quarta-feira, junho 04, 2008

A que ponto alguém é capaz de descer: relator "esquece" governo Lula

Tribuna da Imprensa

Para Vic Pires, "relator está na Disney, no mundo encantado do Pato Donald e do Pateta"

BRASÍLIA - Depois de 83 dias de funcionamento e 17 reuniões, o relatório final da CPI Mista dos Cartões Corporativos concluiu que o mau uso dos cartões corporativos por integrantes do governo Lula foi resultado de equívocos. A conclusão está no documento apresentado pelo deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), que será votado amanhã. Em 936 páginas, o petista não pede o indiciamento de nenhum dos envolvidos em irregularidades com os cartões, além de não mencionar a montagem de dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para Luiz Sérgio, as irregularidades com cartões descobertas no atual governo não passaram de "problemas, de equívocos e de utilização inadequada". Os únicos que saíram perdendo no relatório apresentado pelo petista foram ex-ministros do governo de FHC: o relator pede que devolvam o dinheiro gasto irregularmente.

No relatório, ele listou detalhadamente os gastos de cinco ex-ministros - Paulo Renato (Educação), Martus Tavares (Planejamento), Pimenta da Veiga (Comunicações), Raul Jungmann (Reforma Agrária) e Francisco Weffort (Cultura). Foram dedicadas 14 páginas para resumir as despesas deles e outras 681 páginas com notas fiscais que comprovam os seus gastos.

O relator defendeu que Weffort e Jungmann devolvam aos cofres públicos as despesas que fizeram na época em que eram ministros. "Enquanto a sociedade pôde acompanhar o processo de ridicularização a que foi submetido o atual ministro dos Esportes pela despesa com alimentação em Brasília no valor de R$ 8,30, o ex-ministro Weffort, com base nos dados preliminares apurados pela comissão, realizou despesas com alimentação, em valores da época, de mais de R$ 47 mil", escreveu Luiz Sérgio.

O relator foi bem mais benevolente quando tratou do caso de três ministros do atual governo que utilizaram irregularmente o cartão corporativo. Foram destinadas seis páginas para relatar o caso envolvendo Matilde Ribeiro, que saiu do Ministério da Igualdade Racial depois de ter usado o cartão para fazer compras pessoais; de Orlando Silva (Esportes), que fez uso do cartão para pagar uma tapioca; e de Altemir Gregolin (Pesca), que pagou almoço para uma delegação estrangeira com cartão, o que é proibido por lei.

Matilde e Orlando
No relatório, Luiz Sérgio argumentou que Matilde e Orlando Silva usaram o cartão corporativo "por engano" e não anexou nenhum documento dos gastos irregulares feitos por esses ministros. "Os gastos com cartão foram graves, abusivos, excêntricos e até criminosos. Mas o relator só fez uma análise bastante detalhada dos ministros de FHC. Houve uma parcialidade muito evidente", disse o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), um dos integrantes da CPI Mista.

"Esse relatório mostra o nada. Acho que o relator está na Disney, no mundo encantado do Pato Donald e do Pateta e acha que somos todos aqui patetas. Ninguém errou, ninguém usou o cartão indevidamente. Vamos acabar a CPI em uma grande pizza", afirmou o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), outro integrante da comissão de inquérito.

No relatório, Luiz Sérgio argumentou que a "opinião pública foi vitimada por informações pouco precisas" sobre os cartões corporativos. Afirmou ainda que a oposição teve acesso a todos os dados sigilosos de gastos da presidência da República e nada encontrou.

"O acesso às contas da Presidência da República era imprescindível aos parlamentares de oposição que, apesar de terem examinado exaustivamente estas contas, não identificaram gastos questionáveis ou de natureza pessoal", observou o petista.

Nas considerações finais de seu relatório, Luiz Sérgio ressaltou que o Tribunal de Contas da União (TCU) também não detectou "irregularidades significativas" nas contas presidenciais. Por fim, o relator faz dez recomendações - a maioria delas já em execução - para a melhoria do uso dos cartões corporativos.

Ele sugere que os ministros de Estado deixem de ser titulares de cartão governamental e passem a receber diárias de viagem, além de propor que os ministros possam usar o cartão corporativo em Brasília para situações de "relacionamento institucional". É o caso do uso do cartão para pagamento de almoços de trabalho pelo ministro. "É falta de educação um ministro não poder retribuir um almoço", argumentou Luiz Sérgio.

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:
De fato, a figuraça merece o troféu de cara de pau do ano. Quem sabe Lula lhe conceda como prêmio, alguma boquinha rica dentre as milhares espalhadas em Brasília. Convenhamos, o moço bem que merece pela cretinice empregada com tanto talento e arrojo... E não há como negar que, neste ramo, o deputado leva jeito e terá um futuro brilhante!