Editorial do Estadão
A balança comercial apresentou saldo positivo de apenas US$ 1,012 bilhão em março. No primeiro trimestre do ano o saldo ficou em US$ 2,837 bilhões, acusando queda de 66,9% em relação ao obtido no mesmo período do ano passado.Justifica-se a preocupação da equipe econômica e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que projeta para o ano de 2008 um superávit comercial de apenas US$ 10 bilhões, ante os US$ 40 bilhões do ano passado. Não é uma previsão, mas só um exercício matemático. Merece, no entanto, uma reflexão.
A balança comercial apresentou saldo positivo de apenas US$ 1,012 bilhão em março. No primeiro trimestre do ano o saldo ficou em US$ 2,837 bilhões, acusando queda de 66,9% em relação ao obtido no mesmo período do ano passado.Justifica-se a preocupação da equipe econômica e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), que projeta para o ano de 2008 um superávit comercial de apenas US$ 10 bilhões, ante os US$ 40 bilhões do ano passado. Não é uma previsão, mas só um exercício matemático. Merece, no entanto, uma reflexão.
Tomando por base as médias por dia útil, o primeiro trimestre exibiu um aumento de 15,6% das exportações e de 44,1% das importações. No que se refere às exportações por fator agregado, verifica-se que o maior aumento foi o de produtos básicos (18,4%), cuja participação no total das vendas externas, de 28,9% no 1º trimestre de 2007, passou para 29,6% neste ano. Assim, uma eventual queda nos preços das commodities pode ter peso significativo no recuo das vendas ao exterior.
As importações aumentaram por causa principalmente da alta dos preços dos produtos importados, fator que se pode agravar nos próximos meses, uma vez que a China, um dos poucos países que aumentaram sua participação como fornecedor do Brasil (9,6% para 11,6%), está reajustando os preços dos seus produtos. É importante saber que as compras de bens de capital cresceram 61,4%, dando alguma esperança de que a indústria nacional poderá elevar sua produção de bens de consumo duráveis, cujas importações foram 64,6% maiores no trimestre.
Esses resultados, pouco satisfatórios, tornam relevante comparar as estatísticas aduaneiras com o fluxo cambial registrado pelo Banco Central. No primeiro trimestre, o fluxo foi positivo em US$ 8,940 bilhões, valor inferior em 48,6% ao do mesmo período de 2007. O fluxo comercial foi de US$ 13,500 bilhões e o financeiro, de US$ 4,561 bilhões. Vê-se que o fluxo financeiro dificilmente poderá compensar a queda do comercial. O fluxo vinculado às exportações representou 120,4% das vendas registradas nas estatísticas aduaneiras, e o das importações, 85,6% das compras. Isso indica que parte das exportações foi adiantamento de receitas, enquanto nas importações houve financiamentos de quase 15%. Há que dirigir todo o esforço possível para aumentar as exportações e substituir algumas importações.