Adelson Elias Vasconcellos
Oportuno artigo da BBC Brasil, sob o título Peru diz que vai proteger índios que fogem para o Brasil, traz luz às muitas mentiras que estão sendo passadas sobre o conflito da reserva Raposa do Sol. Segue o artigo. Em seguida, comentaremos.
Anúncio vem depois de divulgação de fotos de tribo isolada no Acre
Dias depois que fotografias de uma tribo isolada de índios da Amazônia foram divulgadas pela primeira vez, o governo peruano anunciou que vai combater a ação ilegal de grupos que desmatam a floresta e invadem as terras indígenas.
Oportuno artigo da BBC Brasil, sob o título Peru diz que vai proteger índios que fogem para o Brasil, traz luz às muitas mentiras que estão sendo passadas sobre o conflito da reserva Raposa do Sol. Segue o artigo. Em seguida, comentaremos.
Anúncio vem depois de divulgação de fotos de tribo isolada no Acre
Dias depois que fotografias de uma tribo isolada de índios da Amazônia foram divulgadas pela primeira vez, o governo peruano anunciou que vai combater a ação ilegal de grupos que desmatam a floresta e invadem as terras indígenas.
Os índios fotografados na semana passada foram localizados no Acre, perto da fronteira com o Peru, mas o governo brasileiro, que financiou a missão, acredita que eles tenham vindo do país vizinho, forçados por grupos que desmatam e invadem suas terras.
Segundo o correspondente da BBC em Lima, Dan Collyns, autoridades do Estado peruano de Madre de Díos disseram que vão proteger as tribos isoladas da floresta.
"Uma missão será enviada à região para colher informações e investigar se o desmatamento ilegal está realmente desalojando as tribos", disse o diretor do Departamento de Assuntos Indígenas do governo peruano, Ronald Ibarra.
"A idéia é protegê-los e não entrar em contato com eles", disse ele.
Arco e flecha
A Funai, que divulgou as imagens, disse que o grupo fotografado é o maior dos quatro isolados que existem apenas no Acre.
O organizador da missão e coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai, José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, disse, na semana passada, que a Amazônia peruana seria palco de várias atividades ilegais que estariam expulsando os índios de suas terras.
"Tudo que é ilegal que você pode imaginar, acontece na Amazônia peruana. Do lado brasileiro, a gente consegue isolar, evitar invasões, mas a coisa está pegando do lado de lá (do Peru)", disse Meirelles.
Ele diz ter provas de que pelo menos dois grupos do Peru passaram para a Amazônia brasileira.
As fotos mostram as malocas do grupo e índios pintados com urucum. Uma delas registrou o momento que membros do grupo tentam acertar o avião do fotógrafo com flechas.
"Por mim, eles são bem-vindos, mas o meu medo é que essa migração gere conflito (com outros índios estabelecidos no Brasil), " afirmou Meirelles.
*** Em 26.05. escrevemos uma série de quatro artigos sob o título “Raposa do Sol: Conhecendo um pouco de História”, em que apresentamos uma série de argumentos e fatos que são determinantes para que o governo reveja o critério utilizado para a demarcação em terras contínuas para a reserva indígena Raposa do Sol.
No primeiro da série, (clique aqui para íntegra), demonstramos algo que, por si só, invalidaria todos os argumentos dos defensores da demarcação pelo critério empregado. Segue trecho:
“(...)Hoje se afirma serem quatro as etnias: Macuxi, Taurepang, Wapixana e Ingarikó. Contudo, retrocendo-se no tempo, chegaremos no distante de ano de 1917, quando o Governo do Amazonas editou a Lei Estadual nº 941, destinando as terras compreendidas entre os rios Surumu e Cotingo para a ocupação e usufruto dos índios Macuxi e Jaricuna. Ou seja, há praticamente um século, das etnias consagradas pelo governo Lula na demarcação de 2005, apenas os Macuxis habitavam a região da Raposa do Sol. E os demais chegaram ali quando ? Por certo, não foi há quatro séculos como defendem certos “antropólogos””.
