quarta-feira, junho 04, 2008

Temporão viu passar pela Saúde R$ 35 bi de CPMF

Josias de Souza, Folha online

É mais do que ministro terá, até 2010, com a CSS: R$ 26 bi.
Com menos verbas, promete fazer o que não fez com mais.


O ministro José Gomes Temporão (Saúde) entregou aos líderes governistas, na semana passada, uma lista do que pretende fazer com o dinheiro da CSS, a neo-CPMF.

Os planos de Temporão foram esmiuçados aqui no blog, no último domingo (1). Contemplam um rol de 19 iniciativas.

Curiosamente, enquanto dispôs do dinheiro da CPMF, mais graúdo do que a expectativa de coleta da CSS, o governo não fez o que agora promete fazer.

Temporão chegou ao ministério da Saúde em julho 2005. Veio do Inca (Instituto Nacional do Câncer). Até março de 2007, chefiou a estratégica Secretaria de Atenção à Saúde.

Em 19 de março de 2007, Temporão foi alçado à cadeira de ministro da Saúde. Chegou à poltrona por indicação do PMDB.

Nos dois anos e cinco meses que separaram a chegada de Temporão a Brasília e a extinção da CPMF, em dezembro de 2007, o governo recolheu R$ 83 bilhões com o tributo.

Dado oficial, da Receita Federal. Desse total, cerca de R$ 35 bilhões foram ao caixa da Saúde.

R$ 23 bilhões no período em que Temporão era secretário de Atenção à Saúde. E R$ 12 bilhões na fase em que já virara ministro.

Somando-se toda a verba extra que Temporão espera ter caso a CSS seja aprovada, as arcas da Saúde serão engordadas em R$ 26 bilhões até 2010, último ano de Lula.

Dinheiro assim distribuído: R$ 6 bilhões em 2008; R$ 10 bilhões em 2009; e, de novo, R$ 10 bilhões em 2010.

A votação do projeto que inclui o artigo que ressuscita a CPMF, agora com alíquota de 0,10%, está marcada para esta quarta-feira (4).

No instante em que os deputados estiverem deliberando, uma pergunta vai boiar no plenário:

Como confiar que Temporão fará, com R$ 9 bilhões a menos (R$ 35 bilhões – R$ 26 bilhões), o que o governo não foi capaz de fazer com mais?

Henrique Fontana (PT-RS), líder de Lula na Câmara, assegura que o conglomerado governista já dispõe de votos para aprovar a CSS.

Se o deputado estiver certo, a proposta seguirá para o Senado. A mesma Casa que enterrou a CPMF em dezembro de 2007.

Relatora da emenda que mandou à cova o chamado imposto do cheque, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), afia, desde logo, a lança:

“Qual será a mágica do ministro? Se com R$ 26 bilhões daria para fazer tudo isso que ele promete, por que o ministro e ex-secretário não fez quando teve à disposição R$ 35 bilhões?”