, em surpreendente articulação liderada pelo presidente Renan Calheiros, a varredura atira no lixo 83 cargos vinculados à tenda das profecias do mago com sotaque americano. E, na mesma faxina, deixa suspensos no espaço mais de 600 ocupantes de cargos federais.
Além da queda, a cambalhota no picadeiro do ridículo. Nunca foi levada a sério a estapafúrdia idéia da criação de uma secretaria incumbida de desvendar nos astros e estrelas as geniais soluções para a projeção do bisado governo de Lula no infinito do futuro. Certamente que o presidente, nas suas meditações solitárias, cultiva a flor da modéstia da eleição do seu sucessor com a sua indiscutível e blindada popularidade. E passar para o eleito, com os seus votos, um programa fechado para os quatro anos que seriam o prolongamento da benemérita administração do ungido pelas bênçãos celestiais.
Mas pelo atalho do caiporismo da coincidência ou por trampas da esperteza, a votação da medida provisória que criava a barraca do feiticeiro foi marcada no pico do corpo-a-corpo entre os guerrilheiros da tropa governista pela distribuição de cargos.
Nas duas Casas do Congresso, enlouquecidas pela partilha do bolo, cada qual tomou o rumo do seu interesse imediato. No Senado, o PMDB comandado pelo senador Renan Calheiros, com todos os lanhos da desmoralização no episódio romanesco da sua ligação com a jornalista Mônica Veloso, com seus apêndices, e da resistência aos apelos para renunciar à presidência, o governo colheu o limão da derrota inesperada e burlesca do desmanche de uma secretaria que nunca existiu.
De volta da triunfal participação, como um dos líderes do mundo, na Assembléia da ONU, Lula já tinha deixado o Planalto quando foi informado da revolta dos cabelos brancos do Senado. Na forma do louvável costume, não sabia de nada. Os possíveis remendos serão providenciados nas próximas horas.
Na Câmara, no outro lado da medalha, depois da bulha das queixas do PMDB de notório desprendimento e empanturrado com a oferenda de duas diretorias na Petrobras, por acaso das de mais alta cotação na praça - a Diretoria da Área Internacional, confiada ao ex-diretor da Petrobras Distribuidora (BR), João Augusto Fernandes, e a Diretoria do Abastecimento, com a nomeação de Alan Kardec, servidor da Petrobras. Ficou tudo em casa. E com verbas de milhões para o show de obras na reta da campanha.
O governo levou o seu naco gordo, com a aprovação pela Câmara da prorrogação da CPMF até 2001, com a alíquota de 0,38% do imposto do cheque.
No repique, o Senado aprovou o fim das sessões secretas para a cassação de mandatos.
O jogo não acabou. No segundo tempo, a prorrogação da CPMF terá de passar por mais uma votação na Câmara e duas no Senado, onde o governo sustenta-se no espaço com a menos confiável base de papelão e a ânsia de desforra do senador Renan Calheiros.
Ensina a sabedoria do provérbio que "pau que nasce torto não endireita mais", na lição que o presidente Lula preferiu ignorar para provocar uma nova bagunça, e de bom tamanho, no governo.
Na barraca armada para a mais descarada barganha de ministérios, secretarias, cargos de confiança, além das xepas de fim de feira da história deste país, o governo acabou se perdendo em meio à mixórdia e começa a pagar o alto preço de derrotas inesperadas e de vitórias com o gosto amargo das concessões.
Não há mistério na desmoralizante derrota, com o placar de goleada de 46 votos a 22, na derrubada pelo Senado da medida provisória que criava a estrutura da Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, invenção oficial para abrigar o professor Mangabeira Unger e fazer um agrado ao vice-presidente José de Alencar.
Com a rejeição irrecorrível do Senado, em surpreendente articulação liderada pelo presidente Renan Calheiros, a varredura atira no lixo 83 cargos vinculados à tenda das profecias do mago com sotaque americano. E, na mesma faxina, deixa suspensos no espaço mais de 600 ocupantes de cargos federais.
Além da queda, a cambalhota no picadeiro do ridículo. Nunca foi levada a sério a estapafúrdia idéia da criação de uma secretaria incumbida de desvendar nos astros e estrelas as geniais soluções para a projeção do bisado governo de Lula no infinito do futuro. Certamente que o presidente, nas suas meditações solitárias, cultiva a flor da modéstia da eleição do seu sucessor com a sua indiscutível e blindada popularidade. E passar para o eleito, com os seus votos, um programa fechado para os quatro anos que seriam o prolongamento da benemérita administração do ungido pelas bênçãos celestiais.
Mas pelo atalho do caiporismo da coincidência ou por trampas da esperteza, a votação da medida provisória que criava a barraca do feiticeiro foi marcada no pico do corpo-a-corpo entre os guerrilheiros da tropa governista pela distribuição de cargos.
Nas duas Casas do Congresso, enlouquecidas pela partilha do bolo, cada qual tomou o rumo do seu interesse imediato. No Senado, o PMDB comandado pelo senador Renan Calheiros, com todos os lanhos da desmoralização no episódio romanesco da sua ligação com a jornalista Mônica Veloso, com seus apêndices, e da resistência aos apelos para renunciar à presidência, o governo colheu o limão da derrota inesperada e burlesca do desmanche de uma secretaria que nunca existiu.
De volta da triunfal participação, como um dos líderes do mundo, na Assembléia da ONU, Lula já tinha deixado o Planalto quando foi informado da revolta dos cabelos brancos do Senado. Na forma do louvável costume, não sabia de nada. Os possíveis remendos serão providenciados nas próximas horas.
Na Câmara, no outro lado da medalha, depois da bulha das queixas do PMDB de notório desprendimento e empanturrado com a oferenda de duas diretorias na Petrobras, por acaso das de mais alta cotação na praça - a Diretoria da Área Internacional, confiada ao ex-diretor da Petrobras Distribuidora (BR), João Augusto Fernandes, e a Diretoria do Abastecimento, com a nomeação de Alan Kardec, servidor da Petrobras. Ficou tudo em casa. E com verbas de milhões para o show de obras na reta da campanha.
O governo levou o seu naco gordo, com a aprovação pela Câmara da prorrogação da CPMF até 2001, com a alíquota de 0,38% do imposto do cheque.
No repique, o Senado aprovou o fim das sessões secretas para a cassação de mandatos.
O jogo não acabou. No segundo tempo, a prorrogação da CPMF terá de passar por mais uma votação na Câmara e duas no Senado, onde o governo sustenta-se no espaço com a menos confiável base de papelão e a ânsia de desforra do senador Renan Calheiros.