sexta-feira, abril 04, 2008

A dupla Tunica e Tinhoso: pegos na mentira, outra vez.

Adelson Elias Vasconcellos
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E a máscara caiu, não é mesmo? A reportagem da Folha de São Paulo, finalmente, desmontou todas as versões, todos os ridículos, todas as incúrias, todas as empulhações e mistificações, e esgarçou à realidade todas as mentiras. Não bastasse o relatório do Tribunal de Contas da União jogando no lixo as cretinices que se vendeu sobre o PAC, como também o desmentido de que houvera “sugerido” um banco de dados, o governo do crime organizado insistiu na sustentação deprimente de mascarar um de seus tantos crimes. Não há arrogância e nem berros estridentes no palanque das consciências compradas, tampouco os urros da ironia decadente, nem os gestos teatrais em poses ridículas, que bastem para encobrir a cristalina e derradeira versão. Ao cairem as máscaras, a verdadeira face da degradação se fez revelar. Na primeira hora consecutiva a leitura do primeiro parágrafo da notícia sobre a pesada ação policial com o aparato do Estado, na tentativa sórdida de, pela intimidação solerte e covarde, impedir a apuração das verdades trancafiadas nos cofres da cretinice explícita e criminosa, o homem vociferou estridente: “È mentira”!

Antes, porém, do cacarejo da galinha e do cantar do galo na uníssona hora, rasgou-se o véu da hipocrisia e revelou-se a lama putrefata de um governo deprimente.

Talvez consiga ainda eximir-se a ter que responder pelo crime autorizado, praticado e que tão bisonhamente tentou ocultar. Contudo, a verdadeira face do mentiroso contumaz, revelou ao país o legítimo comandante da quadrilha que assaltou em seu proveito pessoal e ilegítimo, tanto quanto ilegal, o poder, o Estado e os cofres da União.

Diga o que disser, doravante, sempre se levantará a suspeita de se estar diante do lacaio da desfaçatez, do cínico de botequim, do embriagado e empedernido consumidor das ilusões da sua própria estupidez.

“É MENTIRA”, trovejou a voz demagógica e aventureira, imaginando-se faceiro na repetição de escafeder-se da própria culpa. Na doentia imaginação, julgou-se acima dos homens, de suas leis, de seus princípios éticos e morais, de sua honestidade, sobre os quais julgava poder deitar cátedra de sua malévola filosofia rancorosa.

E ainda assim, diante da constatação do crime cometido nas entranhas de seu próprio trono, quis uma vez mais ironizar a própria farsa de que se alimenta sua arrogância, tentando urrar um grito lascivo de que tudo “É MENTIRA”!

Vendo-se diante do espelho, quis atribuir aquela visão dolorosa ao preconceito dos adversários, julgando-se a vítima de sua própria hediondez. E, no esguio de voz que se seguiu, ainda se pode notar que a figura que se debatia desfigurada, atingida pelo torpor do desmacaramento imptinente, deixou escapar um esguicho surdo de que tudo não passava de “MENTIRA”.

Até que uma chama de verdade colocou a verdade no seu devido lugar, e um clarão se fez presente porque, por mais mentiras que ainda tente contar, sempre subsistirá alguém para lhe apoantar o dedo e cantar os versos de que, tamanha figura bizarra e indecorosa, delinqüente parido no oportunismo da desinformação coletiva, e na ignorância das letras que não se conseguem juntar para a formação límpida de um pensamento crítico, alguém sem cotas, sem benesses, sem sensibilidade para os apelos dramáticos da caducidade forjada na ignomínia, sem a fartura da esmola oferecida no banquete estendido à claque subserviente, sem os bolsos fartos de bolsas de desesperança e descrença, sem a consciência vendida no balcão putrefato do poder, sem o apoio dos sindicatos da miséria moral que se entregam à leviana farra dos manás estatais, este ser feito de trabalho, suor, sacrifícios, de manhãs de trabalho e de noites sem repouso, este ser vilipendiado pelo achaque sem pudor e sem piedade, esta criatura feita de dificuldades mas repleta de caráter e dignidade, olhará a figura portentosa no púlpito do opróbrio, e, sem berro nem altercações, fará sua voz ecoar numa amplitude que sua moral superior há de se fazer respeitar. Concluído o discurso da hipocrisia, um único som silenciará os infames, e o ser travesso por ser brasileiro, mãos calejadas pela lida diária, pronunciará o derradeiro som, capaz de silenciar os malfeitores: “É MENTIRA”.

De um lado, rastejando-se na própria lama que molda seu caráter, sairá embalada no pacote sem enfeites, a senhora das malvadezas, construtora do pacote embusteiro. De, outro, ainda na tentativa de aparentar uma superioridade repulsiva, fugirá trôpego o cavaleiro da imundície, tentando ironizar sua própria desdita. Assim, soou emudecido o derradeiro canto da dupla Tunica e Tinhosa, repetindo-se na mentira com que tentam lavar suas almas indecentes.