Atenção para o excelente texto do Josias de Souza, para a Folha online. Ele segue abaixo, em itálico.
Se você, ao ler o artigo que fizemos demonstrando a pirataria do Planalto na montagem do PAC, e para o qual ele se espelhou no Brasil em Ação e Avança Brasil, ambos de FHC, o primeiro lançado em 1996, e o segundo em 2000, e ficou com dúvidas achando que talvez estivéssemos sendo duros demais ou nos portando com extrema má vontade em relação ao governo do “ex-operário”, terá agora a oportunidade de desfazer esta impressão. Josias foi buscar em relatório do Tribunal de Contas da União, a verdade face do PAC. E mais: salta aos olhos a ação indecente do governo para mascarar uma realidade existente apenas para o próprio Lula. Para atender às vaidades extravagantes e repulsivas de seu chefe, Dilma se esmerou na produção da farsa. E esta mediocridade ele vende para todo o Brasil que, coitado, com 85% de sua população totalmente sem acesso a informação qualificada, acaba engolindo a mentira como se verdade fosse.
Aqui mesmo já ofereci o espaço para alguém me apontar concluída, qualquer grande obra criada no governo Lula, e gerenciada pela chefona. Podem procurar à vontade. Não tenham pressa, neste quesito minha paciência é de Jô.
Enquanto vocês pesquisam por aí, aproveitem para conhecer a verdadeira face do pac: o nada de coisa alguma, transformado pelo discurso e pela propaganda, de um pacotinho ordinário e vagabundo, mal copiado numa versão genérica de valor duvidoso, em jóia rara embalada para enganar os incautos, e assim receber a louvação na próxima eleição.
Segue o artigo do Josias de Souza.
* Inspeção descobre que execução financeira é baixa: 12%
* Dado não bate com cronograma das obras: 86% em dia
* Parte dos gestores nem sabe que as obras estão no PAC
Em 22 de janeiro de 2008, a pretexto de festejar o aniversário de um ano do PAC, Lula promoveu um megaevento no Planalto. Coordenadora do programa, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez um balanço das obras. Disse que 86% estavam com o cronograma de execução em dia, sem atrasos. Pode ser propaganda enganosa.
Nesta quarta-feira (2), decorridos 72 dias da festa do governo, o TCU levou ao sítio que mantém na internet um documento que põe em dúvida as palavras da ministra, agora apelidada pelo chefe de "mãe do PAC". O tribunal verificou que, até setembro de 2007, apenas 12% das verbas orçamentárias destinadas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento haviam sido executadas.
Algo que, na opinião do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, não condiz com as informações oficiais sobre o andamento das obras: “A afirmação (...) de que 80% das ações do PAC estão com cronograma de execução em dia não se coaduna, em princípio, com o fato de que apenas 12% das dotações previstas para 2007 no orçamento fiscal haviam sido liquidadas quando corridos mais de 10 meses do ano”, anotou o ministro em seu voto.
A posição do TCU foi assentada no acórdão de número 429/2008. Refere-se ao processo 027.527/2007-8, aberto para fiscalizar o PAC. Atividade que o tribunal transformou em rotina. O voto de Zymler foi aprovado pelos colegas em sessão realizada no último dia 19 de março. Mas só agora o conteúdo vem a público. Em reportagem veiculada no dia 23 de janeiro, um dia depois do balanço festivo do Planalto, o repórter Humberto Medina já havia detectado indícios de maquiagem nos números do PAC.
Os auditores do TCU inspecionaram 103 obras. Enviaram questionários aos gestores. Perguntaram se o fato de a obra sob seus cuidados ter sido incluída no PAC levara à agilização dos trabalhos. Para surpresa geral, os gerentes de 28 empreendimentos informaram que desconheciam que seus canteiros de obras haviam sido guindados à condição de jóias do PAC.
Dos 75 restantes, só 23 disseram que a inclusão da obra no programa prioritário da gestão Lula contribuíra para acelerar o cronograma. O ministro Zymler estranhou: "O fato de em 28 casos nem mesmo o gestor saber da inclusão da obra no PAC significa que a informação ainda não está fluindo adequadamente entre o órgão de planejamento do PAC e o pessoal de execução na ponta do programa."
No relatório que foi aprovado pela unanimidade de seus ministros, o TCU fez vários exercícios financeiros para tentar chegar a cifras que dessem credibilidade aos dados divulgados por "mãe" Dilma. Em nenhuma das projeções, porém, foi possível casar a execução financeira com o cronograma auspicioso que a ministra divulgara.
"Mesmo que se considere na execução orçamentário-financeira os pagamentos realizados a título de restos a pagar, a execução financeira continua baixa", anota o documento. "Somando os valores orçados para 2007 com os inscritos em restos a pagar, alcança-se a R$ 18,7 bilhões, enquanto os pagamentos montam a R$ 3,3 bilhões, ou 18% do total."
Incluindo-se na conta os recursos que teriam de vir de empresas estatais, “o percentual [de execução financeira] seria de 53% do valor total previsto”. Percentual ainda incompatível com a cena de normalidade anunciada pelo governo. Experimentou-se injetar na conta os “restos a pagar” do exercício de 2006 (R$ 17,5 bilhões). O percentual, neste caso, saltaria para 64%. Nada que empreste credibilidade aos dados oficiais que a festa de um ano pendurara nas manchetes dos jornais.
Depois da solenidade do Planalto, Lula pôs o pé na estrada. Com Dilma a tiracolo, monta pa©mícios até para assinar "ordens de execução" de obras ainda inexistentes. A movimentação do presidente levou o oposicionista DEM a protocolar no TSE um pedido de abertura de uma "investigação judicial." O partido acusa Lula de fazer campanha eleitoral ao arrepio da lei.
