Olavo de Carvalho, Jornal do Brasil
O colaboracionismo de importantes jornalistas brasileiros foi - e é - parte vital da estratégia que permitiu a uma articulação de comunistas e gangsters dominar meio continente sem encontrar resistência, enquanto a "direita" se deixava entorpecer pelo slogan narcótico de que "o comunismo acabou", ao ponto de hostilizar quem quer que tentasse alertá-la de que as coisas não eram bem assim.
O longo silêncio da mídia nacional em torno do Foro de São Paulo nada teve de involuntário ou inocente. Que uma confluência acidental de lapsos de atenção possa ter-se repetido em todas as redações de jornais, rádios e TVs do país, dia após dia, ao longo de 16 anos, é uma hipótese tão rebuscada, inverossímil e psicótica, que só serve para tornar ainda mais patente aquilo mesmo que deseja ocultar.
Mas a maior prova de que o bloqueio de notícias foi intencional é que ele persistiu até mesmo depois das duas confissões públicas do senhor Luiz Inácio Lula da Silva quanto às suas atividades clandestinas no Foro, e só veio a ceder um pouquinho quando o próprio PT deu o sinal verde, com o vídeo do seu III Congresso, no momento em que o segredo já não lhe era mais necessário nem conveniente. Mesmo liberada, a notícia ainda permaneceu parcialmente retida até que uma crise diplomática, alardeada nos principais jornais do mundo e sublinhada por uma declaração explícita do senhor Hugo Chávez em pessoa sobre suas conversas com Lula e Raúl Reyes no quadro do Foro (veja em http://www.youtube.com/watch?v=DzxOK21k Xms&feature=related), tornou impossível continuar abafando um escândalo de dimensões continentais.
O fato de que agora, rompido o silêncio, aqueles mesmos sonegadores de notícias sejam ouvidos sobre o assunto como autoridades sérias e isentas, em vez de ser desmascarados e investigados como cúmplices do maior concurso de crimes já observado na América Latina, mostra que o regime de privação cognitiva que eles impuseram ao país alcançou o efeito desejado: tornou a vítima estúpida e crédula o bastante para submeter-se voluntariamente, de novo e de novo, ao mesmo tratamento que a incapacitou de início, como um drogado acaba por se tornar servo devoto e amoroso do traficante que o mata aos pouquinhos.
E eles, é claro, aproveitam-se disso para dar um upgrade à fraude consagrada, passando da omissão simples à mentira ativa. Forneço dois exemplos, escolhidos a esmo. A senhora Eliane Cantanhede, na ânsia de limpar retroativamente a reputação da liderança esquerdista comprometida pelas últimas notícias, assegura-nos que "Lula rompeu com o Foro de São Paulo seis anos atrás" - quando o próprio Lula já confessou ter continuado a participar do Foro muito tempo depois de eleito presidente da República, além de atuar nele ainda hoje através do senhor Marco Aurélio Garcia (veja em http://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm e http://www.olavodecarvalho. org/semana/071213jb. html).
O colaboracionismo de importantes jornalistas brasileiros foi - e é - parte vital da estratégia que permitiu a uma articulação de comunistas e gangsters dominar meio continente sem encontrar resistência, enquanto a "direita" se deixava entorpecer pelo slogan narcótico de que "o comunismo acabou", ao ponto de hostilizar quem quer que tentasse alertá-la de que as coisas não eram bem assim.
O longo silêncio da mídia nacional em torno do Foro de São Paulo nada teve de involuntário ou inocente. Que uma confluência acidental de lapsos de atenção possa ter-se repetido em todas as redações de jornais, rádios e TVs do país, dia após dia, ao longo de 16 anos, é uma hipótese tão rebuscada, inverossímil e psicótica, que só serve para tornar ainda mais patente aquilo mesmo que deseja ocultar.
Mas a maior prova de que o bloqueio de notícias foi intencional é que ele persistiu até mesmo depois das duas confissões públicas do senhor Luiz Inácio Lula da Silva quanto às suas atividades clandestinas no Foro, e só veio a ceder um pouquinho quando o próprio PT deu o sinal verde, com o vídeo do seu III Congresso, no momento em que o segredo já não lhe era mais necessário nem conveniente. Mesmo liberada, a notícia ainda permaneceu parcialmente retida até que uma crise diplomática, alardeada nos principais jornais do mundo e sublinhada por uma declaração explícita do senhor Hugo Chávez em pessoa sobre suas conversas com Lula e Raúl Reyes no quadro do Foro (veja em http://www.youtube.com/watch?v=DzxOK21k Xms&feature=related), tornou impossível continuar abafando um escândalo de dimensões continentais.
O fato de que agora, rompido o silêncio, aqueles mesmos sonegadores de notícias sejam ouvidos sobre o assunto como autoridades sérias e isentas, em vez de ser desmascarados e investigados como cúmplices do maior concurso de crimes já observado na América Latina, mostra que o regime de privação cognitiva que eles impuseram ao país alcançou o efeito desejado: tornou a vítima estúpida e crédula o bastante para submeter-se voluntariamente, de novo e de novo, ao mesmo tratamento que a incapacitou de início, como um drogado acaba por se tornar servo devoto e amoroso do traficante que o mata aos pouquinhos.
E eles, é claro, aproveitam-se disso para dar um upgrade à fraude consagrada, passando da omissão simples à mentira ativa. Forneço dois exemplos, escolhidos a esmo. A senhora Eliane Cantanhede, na ânsia de limpar retroativamente a reputação da liderança esquerdista comprometida pelas últimas notícias, assegura-nos que "Lula rompeu com o Foro de São Paulo seis anos atrás" - quando o próprio Lula já confessou ter continuado a participar do Foro muito tempo depois de eleito presidente da República, além de atuar nele ainda hoje através do senhor Marco Aurélio Garcia (veja em http://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm e http://www.olavodecarvalho. org/semana/071213jb. html).
O senhor Demétrio Magnoli, que até mesmo Veja respeita como um expert na matéria, proclama que as Farc se afastaram do caminho revolucionário para dedicar-se ao banditismo puro e simples - e tem a cara-de-pau de dizer isso no instante mesmo em que a esquerda latino-americana em peso se junta para proteger a narcoguerrilha e legitimá-la como movimento político, prova cabal de que não enxerga nela uma quadrilha de delinqüentes comuns.
Para os deformadores de opinião, impedir que a boa imagem do esquerdismo seja arranhada pela revelação de seus crimes é um dever que está infinitamente acima da honestidade, virtude simplória demais para o seu gosto requintado.
Quando estreei como foquinha, 40 e tantos anos atrás, o cínico desencanto dos velhos profissionais que diziam "nós, jornalistas, somos prostitutas" me soava insuportavelmente ofensivo. Hoje ainda me parece ofensivo. Ofensivo às prostitutas.