quarta-feira, junho 04, 2008

Aumento de energia? Notícia ruim só depois das eleições

Adelson Elias Vasconcellos

Tarifa de energia terá forte alta no próximo ano, diz associação

Em artigo de Agnaldo Brito, na Folha de São Paulo de hoje, quarta (4/6), ele nos informa que, segundo o presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Luiz Carlos Guimarães, os consumidores devem se preparar para a forte alta no preço da energia elétrica a partir de 2009. Junto com o alerta, o presidente da Abradee lançou sua crítica ao modelo adotado pelo governo atual para a revisão tarifária que, num determinado ano, apresenta forte alta como ele diz que acontecerá em 2009 e, em outro, se praticam reduções como a que ocorreu em 2007. E é ele quem informa sua perplexidade quando diz que “...Curiosamente, os anúncios de queda de preços ocorreram em momento de menor perspectiva de oferta..”.

Muito bem. O que talvez Luiz Carlos Guimarães não se tenha dado conta é de que, o modelo de gestão do governo Lula não é feito ou produzido a partir de fatos ou eventos de mercado. O critério do governo é outro, é feito e assentado com base no calendário eleitoral. Assim, como 2008 é ano de eleições municipais para as quais o petismo tem uma estratégia de resultados que se projetam para as de 2010, as tarifas de energia foram reduzidas à véspera do pleito porque ele interferem diretamente no bolso do curral eleitoral do partido. Em 2009 não haverá eleição alguma, assim, as tarifas podem aumentar sem prejuízo e, ele pode ficar alerta de que, em 2010, a oscilação para baixo vai ocorrer. É inevitável quando o que determina a ação do governante é guiada pelo calendário eleitoral e não pelas necessidades imediatas do país ou ´pr simples razões de mercado.

Por exemplo, de Roma, onde acompanhou Lula, Patrus Ananias anunciou que os benefícios do Bolsa-Família, em razão da inflação, serão revistos aianda neste ano, prevendo uma correção em torno de 5 a 6%. Patrus não lembrou de inflação em 2007, apenas em 2008, assim como o mesmo governo só lembrou de inflação do benefício em 2006, por ser ano de eleição. Outro exemplo é o bolsa adolescente, que atingirá a camada da população do primeiro voto, e que é composto por milhões, ou a bolsa pingüim, prevista para ser lançada em outubro, às vésperas do pleito municipal, quando serão “trocadas” cerca de 10 milhões, em números do governo, de geladeiras velhas por novas, sob a alegação de serem mais “econômicas” quanto ao consumo de energia.

Portanto, tivesse o cuidado de medir bem a temperatura das ações emanadas do Planalto, o presidente da Abradee não ficaria nenhum pouco surpreso. O projeto de governo estará sempre associado ao projeto de poder, assim, em vésperas de eleições, decisões mesmo que necessárias ao país mas que representem algum prejuízo à imagem do Luiz Inácio, ficarão sempre em segundo ou terceiro planos. A isso ele chama de governar, quando na verdade o nome que se dá é bem outro...

Segue a matéria da Folha.

Os consumidores devem se preparar para a forte alta no preço da energia elétrica a partir de 2009. O alerta foi feito ontem pelo presidente da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica), Luiz Carlos Guimarães. A associação reúne 51 das 64 distribuidoras no país.

Ele criticou o modelo de revisão tarifária em vigor, que conduz a reduções de tarifa, como em 2007 e neste ano, e períodos de forte alta, como a prevista para o ano que vem. "Precisamos evoluir para um modelo que elimine essas oscilações."

A queda nas tarifas nos dois últimos anos ocorreu devido à revisão tarifária. Curiosamente, os anúncios de queda de preços ocorreram em momento de menor perspectiva de oferta.

A Abradee elenca três fatores que pressionarão o preço: alta na geração térmica com gás natural e óleo combustível, a aceleração do IGP-M (que corrige praticamente todos os contratos das concessionárias) e a necessidade de que algumas distribuidoras terão de comprar energia no mercado à vista por falta de cobertura da demanda.

Parte da oferta de energia comprada pelas distribuidoras não será entregue, principalmente a eletricidade que seria gerada pelas usinas do Proinfa (programa de incentivo ao uso de fonte alternativa de energia). Neste caso, as distribuidoras poderão adquirir energia no mercado à vista para cobrir a demanda. Quem fizer isso poderá repassar para a tarifa o custo adicional da energia contratada no mercado à vista.

A decisão do CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico) de manter as termelétricas ligadas com objetivo de economizar água nos reservatórios também significará um incremento importante no custo da energia elétrica, diz Guimarães. O governo já repassou parte desse custo para algumas distribuidoras, mas a maior parcela deve vir em 2009.