Bem, de onde vieram as outras etnias ? No terceiro artigo, (clique aqui para íntegra), reproduzimos uma entrevista concedida por Aldo Rabelo à Agência Estado. E é ele quem nos dá a resposta:
“(...) Há populações na região da Reserva Raposa do Sol que vivem ali muito antes de parcela das populações indígenas que atravessaram as fronteiras vindas de guerras tribais do Caribe. Creio que devemos receber e acolher essas populações indígenas juntamente com as populações indígenas que já existiam no Brasil. Mas devemos acolher, também, os brasileiros não-índios que ali chegaram há muitos anos e ali construíram suas vidas. Como é que nós podemos simplesmente, em um processo de demarcação, declarar a extinção desses municípios, que é o caso do município de Normandia, que é de 1904, Pacaraima e mesmo Uiramutã. O de Uiramutã, nós (os parlamentares) conseguimos retirar da lista de extinção em meio a uma negociação difícil. As pessoas tinham ali as suas raízes, a sua infância, suas famílias, sua história. A prefeita de Uiramutã me contou que o avô dela chegou ali em 1908. Como é que nós vamos promover o desterro dessa população? A decisão embute um erro geopolítico. Quem não considera isso um problema grave não está considerando o conjunto do problema. Nós não podemos buscar a solução para o conflito com a exclusão de uma das partes (...)".
Alguém tem alguma dúvida sobre a procedência das outras etnias, afora os macuxi, ao estado de Roraima? Pois eis no artigo da BBC Brasil uma resposta vinda de gente fora do Brasil, e que nada tem a ver com a Raposa do Sol.
Reparem no trecho que diz “(...) mas o governo brasileiro, que financiou a missão, acredita que eles tenham vindo do país vizinho, forçados por grupos que desmatam e invadem suas terras...(...)”. Entenderam? Isto representa dizer que o Brasil está se tornando destino final de muitos indígenas que vivem nos países latino-americanos que fazem fronteira com nosso país, e, como vimos no testemunho de Aldo Rabelo, eles têm vindo, inclusive de países do Caribe.
E sabem por que os índios de outros países escolhem o Brasil como destino? Por duas razões: além da fartura de terra não ocupada, também o fato do governo daqui estar demarcando áreas exclusivas para tribos e etnias, além do malfadado Acordo do qual o Brasil é signatário na ONU, sobre a Auto-determinação dos Povos Indígenas.
Aí, perguntamos: qual a certeza que se tem de que a toda população indígena residente em solo brasileiro, é tupiniquim historicamente? E para as estrangeiras, serão dadas terras também ?
O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental da Funai, José Carlos dos Reis Meirelles Júnior, dá uma declaração surpreendente e que deveria servir de alerta ao governo Lula. Diz ele “(...) ter provas de que pelo menos dois grupos do Peru passaram para a Amazônia brasileira (...)” E complementa: “(...) Por mim, eles são bem-vindos, mas o meu medo é que essa migração gere conflito (com outros índios estabelecidos no Brasil), "
Bem, ficou claro, não é mesmo, que alguns índios “espertos” estão passando para o lado de cá da fronteira, que continua simplesmente abandonada pelo atual governo, e estas tribos estão soltas na Amazônia verde-amarela, ocupando espaços e esperando ser agraciados com “demarcações” para se garantirem. E acrescente-se que o governo, ao se defender das críticas de que sua política indigenista é caótica, apela para o aumento da população dos índios para dizer que sua atuação não apenas está preservando mas também aumentando o esta população. Contudo, além do aspecto migratório, devemos acrescentar a altíssima mortalidade infantil das populações indígenas, que desmontam e põe por terra tais argumentos.
Inadmissível seria se, pela simples teimosia arrogante do governo Lula, que se expulsassem milhares de brasileiros não índios das terras em que nasceram, trabalharam e vivem há mais de um século para, em seu lugar, colocar índios fugidos do Peru, Caribe e outras bandas, ou importados pelas ONGs picaretas que infestam a região Amazônica.