Adelson Elias Vasconcellos
Leiam a notícia a seguir da Tribuna da Imprensa.Volto para comentar depois.
Governo criará fundo privado internacional
BRASÍLIA - O novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem que criará um fundo internacional, formado com recursos da iniciativa privada, para estimular o desenvolvimento sustentável da Amazônia. "Vamos trazer recursos para manter a floresta em pé. No dia 5 de junho, vamos apresentar um fundo, que será criado por decreto presidencial, para isso."
Segundo Minc, já estão garantidos para o fundo US$ 100 milhões de empresas norueguesas. Esses recursos, segundo o ministro, serão depositados em setembro próximo. O fundo será gerido pelo BNDES. "A lógica é a seguinte: todo mundo diz que a Amazônia é importante, todos choram quando se corta uma árvore, mas tem 25 milhões de pessoas que vivem lá, e precisamos de recursos para que essa população sobreviva de maneira sustentável."
Minc informou que dirá a ministros do Meio Ambiente de outros países que o Brasil "é soberano, mas contribuições são bem-vindas para exercermos nossa soberania ambiental."
*** Já não chega o programa de arrendamento de imensas áreas de floresta por período de 50 anos, prorrogáveis, agora Minc vem com esta idéia de jerico com a criação de um “Fundo privado para a Amazônia"?!!! Santo Deus! É tudo o que a banca internacional queria, isto é, criar dependência para o Brasil em relação à sua Amazônia.
Quem investe quer retorno. Quem financia cria regras. Que “doa” dinheiro quer alguma coisa em troca.
Tanto é ridícula a idéia de Carlos Minc que, imediatamente, o ex-presidente Itamar Franco tratou de enviar uma carta ao presidente Lula tentando demovê-lo da idéia, e colocando justamente estas razões.
A insistir neste “projeto”, o Brasil estará assinando uma confissão de incompetência na gestão de sua maior riqueza natural. A pressão internacional sobre a Amazônia se dá justamente lá fora se diz que somos irresponsáveis e inconseqüentes, e sendo assim, não temos competência para preservar a floresta intacta. Porém, no fundo, o que se deseja, é justamente internacionalizar a Amazônia para dela extraírem suas riquezas abundantes.
Portanto se Lula não quiser cair no ridículo de, numa semana afirmar com toda a pompa e circunstância que “A Amazônia é dos brasileiros, e na seguinte, abrir a porteira para a sua internacionalizar, manda Minc calar a boca e abandonar a sandice imaginada.
E vale lembrar o que venho afirmando desde que Minc foi anunciado para substituir Marina Silva: este será um ministro que mais criará problemas do que resolvê-los. Sua inclinação aos holofotes o faz falar demais e pensar de menos. Ou Lula o enquadra rapidamente, apagando um pouco de “estrela” que seu ministro adora ostentar, ou terá muita dor de cabeça pela frente.
Em tempo 1: há um movimento no Planalto para se criar uma lei para por um freio na compra de extensas áreas de terras na Floresta Amazônica por parte de estrangeiros. Besteira. No tempo da ditadura militar já se tentou isto e acabou não dando certo. Há duas questões: primeiro, qualquer “laranja” brasileiro nato faria o papel intermediário. No cartório, ele seria o proprietário, contudo, para o “estrangeiro” este “laranja” assinaria um contrato de retro-venda que teria valor em qualquer tribunal internacional. E, segundo, se é a o presença de estrangeiros na Amazônia que se quer limitar, então que se anule o programa de arrendamento de longo prazo criado neste governo.
Em tempo 2: a melhor forma de proteger a floresta é, de um lado, a colonização intensa de seu interior, e de outro lado, patrulhamento extensivo ao longo das fronteiras. Contudo, o governo atual parece navegar na contra-mão: as demarcações em terras contínuas de imensas áreas, e ao longo da fronteira, é uma estupidez que se espera que o STF anule. Somente a presença do Estado e dos brasileiros poderá nos garantir a segurança que precisamos para continuar estufando o peito para afirmar: “A Amazônia é do Brasil” . Porque agir como se vem fazendo, o discurso cairá num imenso vazio.