Se você, ao ler o artigo que fizemos demonstrando a pirataria do Planalto na montagem do PAC, e para o qual ele se espelhou no Brasil em Ação e Avança Brasil, ambos de FHC, o primeiro lançado em 1996, e o segundo em 2000, e ficou com dúvidas achando que talvez estivéssemos sendo duros demais ou nos portando com extrema má vontade em relação ao governo do “ex-operário”, terá agora a oportunidade de desfazer esta impressão. Josias foi buscar em relatório do Tribunal de Contas da União, a verdade face do PAC. E mais: salta aos olhos a ação indecente do governo para mascarar uma realidade existente apenas para o próprio Lula. Para atender às vaidades extravagantes e repulsivas de seu chefe, Dilma se esmerou na produção da farsa. E esta mediocridade ele vende para todo o Brasil que, coitado, com 85% de sua população totalmente sem acesso a informação qualificada, acaba engolindo a mentira como se verdade fosse.
Aqui mesmo já ofereci o espaço para alguém me apontar concluída, qualquer grande obra criada no governo Lula, e gerenciada pela chefona. Podem procurar à vontade. Não tenham pressa, neste quesito minha paciência é de Jô.
Enquanto vocês pesquisam por aí, aproveitem para conhecer a verdadeira face do pac: o nada de coisa alguma, transformado pelo discurso e pela propaganda, de um pacotinho ordinário e vagabundo, mal copiado numa versão genérica de valor duvidoso, em jóia rara embalada para enganar os incautos, e assim receber a louvação na próxima eleição.
Segue o artigo do Josias de Souza.
* Inspeção descobre que execução financeira é baixa: 12%
* Dado não bate com cronograma das obras: 86% em dia
* Parte dos gestores nem sabe que as obras estão no PAC
Em 22 de janeiro de 2008, a pretexto de festejar o aniversário de um ano do PAC, Lula promoveu um megaevento no Planalto. Coordenadora do programa, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) fez um balanço das obras. Disse que 86% estavam com o cronograma de execução em dia, sem atrasos. Pode ser propaganda enganosa.
Nesta quarta-feira (2), decorridos 72 dias da festa do governo, o TCU levou ao sítio que mantém na internet um documento que põe em dúvida as palavras da ministra, agora apelidada pelo chefe de "mãe do PAC". O tribunal verificou que, até setembro de 2007, apenas 12% das verbas orçamentárias destinadas às obras do Programa de Aceleração do Crescimento haviam sido executadas.
Algo que, na opinião do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, não condiz com as informações oficiais sobre o andamento das obras: “A afirmação (...) de que 80% das ações do PAC estão com cronograma de execução em dia não se coaduna, em princípio, com o fato de que apenas 12% das dotações previstas para 2007 no orçamento fiscal haviam sido liquidadas quando corridos mais de 10 meses do ano”, anotou o ministro em seu voto.
A posição do TCU foi assentada no acórdão de número 429/2008. Refere-se ao processo 027.527/2007-8, aberto para fiscalizar o PAC. Atividade que o tribunal transformou em rotina. O voto de Zymler foi aprovado pelos colegas em sessão realizada no último dia 19 de março. Mas só agora o conteúdo vem a público. Em reportagem veiculada no dia 23 de janeiro, um dia depois do balanço festivo do Planalto, o repórter Humberto Medina já havia detectado indícios de maquiagem nos números do PAC.
Os auditores do TCU inspecionaram 103 obras. Enviaram questionários aos gestores. Perguntaram se o fato de a obra sob seus cuidados ter sido incluída no PAC levara à agilização dos trabalhos. Para surpresa geral, os gerentes de 28 empreendimentos informaram que desconheciam que seus canteiros de obras haviam sido guindados à condição de jóias do PAC.
Dos 75 restantes, só 23 disseram que a inclusão da obra no programa prioritário da gestão Lula contribuíra para acelerar o cronograma. O ministro Zymler estranhou: "O fato de em 28 casos nem mesmo o gestor saber da inclusão da obra no PAC significa que a informação ainda não está fluindo adequadamente entre o órgão de planejamento do PAC e o pessoal de execução na ponta do programa."
No relatório que foi aprovado pela unanimidade de seus ministros, o TCU fez vários exercícios financeiros para tentar chegar a cifras que dessem credibilidade aos dados divulgados por "mãe" Dilma. Em nenhuma das projeções, porém, foi possível casar a execução financeira com o cronograma auspicioso que a ministra divulgara.
"Mesmo que se considere na execução orçamentário-financeira os pagamentos realizados a título de restos a pagar, a execução financeira continua baixa", anota o documento. "Somando os valores orçados para 2007 com os inscritos em restos a pagar, alcança-se a R$ 18,7 bilhões, enquanto os pagamentos montam a R$ 3,3 bilhões, ou 18% do total."
Incluindo-se na conta os recursos que teriam de vir de empresas estatais, “o percentual [de execução financeira] seria de 53% do valor total previsto”. Percentual ainda incompatível com a cena de normalidade anunciada pelo governo. Experimentou-se injetar na conta os “restos a pagar” do exercício de 2006 (R$ 17,5 bilhões). O percentual, neste caso, saltaria para 64%. Nada que empreste credibilidade aos dados oficiais que a festa de um ano pendurara nas manchetes dos jornais.
Depois da solenidade do Planalto, Lula pôs o pé na estrada. Com Dilma a tiracolo, monta pa©mícios até para assinar "ordens de execução" de obras ainda inexistentes. A movimentação do presidente levou o oposicionista DEM a protocolar no TSE um pedido de abertura de uma "investigação judicial." O partido acusa Lula de fazer campanha eleitoral ao arrepio da lei.